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A Esteatose Hepática (Doença Hepática Gordurosa Não Alcoólica – DHGNA) ou gordura no fígado

Imagem: pebmed.com.br

Por tratar-se de uma entidade de suma importância, vamos tecer alguns comentários sobre ela.

Trata-se da Gordura no Fígado ou Esteatose Hepática ou Doença Hepática Gordurosa Não Alcoólica, que vem, a cada dia, sendo mais diagnosticada em nosso meio.

Acomete mais os homens numa idade entre 40 e 50 anos, e a causa principal é o excesso de ingestão de produtos que são metabolizados no fígado, fazendo com que ele trabalhe além da sua capacidade, resultando, consequentemente, em disfunção hepática, ou seja, o fígado não consegue funcionar satisfatoriamente para “expulsar” a gordura em excesso.

Esta sobrecarga de trabalho do fígado atinge, principalmente, pessoas obesas e, consequentemente, leva a disfunção hepática. A gordura, em excesso, penetra nas células hepáticas (hepatócitos) deixando-os incapazes de funcionar bem.

As dosagens das enzimas chamadas de Aminotransferases não são um bom parâmetro para diagnosticar a Esteatose Hepática.

Ao diagnosticar-se uma ecogenicidade hepática normal ou uma Esteatose Hepática Grau I elas não requerem a necessidade de Biópsia Hepática (retirada de um fragmento do fígado para estudo em microscópio).

A Esteatose Hepática (não alcoólica), ou seja, Não Transmissível de uma pessoa para outra, é uma das alterações do fígado mais comuns do mundo moderno, com uma ampla variedade de fatores incluindo Causa Genética, Causa Ambiental e Causa Metabólica.

Diante do crescente número de pacientes com Esteatose Hepática (Gordura no Fígado), que vem surgindo atualmente, descreveremos os achados, principalmente ecográficos, mais frequentes, encontrados nesta entidade, notadamente a prevalência e alterações em indivíduos encaminhados para este fim.

Vamos estimar a prevalência e as alterações ecográficas (captadas pela ultrassonografia) mais frequentes e compatíveis com a Doença Hepática Gordurosa Não Alcoólica/Esteatose Hepática/Gordura no Fígado.

Avaliamos mais de 300 pacientes, e a prevalência da esteatose recaiu sobre os homens, que apresentaram graus mais avançados de esteatose hepática que variavam, em percentual decrescente, de Grau I, Grau II e Grau III.

Sugerimos o exame de Ultrassonografia como primeira opção para o diagnóstico desta afecção, primeiro por ser um método mais acessível, de baixo custo e sem efeitos colaterais, inclusive sem riscos para os pacientes.

Como já frisamos, a Esteatose Hepática (Gordura no Fígado) se caracteriza pelo acúmulo de gordura (lipídios) nas células hepáticas (hepatócitos).

Podemos classifica-la, partindo do estágio inicial até a complicação mais grave, como: Esteatose Hepática Simples, Esteato-hepatite, Cirrose, podendo evoluir para um tumor no fígado (o Carcinoma Hepatocelular).

É importante que destaquemos esta entidade, (a Esteatose Hepática) porque ela vem aumentando, não somente no Brasil, mas no mundo todo, provavelmente em decorrência de mudanças de estilo de vida, hábitos alimentares e a evolução de métodos diagnósticos. Este fato reveste-se de mais importância quando se considera que esta afecção precede ou sinaliza o desenvolvimento de doença cardiovascular (coronárias – as artérias que irrigam o coração, e o próprio coração), doença hipertensiva (hipertensão arterial) e diabetes mellitus tipo 2, associando-se a um aumento de mortalidade dessas pessoas.

De início, a maioria dos portadores de Esteatose Hepática não apresenta sintoma algum, mas como a Esteatose tem um curso insidioso, aos poucos o paciente pode relatar ao seu médico um princípio de “mal estar” e até um “desconforto abdominal”, “dificuldades de digestão dos alimentos”. Quando o médico especialista examina o paciente, ao exame físico, pode encontrar um aumento do fígado (hepatomegalia).

Na ultrassonografia (US) do abdômen superior, o fígado se apresenta com a estrutura alterada, assim como, costumamos encontrar alteração nas dosagens das enzimas aminotransferases, ao exame laboratorial. Portanto, é de suma importância a realização de uma ultrassonografia do abdômen superior para uma avaliação médica complementar, para constatar um comprometimento hepático, como a Esteatose, porque permite o diagnóstico precoce em pacientes sem sintoma algum específico da mesma.

A Tomografia Computadorizada (TC) tem pouca especificidade para o diagnóstico de Esteatose Hepática além de ser um método de alto custo, pouco prático e expor o paciente a radiações ionizantes.

Agora, a Ressonância Magnética (RM) é considerada o método não invasivo mais eficaz para o diagnóstico da Esteatose Hepática, mesmo sendo um procedimento caro e ainda pouco acessível em nosso meio. Entretanto, a Ultrassonografia (US) demonstra ser um procedimento sensível no diagnóstico das alterações do fígado, da vesícula biliar e das vias biliares intra e extra-hepáticas. Portanto, a Ultrassonografia continua sendo a primeira opção para o diagnóstico da Esteatose Hepática por ser um método simples, que não utiliza radiações ionizantes, pouco oneroso, mais acessível e sem efeitos colaterais.

Pela Ultrassonografia podemos Classificar a Esteatose Hepática em Graus.

O profissional colocará em seu relatório a classificação abaixo, mais ou menos, com estes dizeres:

Grau 0 à fígado de ecogenicidade normal.

Grau 1 à Esteatose Hepática Leve, com visualização de ecos finos no parênquima hepático, com visualização normal do diafragma e de vasos intra-hepáticos.

Grau 2 à Esteatose Hepática Moderada, com aumento difuso de ecos finos, visualização prejudicada dos vasos intra-hepáticos e do diafragma.

Grau 3 à Esteatose Hepática Acentuada, com aumento importante dos ecos finos, com visualização prejudicada ou ausente dos vasos intra-hepáticos.

Como constatamos que a Esteatose Hepática é mais prevalente no homem do que na mulher, e mais em pacientes obesos do que em pacientes longilíneos, deve-se estar atento para está conclusão.

 

José Cadmo Wanderley Peregrino de Araújo – – cadmowanderley@hotmail.com 

 

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