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Ambulante se veste de garçom para vender água em semáforo, em João Pessoa: ‘Sou aplaudido agora’

Ambulante se veste de garçom para vender água em semáforo, na PB — Foto: TV Cabo Branco/Divulgação

A rotina começa cedo na casa de Jonas Barbosa, de 22 anos, que mora em Santa Rita, na região metropolitana de João Pessoa. Há quatro meses ele se tornou “garçom” e usa um traje formal para trabalhar, vendendo água nas ruas da capital paraibana. Ele dá um beijo na esposa e outro na filha e sai para encarar um dia cheio de trabalho. O destino dele é Centro da cidade.

Não demora muito até a chegada em João Pessoa, na estação do Varadouro, de onde o jovem parte para a primeira tarefa: comprar água mineral para revender. Cada fardo com 12 garrafas custa R$ 6,50. Ele revende cada uma a R$ 1.

Pouco tempo depois, Jonas chega ao local de trabalho. Debaixo de um sol forte, ele oferece água gelada e pipoca para os clientes. Os diferenciais do jovem são a bandeja, o balde, a postura e a simpatia.

Oito meses atrás, Jonas vendia água nos sinais vestido de short e sandália, com uma caixa de isopor na mão. As vendas não eram boas. Mas ele não desistiu e reinventou a atividade para continuar no mesmo negócio. Foi quando ele pensou em desistir que a companheira dele teve a ideia de que o marido usasse o traje de garçom.

“O pessoal fechava o vidro [do carro] na minha cara e eu começava a chorar. Batia aquela tristeza no meu coração. Pensei [em desistir]. Passei quase um mês em casa ainda… Sou aplaudido agora. O pessoal antes fechava o vidro e agora abre”, pontuou.

A estratégia deu certo e ele já conquistou a fidelidade dos clientes. “É bom, né? O cara tem que se reinventar para trabalhar”, declarou o corretor de imóveis Marcos Firmino.

Jonas contou que chega a vender mais de 150 unidades de água e dois fardos de pipoca em dias comuns, de segunda ao sábado. A renda garante o sustento da família dele.

A analista de empregabilidade Lívia Rodrigues acredita que o sucesso do negócio está na criatividade com que a atividade é desenvolvida, já que o produto que ele comercializa é comum.

“A questão da criatividade dele é muito bacana, passa uma credibilidade profissional. É uma pessoa extremamente comunicativa e simpática. Então ele usou as qualificações profissionais dele para fazer as vendas”, explicou.

Jonas aprendeu cedo a suportar pressões, encarar responsabilidades e espantar a crise financeira de cabeça erguida com um pouco de capricho e simplicidade.

Deus está me exaltando grandemente. Por causa das humilhações que eu passei desempregado, Deus tá me honrando”, concluiu.

G1 PB

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