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A história de vida de um dos maiores pescadores da cidade de Patos

Em sua residência, no Mutirão

 O nome dele é Manoel Joaquim da Silva, tem 88 anos, e é natural de Sertânia-PE. É radicado em Patos há muitos anos, onde se aposentou e, mesmo sendo cadeirante há 55 anos, exerce a profissão de pescador. Quando não era cadeirante seu Manoel trabalhava na agricultura também.  

Sua mulher, Djanira, morreu de problemas cardíacos há pouco mais de 20 anos. “Fiquei viúvo e não casei de novo. O casal teve seis filhos. Dois já faleceram; dois  moram no sudeste do país e dois moram em Patos. 

Ele começou a pescar com dez anos de idade. Nunca parou. E ficou conhecido por pescar camarões. “O peixe que eu pego eu vendo por aqui mesmo, até em minha casa, mas o camarão eu vendo pra muita gente, até de outras cidades. Tem gente do Pernambuco que me compra e me encomenda camarões. Para pegar peixe eu uso uma rede de pescar, e os camarões eu utilizo latas, latas com isca, uma armadilha onde o camarão entra e não consegue mais sair”, diz ele.

Seu Manoel pesca na Barragem da Farinha, no Açude do Jatobá e também em outros açudes da região. Pelas dificuldades de locomoção e por residir no Conjunto Mutirão, perto do açude, o Jatobá é onde ele mais pesca, mas, segundo disse, nesse momento, com pouca água, tá difícil pescar. “Eu pesco quando o açude tem um volume bom de água, porque uso canoa. Estou sem canoa no momento. Preciso urgentemente de uma, mas não tenho dinheiro para comprar. Tendo canoa eu vou ao açude, pesco e faço dinheiro”, diz.

Ele ficou deficiente físico no dia 06 de dezembro de 1962. Trabalhava comercializando peixes e produtos agrícolas nas feiras de Piancó e Itaporanga e, numa dessas viagens, aconteceu um grave acidente, envolvendo a caminhonete em que ele viajava. “Nesse acidente eu perdi dois amigos e perdi as pernas também”, disse.

Mesmo cadeirante é exímio pescador e sempre impressionou a todos o fato dele empurrar a sua cadeira de rodas do Mutirão para o Centro, do Centro para o Mutirão, uma distância de mais de oito quilômetros para ir e vir. “Com as mãos eu empurro as rodas da cadeira e assim eu me transporto. As pessoas ajudam muito. Já teve vez que fui ao centro e voltei praticamente sem empurrar a cadeira de rodas, porque um ajuda, outro ajuda, tem gente que passa de bicicleta e me vê e vai guiando a bicicleta só com uma mão e com a outra mão empurra a cadeira. Sempre tem gente pra ajudar, mas se não tiver eu vou e volto mesmo assim”, disse.

Seu Manoel Joaquim disse que o único vício que tem é fumar e que nunca bebeu. “Deixei a casa dos meus pais com dez anos de idade porque eles bebiam muito”, explicou.

Outra história interessante é que ele afirma que já sofreu dezenas de acidentes, de todos os tipos, alguns no exercício da pesca. “A morte não quer me levar. “Com um mês de idade minha irmã deu uma queda em mim e eu passei 30 dias deitado, com uma vela acesa perto de mim, só esperando a morte, segundo minha mãe contava. Com dois anos eu caí dentro de uma fogueira e tive o corpo quase todo queimado. Com seis anos eu caí de um jumento, prejudicando as costelas. Com 33 anos perdi as pernas num acidente de carro, e outros acidentes eu também já sofri. A morte não quer mesmo me levar”.

Ele tem irmãos que moram em Palmeira dos Índios-AL, e Garanhuns-PE, mas não lembra os nomes deles. “Não tô lembrado quantos irmãos eu tenho não. Parece que são quatro. Nem os nomes eu lembro. Não tenho notícia dos meus irmãos. Eu vivo só e se a morte lembrar de mim eu vou morrer só”, disse.

A despeito da deficiência, seu Manoel Joaquim sempre trabalhou. Não se acomodou. É uma figura muito conhecida na Zona Sul de Patos. Muita gente o conhece como “O pescador de camarão”. “Enquanto eu puder serei pescador pois foi essa a profissão que Deus me deu”, finalizou.

 Folha Patoense – folhapatoense@gmail.com

Fotos: Wandenilton Medeiros e Jozivan Antero

 

 

 

 

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