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Festival Cultural das comunidades quilombolas começa no domingo, em Santa Luzia

Às 8h deste domingo (27), começa o II Festival da Cultura Quilombola, em Santa Luzia, na Região Metropolitana de Patos. O forrozeiro Valcir do Acordeon abrirá a lista de 27 atrações no palco do Quilombo, por onde passarão espetáculos de dança, pontões, embolada, grupos de forró e reisado. O local será a Comunidade Quilombo do Talhado, onde a estrutura com palco, pavilhão e tendas está montada.

O evento integra o calendário da Secretaria de Estado da Cultura, que executa a política do Governo da Paraíba voltada à divulgação, reconhecimento e fortalecimento das comunidades tradicionais, povos originários e outras etnias.

O que é – A primeira edição foi realizada pelo Governo da Paraíba em 2019, no Quilombo Caiana dos Crioulos, em Alagoa Grande, e, em 2020 e 2021, não houve continuidade por causa do quadro sanitário vivido no país, que exigiu isolamento social e proibiu aglomerações.

Em 2022, a Secult-PB retomou seu calendário de eventos, realizando o II Festival de Cultura Cigana, em Sousa, e o I Festival da Cultura Indígena, em Rio Tinto.

Os Festivais têm o objetivo de reafirmar a cultura desses povos e comunidades, dando visibilidade à sua arte, culinária, costumes, religiões e cultura em geral. Tais eventos abrem espaço à diversidade e preservam culturas.

Conteúdo e estrutura – A segunda edição do Festival Quilombola terá a participação de integrantes de 33 dos 48 quilombos existentes e já reconhecidos na Paraíba. Segundo a Fundação Palmares, há cerca de 3.500 comunidades quilombolas no Brasil.

Haverá uma programação, envolvendo grupos de forró (a principal força artística do Talhado), dança, reisado, pontões e emboladores. Ao menos 30 atrações estão sendo esperadas no palco do Festival, que será coberto por um grande pavilhão, onde o público poderá ver os shows e dançar “no poeirão”, como diria o Rei Luiz Gonzaga, no centro do Quilombo.

Tendas vão expor e vender as louças (panelas, jarras, vasos, tigelas) feitas em barro pelas artistas quilombolas. As louças do Talhado são o principal símbolo dessa comunidade negra. Há em Santa Luzia a Associação das Louceiras Negras da Serra do Talhado, com sede própria, onde são fabricadas as peças.

Chamamento – Na noite deste sábado (26), véspera do Festival, haverá um evento de chamamento no Parque do Forró, praça central de Santa Luzia, quer servirá para dar conhecimento e atrair o público para a festa do dia seguinte no Quilombo do Talhado, quando a programação se estenderá pelo dia.

Na Praça Alcindo Leite, a programação começa às 20h e inclui apresentações de dança, grupo de forró e exibição de filmes:

1 – Filme ‘Aruanda’

2 – Filme ‘Céu’

3 – Grupo de dança Marias Bonitas e Cia

4 – Neguinho Show (música)

ARUANDA

Direção Linduarte Noronha

Produção: Linduarte Noronha e Ruker Vieira

Gênero: Documentário

Documentário de curta-metragem brasileiro de 1960, dirigido por Linduarte Noronha. Misturando elementos da ficção, o filme é considerado a obra-prima do cineasta radicado na Paraíba e um dos precursores do movimento “Cinema Novo”.

Sinopse – O filme conta a história dos remanescentes de um quilombo em Serra do Talhado, mostrando o cotidiano dos moradores, jornadas de plantio e feitos de cerâmica “primitiva”. A partir de mesclas com elemento ficcional (o filme se inicia com os habitantes do quilombo representando os antepassados), o curta-metragem aborda uma realidade retratada com pouca ou nenhuma frequência na época em que foi feito no interior do Brasil até então.

CÉU

Direção: Valtyennya Pires

Produção: Veruza Guedes

Projeto produzido com recursos do Edital PARRÁ, da Lei Aldir Blanc na Paraíba, no ano de 2022.

