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Nego Ró e as revistas em quadrinhos, em Patos

Faleceu na última segunda-feira (10), no Complexo Hospitalar Regional de Patos, Roberto Meira César, 66 anos, que residia no centro de Patos e que tinha sido submetido a uma cirurgia de apendicectomia há cerca de 10 dias, tendo posteriormente surgido algumas complicações e que ele não conseguiu superar.

Roberto Meira Cesar, carinhosamente chamado de Nêgo Ró era filho do casal José César Cavalcanti e Maria Rita Meira César e sempre foi muito ligado ao cinema e as revistas em quadrinho. Inicialmente, com o irmão Gil utilizavam um tabuleiro pendurado no pescoço recheados de balas e confeitos, que eram comercializados com os frequentadores do Cine Eldorado, da Pedro Firmino. E foi lá que ele começou também a realizar a troca de gibis e revistinhas com os colegas colecionadores.

Quanto à Banca de Revista, Nêgo Ró a implantou em 1971, inicialmente ao lado do Cinema São Francisco, na Rua Pedro Caetano, no centro da cidade. Posteriormente foi transferida para a frente do cinema, ao lado da Igreja da Conceição, onde ela ficou mais tempo. Nos últimos anos, antes de fechar, fato que ocorreu no começo dos anos 2000, após 30 anos de funcionamento, Nêgo Ró com a permissão de Almir, gerente do São Francisco, passou a funcionar com a banca encostada na parede esquerda da entrada do “Gigantão do Prado”, cinema que depois veio a encerrar suas atividades. A famosa barraca de Nêgo Ró se encontra atualmente em frente à Praça Getúlio Vargas, na calçada da casa da família, onde se comercializa produtos alimentícios.

Nêgo Ró sempre argumentava que durante suas caminhadas diárias era parado pelos saudosistas que frequentaram o seu comercio de compra e venda de gibis e revistas. E, acrescentava: “Foram muitos anos ali estabelecidos, fiz muitas amizades e até hoje as pessoas não esquecem. Quem foi adolescente nos anos 70, 80 e 90, frequentavam a nossa banca e todos lembram com bastante saudosismo“, disse ele.

Em depoimento, o desenhista Alex Souto, que atualmente realiza com amigos um evento anual de quadrinhos e que era assíduo frequentador da Barraca de Nêgo Ró assim se manifestou na “Folha Patoense”: “Eu ia lá quase todos os dias, era fascinado por quadrinhos e era na Banca do Roberto que a gente encontrava os quadrinhos dos heróis que a gente admirava“.

Roberto Meira Cesar (Nêgo Ró)

O funcionário público municipal Wandeilton Medeiros também usou a “Folha Patoense”” para emitir seu parecer sobre o fechamento da Banca de Nêgo Ró e a importância que ela tinha para os usuários das revistas em quadrinhos: “Eu era frequentador assíduo dessa banca. Comprava e também trocava gibis e revistas como: Almanaque Disney, Turma da Mônica, Tex e Zagor, Super-homem, Homem-aranha, os heróis da Marvel e da DC Comics, entre outros. Assim como revistas (Super interessante, Galileu, VIP, entre outras). Fiquei triste quando ela fechou. Patos devia ter um sebo, pois acredito que ainda tem muitos apaixonados por revistas em quadrinhos e revistas de variedades que gostariam de comprar e trocar revistas e HQs usados, como antigamente”.

Nêgo Ró era solteiro e não deixou filho. Inclusive, tinha sido aprovado no último concurso público realizado pela Prefeitura de Patos e aguardava ser chamado.

Após sua morte, Roberto Meira César foi velado na Central de Velórios São Miguel, na Rua Horácio Nóbrega, no Belo Horizonte e sepultamento no mesmo dia, no Cemitério São Miguel, em Patos.

Historiador José Romildo 

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