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Crianças da PB ganham caixas de biscoito de presente de Natal após pedido nas redes sociais

Fotos: Micaelle da Silva Cavalcanti/Arquivo pessoal

As irmãs Mayza Valentina da Silva Nascimento, de 3 anos, e Maria Eloiza da Silva Souza, de 8 anos, escreveram cartas e pediram, neste Natal, para ganhar biscoitos e um botijão de gás de cozinha. Os desejos delas foram publicados nas redes sociais do projeto “Eu sou de Jesus”, onde as crianças moram, em Campina Grande. As escolhas das irmãs foram guiadas pela necessidade da família.

A única renda fixa da família é o valor recebido através de um programa social, que paga por mês a quantia de R$ 269. A casa onde eles moram não tinha fogão. As crianças nunca viam comida sendo feita no local. Quando ganharam o botijão de gás através de doações anônimas, uma parente doou também o eletrodoméstico. Na semana seguinte, elas ganharam uma cesta básica.

“Eu não ia deixar de ajudar minha mãe pra comprar um brinquedo. Ela tava precisando”, disse Eloisa.

Na cartinha, ela escreveu: “Eu queria que Jesus realizasse meu sonho de ganhar um botijão de gás para ajudar a minha mãe”.

Já Valentina pensou nela e nos irmãos ao dizer que o que queria. “Oi, meu nome é Maysa Valentina. Eu gostaria de ganhar um biscoito de presente porque minha mamãe e meu papai não pode ‘compra’ muito e às vezes quero comer mais não tem… Obrigado…”, disse na carta.

A caçula da família ganhou caixas recheadas com os biscoitos que ela gostaria de ter em casa. “Mamãe não podia comprar, por isso pedi biscoito. Achei bom, fiquei feliz (quando ganhei)”, explicou Valentina.

O irmão do meio das meninas colocou o sonho de criança como desejo para o Natal. Anthony Miguel da Silva Nascimento, de 4 anos, pediu um boneco do herói favorito, o Hulk, que é quem ele disse que quer ser quando crescer. O pedido do garoto ainda não foi atendido.

Os pedidos surpreenderam a família das crianças.

“Elas pedem e a gente não tem para dar. Ficamos muito tocados porque elas podiam ter pedido brinquedos. Eu questionei porque ela quis pedir o biscoito e ela disse ‘eu quero, mamãe e a senhora não pode dar’. Isso machuca”, justificou Maiara Cristina Nunes Silva, de 24 anos, mãe das meninas.

Maiara já trabalhou como auxiliar de cozinha e empregada doméstica, mas está desempregada há quatro meses. Atualmente, ela faz trabalhos temporários como manicure.

Já o companheiro dela, Antônio Carlos Silva Nascimento, de 23 anos, trabalhava como ajudante de eletricista. Ele está desempregado há cerca de um ano.

Família das garotas mora em casa com dois cômodos

Valentina e Eloiza moram em uma casa que tem dois cômodos. O banheiro e um espaço maior que é utilizado como quarto coletivo. O imóvel foi construído no quintal da avó paterna de Valentina e de Miguel.

No local, os pais das crianças colocam um colchão, onde dormem o pai, a mãe, Valetina e Miguel. Eloisa passa as noites na casa de uma tia da mãe dela. Maiara confessou que tem dificuldades para expressar a gratidão que sente a quem deixou o Natal um pouco mais confortável.

“Eles não atenderam os pedidos de duas crianças, mas de uma família”, afirmou a criança.

Cartas para campanha de Natal de projeto social

Os três irmãos participam do projeto social “Eu sou de jesus”, desenvolvido no bairro da Catingueira, na periferia da cidade. A iniciativa tem o objetivo de evangelizar crianças da região.

A idealizadora da ação, Micaelle da Silva Cavalcanti, de 25 anos, contou que criou uma caixinha de orações para que as crianças colocassem os desejos que têm e resolver criar uma edição temática para o Natal.

“Muitas crianças pedem emprego para o pai e a mãe. Mas o pedido de Valentina me chamou muita atenção e sensibilizou muitos corações”, pontuou.

A idealizadora do projeto abriu as portas da casa dela e começou o trabalho na garagem do imóvel. Com o tempo, muitos pequenos apareceram e o local ficou pequeno para as cerca de 70 crianças atendidas por ela e mais quatro voluntárias.

Micaelle, que trabalha com festas infantis, precisou deixar de trabalhar para se dedicar só à missão que acolheu. Todas as atividades praticadas com as crianças acontecem através de doações. Por causa da necessidade de um espaço maior, ela alugou um imóvel próximo à casa dela. No local, já foram realizados dois encontros. O ambiente precisa de uma reforma porque está parcialmente de deteriorado e os reparos também são feitos com doações.

Maiara acredita que o projeto mudou a rotina da família. “Valentina chega em casa e ora pela casa, pela família”, justificou. Ao G1, a menina repetiu a oração que costuma fazer.

“Papai do Céu, muito obrigada por ter dado esse presente a eu. Por papai, por mamãe, por meu irmãos, minha vovó, tia Micaelle”.

G1 PB

Fotos: Micaelle da Silva Cavalcanti/Arquivo pessoal

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