Início A Osteopenia (início da Osteoporose) – Osteoporose – Sarcopenia e Osteossarcopenia

A Osteopenia (início da Osteoporose) – Osteoporose – Sarcopenia e Osteossarcopenia

Existe correlação entre as enfermidades assinaladas acima.

O envelhecimento do nosso corpo se caracteriza por inúmeras modificações fisiológicas, progressivas e até previsíveis.

No que diz respeito à composição do nosso corpo, ocorre uma perda lenta e gradual da massa óssea (osteopenia) e da massa muscular (sarcopenia), acompanhada de ganho da massa gorda (tecido adiposo/gorduroso).

Em algumas pessoas, esse processo ocorre de forma acelerada, culminando em um estado doentio caracterizado por massas óssea e muscular, excessivamente, reduzidas: a osteoporose e sarcopenia, respectivamente.

Tanto a Osteoporose quanto a Osteopenia (osteoporose menos acentuada) são definidas como a redução da densidade mineral óssea (ou da massa óssea), deixando o osso mais fraco e, consequentemente, aumentando sua fragilidade e a frequência de fraturas, principalmente da Coluna Lombar e do Colo do Fêmur.

Já a Sarcopenia é caracterizada pela redução, tanto quantitativa (quantidade) quanto qualitativa (qualidade), da massa muscular, implicando, não só em perda volumétrica da musculatura esquelética, assim como da redução da sua função e desempenho.

Como já falamos antes, tanto a Osteoporose como a Sarcopenia são processos que ocorrem com o envelhecimento e com a fragilidade da pessoa idosa que não se previne ou que não toma precauções inerentes ao envelhecimento, o quê não deveria acontecer.

Por serem entidades muito prevalentes, a existência das duas a um mesmo tempo, é comum, e chama-se Osteossarcopenia (osso e musculatura fracas).

Tanto a sarcopenia (atrofia dos músculos) como a osteoporose (desmineralização dos ossos) estão, frequentemente, associadas à depreciação da pessoa idosa quando esta não se previne ou não toma as devidas precauções para que estas condições não surjam precocemente.

As pessoas idosas que têm osteoporose e sofrem fraturas até de baixo impacto evoluem, nos anos seguintes, com maior declínio funcional e risco de vida. As pessoas idosas com atrofia dos músculos (sarcopenia) apresentam maior limitação dos movimentos, maior frequência de quedas da própria altura, dependência para as atividades básicas da vida diária e mortalidade.

A definição/diagnóstico de osteoporose, seja através da Densitometria Óssea ou pela presença de fraturas frequentes, já é bem estabelecida.

O diagnóstico/definição da Sarcopenia é, basicamente, a baixa massa muscular, detectada por um método objetivo,denominado Bioimpedanciometria Elétrica (ou DXA).

Conjuntamente com a Baixa Massa Muscular, deve haver a Perda de Força ou do Desempenho Muscular, através do Aperto de Mão (dinamometria). Pode, também, ser avaliada por testes funcionais, como a Velocidade da Marcha. Através destes testes, podemos avaliar a existência da Osteosarcompenia (ou seja, a desmineralização dos ossos, redução da massa e aumento da fraqueza muscular).

O mecanismo (ou a forma) que leva à Osteossarcopenia dá-se por duas explicações possíveis: A Primeira baseia-se na existência de um processo patológico comum que leva ao comprometimento das massas óssea e muscular. A Segunda é a possibilidade de um comprometimento de um dos tecidos (ósseo ou muscular), que resulta no comprometimento do outro, ou seja, um comprometimento muscular que leva a um comprometimento ósseo, ou vice-versa.

Os fatores de risco mais comuns da Osteoporose são os Distúrbios Endócrinos como Diabetes Melitus, Hipotireoidismo, Hipovitaminose D, Inatividade Física, Desnutrição e uso de Glicocorticóides. Na Segunda Hipótese, pelo fato de que pacientes com perda da massa muscular apresentam maior limitação de mobilidade, com menor sobrecarga mecânica no osso e consequente perda acelerada de massa óssea.

O tratamento da Osteossarcopenia (fraqueza do osso e da massa muscular) foca no ganho de massa óssea ou no ganho de massa muscular de forma isolada. Por exemplo: o medicamento utilizado na Osteoporose (bisfosfonatos) não atua na massa muscular. Portanto, o diagnóstico de Osteossarcopenia permite que as intervenções atuem tanto na massa óssea como na massa muscular. Exemplo: estimular a atividade física, a suplementação de vitamina D, ingestão adequada de proteínas, suplementação de creatina e combater os fatores comuns de risco.

A atividade física (exercícios, caminhadas etc.) tem comprovado efeito benéfico na massa óssea e na massa muscular. A realização de no mínimo 20 minutos de exercícios pelo menos três vezes por semana está associada a ganho significativo de massa óssea, massa muscular, força muscular e prevenção de quedas e fraturas em idosos.

A ingestão de proteínas na quantidade adequada é outra intervenção para o aumento da massa óssea e da massa muscular. Baseando-me em diretrizes internacionais, é razoável que um idoso mantenha uma ingesta diária de proteína entre 1 a 1,5 g por quilo de peso. O médico assistente que está tratando da osteoporose e da sarcopenia do seu paciente sabe da quantidade exata de proteínas a ser ingerida diariamente pelo seu paciente.

A suplementação de vitamina D da ordem de 700 a 800 unidades internacionais/dia (UI/dia), e aumenta a força muscular e reduz fraturas e risco de morte.

Finalizando, a Osteossarcopenia representa uma doença que merece ser reconhecida pelo/pela paciente, não só como a simples soma de Baixa Massa Óssea e Baixa Massa Muscular, mas sim como uma “doença” a parte, colocando o idoso em uma situação de importante vulnerabilidade.

 

Doutor Cadmo Wanderley  – cadmowanderley@hotmail.com

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