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“Queria ter chegado antes para salvar o menino”, diz jovem de 20 anos que entrou em terreno após cães atacarem criança em São Paulo

Edilson tentou salvar garoto de ataque de cães na Zona Sul de SP — Foto: Reprodução/TV Globo

“Essa noite eu nem consegui dormir porque fiquei pensando que eu poderia ter salvado o garoto”, disse Edílson de Souza Raimundo, de 20 anos.

O jovem foi a única pessoa a pular em um terreno em Americanópolis, na Zona Sul de São Paulo, para tentar resgatar Luiz Teixeira, de dez anos, que estava sendo atacado por seis cães.

O garoto foi atacado e morto pelos cachorros após entrar em um terreno abandonado, na tarde desta quarta (25), para buscar sua pipa.

“Queria ter chegado um pouco mais antes para poder entrar lá dentro antes dele pular. Queria ter chegado antes para não deixar ele entrar aí”, revela Edílson.

Edílson relata que passava em frente ao local quando ouviu gritos da vizinhança e soube do ocorrido.

Morador do bairro, ele conta que inicialmente propôs às outras pessoas que tentavam, do outro lado do muro, afugentar os animais, para entrarem juntos e retirar o menino.

Sem apoio, correu até a avenida mais próxima em busca de uma viatura policial. Acionou os PMs, voltou ao local e entrou no terreno na esperança de conseguir salvar o menino.

“Falei para o pessoal: vamos entrar comigo todo mundo? Ninguém quis entrar. Aí peguei e fui na avenida ver se achava uma viatura. Encontrei uma, chamei os policiais e voltei para cá. Nesse tempo os cachorros largaram o menino e foram lá para o fundo, foi a hora que decidi entrar para pegar ele. Aí eles voltaram. Eu tentei sair correndo, mas eles pegaram na minha perna. Foi a hora que o policial chegou e deu o tiro no cachorro”.

Ele também ficou ferido e foi socorrido no Hospital Municipal Dr Arthur Ribeiro de Sabóia. Após receber curativos, tomou vacina antitetânica e foi liberado.

O rapaz conta que esteve na delegacia com o pai e a irmã do menino. “Foi triste, ninguém esperava uma coisa dessas. Bem na noite de Natal acontece uma coisa dessa. Tentei fazer o que eu podia”, lamenta.

Antes de a polícia chegar, moradores tentaram, sem sucesso, afastar os cães com paus e pedras. Quando a polícia chegou, atirou para afastar os cães.

Durante o atendimento à criança, os cachorros tentaram atacar novamente. Os policiais atiraram. Dois animais foram sacrificados e um terceiro ficou ferido. Três ficaram acuados no canil dentro do imóvel.

Investigação

Nesta quinta (26), a polícia procura o dono do terreno para prestar depoimento. Segundo vizinhos, no local funcionava uma garagem de ônibus que foi desativada há cerca de cinco anos.

O corpo de Luiz Fernando Teixeira de Santana foi liberado pelo Instituto Médico Legal (IML) central durante a madrugada desta quinta-feira (26). O pai do garoto cobrou um posicionamento do responsável pelo local e questionou a falta de placas avisando sobre a presença dos cães.

“Não tem placa de identificação de que consta animal no terreno. (…) Um filho maravilhoso, infelizmente aconteceu essa fatalidade e estou sem meu filhinho”, disse Manoel Luiz de Santana. Por volta das 11h, o corpo do menino foi levado para o Cemitério Campo Grande.

A diretoria de divisão de Vigilância de Zoonoses da Prefeitura esteve no local na tarde desta quinta (26) para resgatar os animais.

Em nota, a Coordenadoria de Vigilância em Saúde (COVISA) afirma que os profissionais entraram no terreno com ajuda da Polícia Militar, Polícia Ambiental e a equipe do Canil da Guarda Civil Metropolitana (GCM), onde havia três corpos de animais Sem Raça Definida (SRD) abatidos pela PM e outros três cães com vida (1 rottweiller e 2 SRD). Os animais foram removidos pela equipe da DVZ.

Um dos animais estava com ferimento em membro pélvico direito e foi encaminhado para o Hospital Veterinário Público para nova avaliação e realização de exames. Os outros dois animais (um SRD e um rottweiller) foram avaliados pela equipe técnica da DVZ e estão estáveis.

A DVZ fica responsável pelo atendimento à saúde dos cães e poderá autuar o proprietário, responsável legal pelo terreno e pelos animais, por maus-tratos. A equipe da DVZ está tentando contatar o dono do terreno e vai acionar a Delegacia de Proteção Animal (DEPA).

A equipe realizou uma nova vistoria no local, mas o proprietário não foi localizado.

G1 SP

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