Início Gerais Sobe para 32 o número de lotes de cervejas da Backer contaminados,...

Sobe para 32 o número de lotes de cervejas da Backer contaminados, diz Ministério da Agricultura

Capitão Senra está entre os oito rótulos contaminados com dietilenoglicol. No total, segundo Ministério, são 21 lotes de cervejas da Backer contaminados — Foto: Danilo Girundi/TV Globo

O Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento (Mapa) afirmou neste sábado (18) que detectou mais 11 lotes de cervejas da Backer contaminados com a substância tóxica dietilenoglicol. Segundo o ministério, agora são 32 lotes identificados com a substância.

Dos 32 lotes, 23 são da cerveja Belorizontina, e os outros nove, de rótulos diferentes (veja lista abaixo). As duas novas marcas que foram identificadas contaminações são a Corleone e a Backer Trigo. As análises são realizadas pelos Laboratórios Federais de Defesa Agropecuária.

  • Backer D2
  • Backer Pilsen
  • Backer Trigo
  • Brown
  • Capitão Senra
  • Capixaba
  • Corleone
  • Fargo 46
  • Pele Vermelha

A empresa disse que já está fazendo o recall determinado pelas autoridades.

Ministério da Agricultura identifica contaminação em 32 lotes de 10 rótulos da Backer — Foto: Reprodução/Ministério da Agricultura

O Mapa disse ainda que analisa se mais duas bebida produzidas pela Backer, uísque e gim, estão contaminados com as substância tóxicas dietilenoglicol e monoetilenoglicol. Caso seja encontrada alguma irregularidade, essas bebidas também podem ser recolhidos, segundo o Mapa.

A Backer diz que a água usada na produção do gim Lebbos e do uísque Três Lobos não é a mesma do processo cervejeiro. Segundo a empresa, o acréscimo da água no gim é realizado fora da fábrica, por um fornecedor.

Quanto ao uísque, disponível hoje no mercado, a Backer disse que ele foi engarrafado em julho de 2018, com entrada no barril cinco anos antes.

Monoetilenoglicol e o dietilenoglicol são substâncias parecidas, resultantes de um mesmo processo químico e bastante usados na indústria como anticongelantes. Sua temperatura de ebulição é acima de 190ºC e a de fusão, abaixo de -10ºC.

Eles são usados como arrefecedores de radiadores de carros e também em fluidos hidráulicos e solventes de tintas.

São substâncias de cor clara, viscosa, que não têm cheiro e que têm um gosto adocicado. Embora ambas sejam tóxicas para os seres humanos, o dietilenoglicol é ainda mais nocivo para a saúde humana.

Lotes contaminados

Backer D2 L1 2007

Backer Pilsen L1 1549 / L1 1565

Backer Trigo – L1 1598

Belorizontina L2 1197 / L2 1348 / L2 1354 / L2 1455 / L2 1464 / L2 1474/ L2 1487 / L2 1546 / L2 1557 / L2 1593 / L2 1604 / L882/ L2 1467/ L2 1521/ L2 1534/ L2 1574 / L2 1552 / L2 1593 / L2 1546

Brown 1316

Capitão Senra L2 1571 / L2 1609

Capixaba L2 1348

Corleone 1121

Fargo 46 L1 4000

Pele Vermelha L1 1345 / L1 1448 / 1284

Resumo:
Uma força-tarefa da polícia investiga 19 notificações de pessoas contaminadas após consumir cerveja; quatro morreram;
Os sintomas da intoxicação incluem náusea, vômito e dor abdominal, que evoluem para insuficiência renal e alterações neurológicas;
O Ministério da Agricultura identificou 32 lotes de cerveja da Backer contaminados com dietileglicol, um anticongelante tóxico;
A Backer nega usar o dietilenoglicol na fabricação da cerveja;
A cervejaria foi interditada, precisou fazer recall e interromper as vendas de todos os lotes produzidos desde agosto;
A diretora da cervejaria disse que não sabe o que está acontecendo e pediu que clientes não consumam a cerveja;
O governo de MG criou portal para informar sobre intoxicação;
À Justiça, a Backer apresentou um vídeo com suposto indício de sabotagem.
A interdição será mantida até que a Backer comprove a ausência de dietilenoglicol e monoetilenoglicol nas suas cervejas. A ação de fiscalização da venda e recolhimento dos produtos no comércio é de responsabilidade da vigilância sanitária de cada cidade.

Até agora são 19 casos notificados de intoxicação por dietilenoglicol em Minas Gerais. Quatro pessoas morreram. A Polícia Civil investiga se a contaminação ocorreu após o consumo da cerveja Belorizontina, da Backer. De acordo com o governo de Minas, 15 pessoas estão internadas em estado grave. Das 4 mortes, uma já foi confirmada como intoxicação por dietilenoglicol. As outras 3 ainda são investigadas.

Desde o início das investigações a Backer afirma que usa o monoetilenoglicol como anticongelante, mas nega o uso do dietilenoglicol, substancia mais tóxica.

A polícia informou por meio de nota que o inquérito aberto para investigar a contaminação e a possibilidade de crime segue sob sigilo, mas que tem mais uma peça que será analisada. Trata-se de um vídeo enviado pela Backer que supostamente mostraria a adulteração do monoetilenoglicol comprado pela cervejaria.

“Seria prematuro dar alguma informação com relação ao vídeo nesse momento. As autoridades competentes estão buscando as informações necessárias para apuração da verdade a empresa é a maior interessada em esclarecer o que aconteceu” afirmou o advogado da Backer, Estêvão Nejm.

O material recolhido na distribuidora Imperquímica, em Contagem, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, que vendeu o monoetilenoglicol, também está sendo analisado, segundo a polícia. A distribuidora foi interditada pela vigilância por não ter alvará sanitário nem autorização para fracionar monoetilenoglicol.

“A gente não sabia, tinha imaginado que fracionamento necessitava de alvará, por isso que a vigilância sanitária diz que precisa regularizar na segunda feira para fracionar os produtos”, afirmou o advogado da Imperquímica Mario Saveri.

G1 MG

Print Friendly, PDF & Email
Deixe seu comentário!