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‘É outro mundo, mas não posso perder a minha alegria’, diz enfermeira que se recuperou da Covid-19, após 35 dias na UTI

Deila rodeada de amigos na internação por Covid-19 — Foto: Reprodução/TV Globo

“Você tem que ter força para lutar para o que vier a partir de agora. É outro mundo, mas eu não posso perder a minha alegria”. As declarações são da enfermeira Deila Beatriz Amorim, de 53 anos, que se recuperou da Covid-19, doença causada pelo novo coronavírus, após passar 35 dias na Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Veja vídeo.

A enfermeira, acostumada a cuidar de pacientes graves, se viu como paciente após ser infectada pelo vírus. Ainda no hospital, a cada dia ela vence uma nova etapa para poder ir para casa.

Deila trabalhava no Hospital da Restauração (HR), no bairro do Derby, e no Pronto Socorro Cardiológico de Pernambuco (Procape), ambos no Recife. Ao saber que precisaria ser entubada, pediu para ficar no Procape. Ela queria ser assistida pelos amigos.

“Toda equipe ficou ciente desse desejo dela e foi tudo organizado. A gente não estava indo só resgatar um paciente, a gente estava indo resgatar uma colega de trabalho, uma amiga querida e uma profissional exemplar, que estava precisando de ajuda. Foi um resgate de amor, de acolhimento”, contou a enfermeira Caroline Plácido.

O carinho da amiga Caroline marcou Deila, que não esqueceu o que ouviu. “Ela levantou o cabelo, olhou para mim bem forte e disse: ‘Deila, é Carol, eu vim lhe buscar. Você vai sair dessa e você vai voltar para casa. Eu lhe amo muito’”, relatou.

Foram vários dias de muita luta na UTI, sempre cercada por anjos da guarda que ela conhecia bem e que se esforçavam para fazer o melhor por quem já cuidou de tanta gente ao longo de 24 anos de profissão.

“É uma coisa emocionante. Mesmo você estando na UTI, mesmo você sedada, as pessoas têm o carinho de chegar perto de você e falar que as pessoas lá fora estão preocupadas com você”, contou Deila.

Os amigos cuidaram de tudo enquanto a Deila se recuperava, até dos animais de estimação. São dez cachorros, que ela mal espera para poder ver. ”Eu acredito que, quando eu chegar em casa, vão perder o rabo, abanando”.

Ainda fazendo exercícios de reabilitação, a paciente relata que o mais difícil da Covid-19 é a solidão. “O ruim dessa doença é que ela separa as pessoas. Você doente não pode ter ninguém da sua família com você. Na sua casa, você se isola com medo…. Então, é uma doença muito triste”, afirmou.

No momento, voltar ao trabalho é o que Deila mais quer, mas ela manda um recado de quem viu de perto o perigo da Covid-19. “Não brinque, a doença é verdade, fique em casa, obedeça a essas orientações e diminua essa mortalidade”.

G1 PE

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