Sinopse – Maria do Céu foi uma mulher negra e quilombola, da Comunidade Quilombola Serra do Talhado, líder das louceiras e ativista pelos direitos das mulheres negras.

Trazer à tona esse tema através de um documentário audiovisual se constitui como uma iniciativa importante para fomentar a discussão sobre a morte de mulheres negras, líderes, cuja história não pode – nem vai – ser apagada.

Quilombos e cidades de origem

 

CIDADES

QUILOMBOS

1 Santa Luzia (SEDE) Quilombo Talhado (SEDE)
2 BOA VISTA Quilombo Santa Rosa
3 SERRA BRANCA Quilombo Sitio Cantinho

Quilombo Lagoa de Baixo

4 CAMALAÚ Quilombo Roça Velha
5 SÃO JOÃO DO TIGRE Quilombo Cacimba Nova
6 LIVRAMENTO Quilombo Sussuarana

Quilombo Areia de Verão

Quilombo Vila Teimosa

7 CACIMBAS Quilombo Serra Feia

Quilombo Aracati

8 VÁRZEA Quilombo Pitombeira
9 SÃO BENTO Quilombo Contendas

Quilombo Terra Nova

10 CATOLÉ DO ROCHA Quilombo São Pedro dos Migueis

Quilombo Lagoa de Raza

Quilombo Curralinho/Jatobá, Pau de Leite

11 POMBAL Quilombo os Rufinos

Quilombo os Danieis

Quilombo os Barbosas

12 CAJAZEIRINHAS Quilombo Umburaninha

Quilombo Vinhas

13 COREMAS Quilombo Barreiras

Quilombo Mãe D’Agua

Quilombo Santa Tereza

14 TRIUNFO Quilombo do 40
15 MANAÍRA Quilombo Fonseca
16 PRINCESA ISABEL Quilombo Livramento
17 DIAMANTE Barra de Oitis
18 PICUÍ Quilombo Serra do Abreu
19 TAVARES Quilombo Domingo Ferreira

Quilombo Vaca Morta

20 CACHOEIRA DOS ÍNDIOS Quilombo Cipó

Realização e apoios – Com seu calendário de Festivais Culturais de povos originários e outras etnias, a Secult-PB põe em prática políticas do Governo da Paraíba que focam na diversidade de povos e comunidades tradicionais, de culturas e costumes, reconhece esses povos e os coloca na pauta governamental.

O Festival dos Quilombolas é realizado pelo Governo da Paraíba, através da Secult-PB, com parceria da Prefeitura Municipal de Santa Luzia e apoio da Secretaria de Estado da Mulher e Diversidade Humana.

História do Quilombo do Talhado – Esse esconderijo de escravos fugitivos começou com o negro José Bento Carneiro (Zé Bento), que fugiu de fazenda no Piauí. Ele e a esposa Maria Cecília da Purificação (Mãe Cizia) foram os primeiros moradores do quilombo, hoje chamado Quilombo da Serra do Talhado.

A comunidade quilombola surgiu no século XIX, por volta do ano 1890.

“A maioria da comunidade é formada por parentes. Eles costumam casar entre si e mantêm uma forte vida comunitária. Muitas casas foram construídas ao redor do galpão das ‘loiceiras’ (denominação para as mulheres artesãs que produzem louças de barro), onde são produzidas as peças que garantem a sobrevivência de boa parte das famílias”, explicou a antropóloga Maria Ester Fortes, em depoimento ao site Paraíba Criativa.

As louceiras são as precursoras das atividades que passaram a gerar renda para sustento das famílias nos quilombos. Ao longo dos anos, o Talhado também revelou talentos artísticos em outras áreas, notadamente na música, sendo de lá muitos forrozeiros de destaque na Paraíba e no país.

O quilombo se localiza na área rural de Santa Luzia, numa distância de 18 km, a partir da BR-230, entrando na estrada vicinal que leva à Serra de Santa Luzia.

SECOM-PB

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