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Festival com 12 horas de música e folguedos no Quilombo do Talhado, em Santa Luzia, repercute o meio cultural

Um mais um festival cultural com destaque para comunidades tradicionais, a Paraíba mostrou que tem, em suas políticas públicas, o foco no reconhecimento, preservação e visibilidade dessas culturas. O II Festival da Cultura Quilombola, realizado no último domingo (27) pelo Governo do Estado, no Quilombo da Serra do Talhado, em Santa Luzia, na Região Metropolitana de Patos, reuniu quilombos do Médio Sertão.

Foram mais de 12 horas de apresentações artísticas e de folguedos populares, em várias expressões, desde o forró de raiz, ao reisado, passando por pontões, capoeira, ciranda e breves encenações teatrais dentro dessas apresentações.

Planejamento e execução – O Festival foi executado pela Secretaria de Estado da Cultura (Secult-PB), com a participação dos próprios quilombolas do Talhado e com as representantes dos demais quilombos convidados.

“Tudo foi de uma grandiosidade incontestável. Reunimos os quilombolas e sua enorme carga cultural, estudiosos de universidade, gestores, artistas. Isso é um intercâmbio importante para o fortalecimento da cultura e, depois, para apontar os caminhos do desenvolvimento da região”, avalia Tereza Nóbrega, secretária de Cultura de Santa Luzia e ativista cultural há pelo menos três décadas.

O prefeito José Alexandre de Araújo (Zezé) disse que o sucesso alcançado pelo Festival impulsiona e encoraja projetos futuros nesta comunidade, envolvendo, sobretudo, o potencial artístico e histórico do lugar. “O trabalho conjunto com o Governo do Estado nos mostra como é efetivo e prazeroso agir em conjunto em prol da população”.

O secretário de Estado da Cultura, Damião Ramos Cavalcanti, afirmou que os depoimentos dos próprios quilombolas e do prefeito Zezé demonstram o resultado positivo do Festival. Ela analisa que a repercussão desse evento na comunidade do Trabalho sela a realização do III Festival da Cultura Quilombola, em 2023.

Repercussão – No mesmo dia do evento, as redes sociais dos artistas e do público que o prestigiou colocou o Festival em evidência, com postagens mostrando a performance dos grupos e agradecendo pela escolha do ‘terreiro do Talhado’ para receber um evento desse porte.

A convite da Secult-PB e apoio da Prefeitura de Santa Luzia, um grupo de jornalistas acompanhou a programação, desde a noite anterior, quando foi realizada no Parque do Forró, no centro da cidade, o evento de chamamento para o Festival. Lá foram exibidos os documentários ‘Aruanda’ e ‘Ceu’, que contam a história da formação do talhado e o cotidiano dos seus integrantes, e houve a apresentação de reisado, fechando com o forró de Geová do Acordeon.

A parte artística – O primeiro a se apresentar no palco foi o forrozeiro quilombola Valcir do Acordeon. Daí em diante, as atrações se seguiram continuamente até as 19h30. Passaram por lá nomes como Forró D2 (Deda Silva e Hedran Larreto), Zé Bento (Nego Nuna), Titico, Lene Silva (Lene Show), Mané de Baiba, os emboladores Beija Flor e Beijinha, Damião do Forró e Trio Forró do Bom, Trio Xodó e Simão do Acordeon, Santino Braz, Aldo Silva e Forró do Ponto, Rosângela Santos e Alcione Silva.

Os artistas usaram o palco e o ‘terreiro de barro’, sob o pavilhão, para mostrar sua arte. Também se apresentaram as danças como capoeira e ciranda, e os folguedos populares: Grupo Maculelê, Grupo Rosário dos Pretos, Grupo Pérola Negra, Os Monteiros (banda cabaçal), Grupo Tambores de Palmares, Grupo Mulheres Virtuosas, Os Criados do Sertão, Pontões de Pombal, Grupo Os Congos, Grupo de Reisado, Grupo Explode Sabugi e Grupo Marias Bonitas.

No total, 33 shows de música e de dança encheram a serra de sons e cores. Grupos de outros quilombos chegaram em ônibus cedidos pelas prefeituras das cidades de origem.

Trabalho – As cerca de 4 mil pessoas que passaram pelo evento, na estimativa da Prefeitura de Santa Luzia, assistiram aos shows, dançaram forró e tiveram à disposição estacionamento (obra de terraplanagem feita pela Prefeitura Municipal), banheiros químicos, tendas com exposição e venda de comidas e louças quilombolas. A prefeitura também melhorou as condições de tráfego da estrada de barro que leva ao Talhado.

A secretária Tereza Nóbrega coordenou as ações de apoio ao Festival, entre elas o suporte à Secult-PB para cadastramento de artistas quilombolas que foram contratados. Aos gerentes de área da Secult-PB coube a coordenação geral do Festival, desde as visitas técnicas que subsidiaram o planejamento das diversas fases, até a execução no dia da festa, organizando a programação e cronometrando apresentações, supervisionando a alimentação e distribuição de fichas para os participantes, além de recepcionar a todos.

Uma equipe foi organizada para cozinhar e servir almoço e lanche aos quilombolas e às equipes da organização do evento. Também dessa vez entrou a segunda arte das louceiras, muitas delas usaram seus conhecimentos de culinária para produzir uma comida simples e regional, como se come nos quilombos.

O envolvimento com o festival revelou momentos de dedicação, como é o caso de Lúcia Nóbrega, secretária de Ação Social e primeira-dama do município, que, em dado momento, foi ajudar as cozinheiras do Festival. “O próprio prefeito Zezé e seu vice, Francisco Seráphico Ferraz da Nóbrega (Chicão), permaneceram no evento a maior parte do tempo. Eles tinham o desfile cívico no centro da cidade para prestigiar, mas só deixaram o Talhado no tempo limite de não se atrasarem para outro compromisso de suas agenda”, relata a gerente administrativa da Secult-PB, Marjorie Gorgônio. “Isso demonstra compromisso com a comunidade e acena que o Estado tem um parceiro de primeira hora para eventos e projetos culturais futuros”, avalia Marjorie.

A gerente de Articulação Cultural, Mariah Marques, apontou um dos que considera entre os pontos mais importantes do Festival: “Esse evento, além de fortalecer a cultura quilombola e dar visibilidade a essa parcela da sociedade, também está trazendo o primeiro emprego para aqueles que nunca tiveram contrato na área cultural. É o primeiro emprego, porque não podemos exigir experiência para quem nunca trabalhou profissionalmente, e a Secult encarou esse desafio”.

SECOM-PB

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