quarta-feira, outubro 27, 2021
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Importância do leite: relação com saúde (ossos sadios/osteoporose)

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A Intolerância à Lactose é a expressão clínica e sintomática em resposta à ação da má absorção da Lactose pelo nosso organismo, caracterizada por sintomas gastrointestinais como diarreia, desconforto abdominal e flatulência. Esses sintomas dependem da quantidade ingerida e não absorvida.

A ingestão adequada de cálcio, ao longo da vida, é bem importante.

O Cálcio, nutriente mais abundante do nosso corpo, contribui para exatos 1,5% do nosso peso corporal.

99% do cálcio do nosso corpo estão localizados nos nossos ossos e dentes, a grande maior parte no nosso esqueleto.

O Cálcio possui funções vitais, como: coagulação sanguínea e contração muscular além de exercer funções reguladoras como a secreção de hormônios e ação de neurotransmissores.

São diferentes papeis na digestão alimentar de cálcio.

Se aumentarmos a fração de absorção de cálcio pelo intestino, o cálcio também é mobilizado a partir dos ossos para manter as concentrações sanguíneas adequadas. Portanto, a ingestão adequada de cálcio é primordial, pois a ingestão reduzida implica em concentrações sanguíneas desfavoráveis e ocorrerá Desmineralização Óssea/Osteoporose. Por isso, preconizamos a ingestão adequada diária de cálcio de acordo com a faixa etária de cada um e do sexo. Para adultos: 1.000 mg. Para Idosos: 1.200 mg.

O leite e derivados, como o queijo, iogurte e coalhada, são as principais fontes de cálcio na alimentação. Por exemplo: 1 Copo Grande de Leite (240 ml) à 300 mg de cálcio, além de nutrientes como Proteína (8 g), Fósforo (205 mg) e Magnésio (24 mg).

Estudos demonstraram que a ingestão diária de 3 ou mais porções de substâncias lácteas por dia estão associadas com a preservação da saúde óssea e menor risco de diabetes Tipo II e hipertensão arterial.

Entretanto, pessoas vegetarianas e veganos, costumeiramente, evidenciam menor Densidade Mineral Óssea/Osteoporose. Mais recentemente, mostrou-se que mulheres com redução da ingestão de alimentos lácteos na alimentação diária, apresentaram redução da Densidade Mineral Óssea do Fêmur em torno de 1,7% a 3% e aumento do risco de fraturas vertebrais em 18%.

Geralmente, a ingestão de leite e derivados contribuía com, aproximadamente, 70% da ingestão de cálcio na alimentação diária. Atualmente, devido à redução da ingestão de leite e derivados em decorrência da Intolerância à Lactose (e pela oferta de produtos LACFREE), apenas 40% do cálcio dietético na população é advinda dos produtos lácteos.

A Lactose é o principal carboidrato presente no leite e derivados. No recém-nascido a lactose ingerida é hidrolisada no intestino delgado pela enzima lactase-florizina hidrolase ou LPH. Após o desmame, ocorre redução programada geneticamente, da atividade da enzima lactase (LPH). A redução ou ausência dessa enzima (lactase), pode ocorrer de 3 formas: 1) Por deficiência. 2) Por intolerância. 3) Por má absorção. Mais grave, ainda, é a deficiência primária ou congênita dessa enzima (lactase). A deficiência da lactase pode também ser secundária a alguma doença ou tratamento que provoque injúria da mucosa intestinal, como no caso da Doença de Crohn e tratamento com quimioterápicos (quimioterapia). Esta última condição é temporária (ou seja: enquanto dura o tratamento), e a atividade da enzima lactase reaparece com a recuperação da mucosa.

A não persistência (ausência) da lactase (hipolactasia primária do tipo adulto), que é a forma menos grave, é a mais encontrada na população em geral. É quando ocorre a redução da síntese da mesma, e ocorre de origem genética, ou seja, de pai para filho.

Pesquisadores buscam identificar qual o limite de tolerância, ou seja, a quantidade de lactose (carboidrato do leite) que pode ser ingerida, sem que haja sintomas indesejados.

Os vegetais verde-escuros como couve, espinafre e brócolis também são alimentos fontes de cálcio, porém, devido à presença de oxalato e fitatos, a fração de absorção é reduzida em até 5%, como no caso do espinafre. Amêndoas, amendoim, castanhas e alguns tipos de feijão também são fontes de cálcio, mas precisam ser ingeridos em grande quantidade. Portanto, pode-se concluir que a necessidade de cálcio diária será dificilmente alcançada na ausência de Lácteos (leite e derivados).

Com a elevada prevalência de indivíduos com hipolactasia (baixa quantidade de lácteos) do tipo adulto, tornou-se necessário um maior número de alimentos sem lactose (LACFREE) e que ofereçam quantidades adequadas de cálcio. Com isso, a oferta desses produtos cresceu nos últimos anos. Queijos e iogurtes são, naturalmente, alimentos com pouca lactose, uma vez que é perdida durante o processamento.

Diante da grande oferta de produtos LACFREE, pesquisadores e clínicos questionam se a biodisponibilidade do Cálcio desses produtos e também os substitutos do leite é adequada. Estudos mostraram que a Lactose ou a deficiência de Lactase não altera negativamente a absorção de Cálcio em adultos. Não foram encontradas diferenças da absorção de cálcio em produtos com diferentes quantidades de Lactose (leite, iogurte, queijo cheddar, queijos maturados etc.) Foi demonstrado que a absorção é semelhante entre leite, com ou sem lactose, e em indivíduos com ou sem deficiência da lactase.

Pouco se sabe sobre a biodisponibilidade de cálcio dos substitutos do leite à base de vegetais (soja, amêndoa, arroz, castanhas, coco) exceto as bebidas à base de soja. Esses alimentos à base de soja, quando fortificados, apresentam quantidades de cálcio equivalentes à do leite.

Estima-se que no Brasil 60% da população apresente HIPOLACTASIA DO TIPO ADULTO.

José Cadmo Wanderley –  cadmowanderley@hotmail.com 

 

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