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Gilmar Pereira, o Poeta das Manhãs, e o sonho de publicar um livro

Seu nome é Gilmar Pereira dos Santos, tem 47 anos, mora com a mãe e uma criança de cinco anos, que a família cria desde os seis meses de idade dela.

Ele é natural de Governador Valadares, MG, mas mora em Patos desde os cinco anos de idade. “Minha mãe é daqui, mas morava lá”, disse.

Gilmar não chegou a concluir o 2° grau. Enfrenta problemas de saúde e é aposentado.

Ele perambula pelas ruas de Patos, principalmente na parte da manhã, e onde chega recita poesias, improvisa e, se participa de algum evento, é sempre convidado a usar da palavra e recitar alguma poesia, o que ele faz com prazer.

Na Secretaria de Cultura, na Fundação Ernani Sátyro, nas praças, onde quer que chega ele interage, quase sempre para mostrar a sua nova prosa, o seu novo verso.

Gilmar Pereira

Faz poesias populares desde os 11 anos de idade. Já teve duas músicas classificadas  (“Tudo aqui vira canção” e “Oh, minha Paraíba”). Uma música classificada entre as 12 e outra entre as 36 selecionadas. Uma das canções foi defendida por ele mesmo; outra foi defendida por uma amiga dele,  Amanda.

Gilmar faz versos de improviso, mas diz que já não como antes: “Sofri uma queda e fui prejudicado na minha cognição e já não improviso tanto quanto antes”, disse.

Ele admira os repentistas Ivanildo Vila Nova e Oliveira de Panelas e está sempre fazendo poesias. “Meu sonho é publicar um livro. Já tenho o livro pronto, o que falta é condições”, disse.

O Poeta das Manhãs, ao conversar com a Folha Patoense, disse que queria se despedir com uma poesia dele. “Essa poesia eu peguei o mote de Oliveira de Panelas, que diz ‘Como é triste um passarinho viver preso na gaiola’, e fiz os meus próprios versos em cima do mote dele:

Feito uma maré sem orla

E pinto sem ter seu ninho

Solidão, sem pergaminho

Sua comida, uma esmola

Se a mata é sua escola

Que lhe trata com carinho

Cansado canta sozinho

Pois seu canto não decola

Como é triste um passarinho

Viver preso na gaiola

A prisão que lhe assola

Sem beijar-flor, é espinho

Na mata não faz seu ninho

Feito onda sem marola

É um jogador sem bola

É um odre sem ter vinho

E cantar triste é mesquinho

É repente sem viola

Como é triste um passarinho

Viver preso na gaiola.”

Folha Patoense – folhapatoense@gmail.com 

 

 

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