Início Política PL confirma cancelamento de evento de filiação de Bolsonaro no dia 22

PL confirma cancelamento de evento de filiação de Bolsonaro no dia 22

Presidente da República Jair Bolsonaro (Imagem: Isac Nóbrega/PR)
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O PL confirmou o cancelamento do evento de filiação do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) ao partido previsto para 22 de novembro. A informação foi divulgada hoje, em nota, pelo presidente do PL, Valdemar Costa Neto, aos correligionários.

A possibilidade de filiação de Bolsonaro ao PL não está descartada, mas não há mais previsão de data para que isso ocorra.

No texto, Costa Neto diz que a decisão do adiamento da filiação foi tomada “de comum acordo” e “após intensa troca de mensagens na madrugada” com o presidente da República.

Mais cedo, Bolsonaro afirmou ainda ter “muita coisa a conversar” com Valdemar Costa Neto e que a data de filiação dele ao partido poderia ser adiada.

“Quer saber a data da criança se eu nem casei ainda? Que data vai nascer a criança. Tem muita coisa a conversar com o Valdemar”, disse, ao ser questionado sobre a filiação ao PL, durante feira de aviação em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, segundo o g1.

“Eu acho difícil essa data de 22. Tenho conversado com ele, e estamos em comum acordo que podemos atrasar um pouco esse casamento para que ele não comece sendo muito igual os outros. Não queremos isso”, completou o presidente.

Bolsonaro disse que algumas das questões pendentes com Valdemar Costa Neto para concretizar a filiação são sobre a pauta conservadora —uma das principais bandeiras do presidente— e relações exteriores, de acordo com o g1.

“Temos muitas coisas a acertar ainda. Por exemplo, o discurso meu e do Valdemar nas questões das pautas conservadoras, nas questões de interesse nacional, na política de relações exteriores. A questão de defesa, os ministros, o padrão de ministros a continuar. Casamento tem que ser perfeito.”

Bolsonaro ainda disse que não aceitará que o PL de São Paulo apoie alguém do PSDB —que conta com um dos maiores rivais políticos do presidente: o governador de São Paulo, João Doria, que busca se viabilizar como candidato ao Planalto.

O mandatário cogita lançar o atual ministro da Infraestrutura, Tarcísio de Freitas, como candidato a governador de São Paulo no ano que vem. No entanto, o PL tem mantido conversas para apoiar Rodrigo Garcia (PSDB) ao governo estadual.

O presidente, comitiva de ministros e a primeira-dama Michelle Bolsonaro, entre outros, estão em viagem de uma semana pelo Oriente Médio. O grupo chegou ontem a Dubai e deve passar também por Abu Dhabi, Manama (Bahrein) e Doha (Catar).

Sem partido após brigas

Bolsonaro está sem partido desde o final de 2019, quando deixou o PSL, partido pelo qual se elegeu à Presidência da República em 2018, após brigas pelo comando da sigla com o grupo do deputado federal Luciano Bivar (PSL-PE).

Desde então, o presidente tentava negociar com partidos de centro-direita, como Republicanos, Patriota e PP (Progressistas). Ele também tentou criar uma nova legenda, a Aliança pelo Brasil, que está longe de deslanchar por falta de apoio formal.

Antes crítico ao centrão e insatisfações

O PL é um dos principais símbolos do centrão, grupo informal de partidos sem linhas ideológicas bem definidas e que costumam apoiar o governo que estiver no poder em troca de espaços e recursos na administração pública federal.

Bolsonaro e seus principais aliados —incluindo o ministro do GSI (Gabinete de Segurança Institucional), general Augusto Heleno— costumavam criticar o centrão na campanha eleitoral e no início do governo.

Contudo, o presidente intensificou a aproximação com o centrão em abril do ano passado para formar uma base aliada mais consistente no Congresso — com o objetivo de segurar pedidos de impeachment e aprovar matérias de interesse do governo — em troca de emendas e cargos a indicados por esses partidos.

Se por um lado a chegada de Bolsonaro ao PL é festejada pela cúpula do partido, do outro, um grupo de deputados federais eleitos pela sigla demonstra insatisfação. Um deles é o primeiro vice-presidente da Câmara dos Deputados, Marcelo Ramos (AM), que já manifestou publicamente o seu descontentamento.

Na visão de Ramos, dividir espaço na legenda com o atual chefe do Executivo federal é um fato “absolutamente incômodo”, segundo declarações dadas à imprensa antes do anúncio de filiação.

Bolsonaro deve chegar ao PL com privilégios prometidos a ele por Valdemar Costa Neto, em especial no que diz respeito a indicações para candidaturas nas eleições do ano que vem —o que incomoda parlamentares federais das bancadas do Norte e do Nordeste.

A previsão é que ao menos um dos filhos de Bolsonaro, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (SP), se filie ao PL. Atualmente, os três filhos políticos do presidente estão em partidos distintos: Carlos é vereador no Rio de Janeiro pelo Republicanos; Flávio é senador pelo Patriota; e Eduardo é deputado pelo PSL.

Opositores atribuíram a aliança de Bolsonaro com o PL a uma suposta dificuldade do presidente em encontrar uma sigla para participar do pleito presidencial no ano que vem.

Valdemar Costa Neto

Ex-deputado condenado no escândalo do mensalão, o líder do PL foi criticado mais de uma vez pelo próprio Bolsonaro e por seus filhos no passado. Em 2018, quando negociava quem seria seu vice, criticou o liberal. “O Valdemar Costa Neto já foi condenado no Mensalão, está citado, citado não, está bastante avançada a citação dele no tocante à Lava Jato.”

Além da condenação a 7 anos e 10 meses no escândalo do Mensalão (por corrupção passiva e lavagem de dinheiro), Costa Neto foi citado na Operação Porto Seguro, em 2013, que investigou esquema de fraudes em pareceres técnicos, e na Lava Jato, por suspeita de receber R$ 500 mil para manter esquema da construtora UTC com o Ministério dos Transportes.

Na segunda-feira, Carlos Bolsonaro apagou um post em seu perfil no Twitter de 2016. Na publicação, o vereador compartilhava reportagem sobre pagamentos de propinas a Costa Neto e ao Partido da República (antigo nome do PL).

Partido Liberal

O atual PL é fruto da fusão do antigo PL com o Prona (Partido de Reedificação da Ordem Nacional).

Com a junção dos partidos, sua direção alterou o nome da legenda para PR (Partido da República), em 2006. A volta para PL foi possível em 2019, quando o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) permitiu a mudança.

Atualmente, o PL é o partido com a terceira maior bancada na Câmara dos Deputados (atrás do PSL e do PT), com 43 deputados federais. A expectativa de líderes do partido é que ele forme, após as eleições do ano que vem, a maior bancada na Casa.

UOL

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