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Paraibana supera dificuldades da paralisia cerebral com a pintura

Paraibana supera paralisia cerebral através da pintura: “Pinto com carinho, com amor” — Foto: Iara Alves/G1

“Gosto de pintar paisagens. Eu me sinto dentro da pintura”. É assim que Germana Costa, de 52 anos, dá asas à imaginação e vive em um universo que é só dela. Diagnosticada com paralisia cerebral na infância, em Campina Grande, no Agreste da Paraíba, ela desenvolveu aptidões artísticas na juventude e transformou o próprio cotidiano através da arte.

As telas pintadas por Germana mostram lugares e situações em que ela já esteve ou gostaria de estar. Com o pincel na mão, ela esquece do mundo real e dá cor a uma vida mais bonita. “Eu gosto de pintar coisas de natureza. Quando pinto, vou esquecendo das coisas. O tempo passa e eu nem vejo”, explicou.

Mas nem sempre ela teve afinidade com a pintura. O receio impediu que ela vivesse essa paixão por algum tempo. “Eu tinha medo de pegar no pincel e na tinta para não borrar”, contou.

Germana transformou o medo de errar em traços firmes. O amor pela atividade era tanto, que as telas que deviam ficar prontas em um mês, eram concluídas em uma semana. Em 30 anos de pintura, ela deu vida a pelo menos 30 quadros, que estão por todo o Brasil e até em países como França e Estados Unidos.

A artista não gosta de rotina. Por isso, não repete as telas e alterna a pintura com o talento que possui com as artes plásticas. O principal ingrediente para o sucesso das peças produzidas por ela é o afeto que ela coloca no que faz. “Gosto de fazer tudo e pinto com carinho, com amor”, declarou.

Germana em evento realizado na APAE, em Campina Grande — Foto: APAE/Divulgação

‘Lutei muito para ela chegar onde está’, diz a mãe da artista

A mãe de Germana é presidente da Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais de Campina Grande (APAE-CG), onde a filha desenvolve a maior parte das atividades há 26 anos. Maria Conceição Costa é membro do local há cerca de 37 anos, quando a instituição foi fundada.

As palavras não são suficientes para expressar como ela se sente ao testemunhar o desenvolvimento da filha. A emoção transpareceu no rosto de quem enfrentou uma vida de obstáculos dia após dia.

“Eu me sinto muito feliz. Lutei muito para ela chegar onde está. Não tinha tratamento especializado aqui quando ela nasceu e os médicos nem souberam dizer o que ela tinha. Mas eu ajudei minha mãe a criar meus irmãos e via que minha filha tinha algo de diferente. Quando eu descobri que era paralisia cerebral ela tinha 10 anos de idade”, lembrou.

Orgulho é a palavra que define parte do misto de sentimentos que ela viveu ao longo dos 52 anos de vida de Germana. “Aqui [na APAE] ela faz de tudo um pouco. Dança, pinta, é artista plástica e é também atleta. Ela dança um bolero para ninguém colocar defeito. Participou até de um festival de dança”, contou.

Germana coleciona medalhas de ouro e prata, que conquistou competindo nas Olimpíadas Especiais das Apaes, disputando nas modalidades de caminhada e arremesso de pelota. “O fato de vê-la feliz e realizada não tem preço. Aqui ela se encontra”, declarou.

Germana durante festa junina realizada na APAE, em Campina Grande — Foto: APAE/Divulgação

Germana quer terminar o ensino médio e se graduar em arte

Germana parou de estudar na 1ª série do ensino médio. A mãe dela compartilhou as experiências negativas que a filha teve na escola. Ela sofreu bullying e desenvolveu síndrome do pânico por causa disso.

Os sonhos dela apenas adormeceram, mas acordaram com sede de vitória. Germana disse que pretende concluir o ensino médio e cursar graduação em arte. Atualmente, nenhuma universidade de Campina Grande oferece o curso, mas ela é paciente e não se importa em esperar.

APAE de Campina Grande sobrevive de doações

As despesas mensais da APAE de Campina Grande somam cerca de R$ 100 mil. A instituição sobrevive de doações da comunidade para atender gratuitamente, pelo menos, 400 usuários.

No local, são oferecidos atendimentos clínicos e educacionais. Na parte clínica há as especialidades de fonoaudiologia, psicologia e fisioterapia. Já a escola, oferece a conclusão do ensino fundamental.

Conceição explicou que a associação funciona como uma grande família e que ninguém consegue se afastar de lá. “Nas férias, eles [usuários] separam a farda no cantinho para virem para a APAE”, finalizou.

G1 PB

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