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Coronavírus: Governo de SP isenta comunidades de pagar conta de água durante três meses

Comunidade de Heliópolis, na Zona Sul de São Paulo — Foto: Marcelo Brandt/G1

O governo do estado de São Paulo isentou os moradores de comunidades de pagar as contas de água dos meses de abril, maio e junho. A determinação foi publicada nesta sexta-feira (3) no Diário Oficial.

De acordo com a publicação, está “isento o pagamento de contas/faturas de água e esgoto vincendas de abril, maio e junho de 2020 relativas a usuários enquadrados na categoria residencial social e residencial favela”.

Na quinta-feira (19), o governo já tinha anunciado a suspensão da cobrança da tarifa social de água da Sabesp para 506 mil famílias que pagam tarifa social. A tarifa não será cobrada a partir de 1º de abril e vale por 90 dias para todo o estado.

A Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo registrou nesta sexta-feira (3) 219 mortes relacionadas ao novo coronavírus. O número é três vezes maior que o da última sexta (68 mortes). Os casos confirmados também quadruplicaram, saltando de 1.223 para 4.048.

A quarentena decretada pelo governador João Doria (PSDB) entrou em vigor no dia 24 de março e vale até terça-feira (7). A medida obriga o fechamento do comércio e mantém apenas os serviços essenciais, como nas áreas de saúde e segurança.

Renda em risco

A necessidade de isolamento e de quarentena em razão do novo coronavírus ameaça a renda da maioria dos moradores das favelas brasileiras, aponta uma pesquisa divulgada nesta terça-feira (24): 72% dos entrevistados dizem não ter conseguir manter o padrão de renda por ausência de reservas.

Questionados a respeito, 75% dos moradores se disseram muito preocupados com a renda em consequência do coronavírus –70% afirmam que tiveram em alguma medida a renda impactada. Para 86%, vai faltar dinheiro para comprar itens básicos, como comida.

Projeto para favelas

O Ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, afirmou durante a coletiva de imprensa desta sexta-feira (3) que o coronavírus ainda não chegou nas pessoas pobres do país e que é importante que a população continue seguindo as recomendações das autoridades de saúde, para o sistema ter tempo de se preparar.

“Peço que as comunidades segurem, não deixem entrar em espiral antes de o sistema estar mais preparado para atender. Já que começou pelas classes a e b, passou um pouquinho pela classe média, mas não entrou nos bairros operários” – Luiz Henrique Mandetta, Ministro da Saúde.

Mandetta disse que o Ministério está construindo um plano de manejo para as favelas e comunidades. “Estamos trabalhando com muita preocupação. Ainda estamos estudando um trabalho de manejo com favelas e comunidades. É um quebra-cabeça difícil. Esperamos até o fim de semana terminar esse que deve ser um projeto de maior complexidade. E, por enquanto, a gente pede as comunidades para continuarem com o comportamento que estão.”

Falta de água

Moradores da Favela 1010, comunidade localizada no Rio Pequeno, Zona Oeste da cidade São Paulo, enfrentam falta de água e saneamento básico ao se prevenirem do coronavírus.

A recomendação da Organização Mundial da Saúde (OMS) é de que as pessoas reforcem a higiene pessoal e lavem frequentemente as mãos com água e sabão. Porém, os habitantes da região convivem com esgoto a céu aberto e interrupção no fornecimento de água em suas rotinas.

A comunidade enfrenta ainda outra grande dificuldade no combate ao coronavírus – a falta de espaço nas moradias. Adelisa dos Santos faz hemodiálise e pertence ao grupo de risco, mas afirma que a realização do distanciamento social é inviável em sua realidade, já que um total de nove pessoas moram nos quatro cômodos da casa dela.

Em uma tentativa de minimizar os problemas e conseguir enfrentar a pandemia do coronavírus, moradores da comunidade estão recorrendo a empresários e parceiros para ter acesso a cestas básicas e produtos de higiene. Porém, o número de famílias assistidas pelas doações ainda é muito pequeno.

Em nota, a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) anunciou que irá enviar uma equipe à região para verificar a questão do esgoto. A empresa disse ainda que verifica todos os casos de falta de água que são notificados para que a distribuição seja normalizada.

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