Início Inflação e crises econômicas, as obras do maligno governamental

Inflação e crises econômicas, as obras do maligno governamental

Não há o que se falar em crises econômicas quando determinados setores da economia perdem “demanda”. O que houve foi apenas um deslocamento do gosto social para outro setor da economia (Agropecuária, Indústria, Comércio e Serviço). Então, quando um determinado setor econômico perde espaço, outro, inevitavelmente, ganha; e esse deslocamento da demanda de um setor para o outro ocorre inevitavelmente e constantemente em períodos temporais e espaciais numa sociedade. Se, por exemplo, o setor calçadista perde espaço de demanda, e o setor de vestimenta aumenta a sua demanda, houve, portanto, neste caso, uma mudança do gosto temporal das pessoas e, consequentemente, uma transferência preferencial da sociedade do setor (calçadista) para outro setor (vestuário). Com isso, não há como manipular a vontade, o gosto e o desejo humano por meio de decretos governamentais senão pelo uso da violência e da força, já que o homem não é linear, não é determinado pela lei da causa e do efeito, pois estamos sempre em constantes mudanças valorativas, e somente as leis do mercado voluntário e pacífico podem suportar e superar esse fenômeno social de mudança constante do desejo humano no âmbito econômico de modo natural.  

Quando o caos econômico generalizado – afetando todos os setores econômicos – surge, somente um bem pode ter sido o grande vilão desse desastre. Este bem é o produto na economia que serve como meio de troca e liquidez entre os agentes econômicos, isto é, o “dinheiro”, o “papel pintado”. Somente o dinheiro tem esse poder genérico de distorcer a economia como um todo, em todas as suas áreas e setores. A moeda, portanto, pode afetar negativamente toda a árvore econômica em todos os seus segmentos por meio da oferta expansionista monetária.

Assim foram todas as crises econômicas já presenciadas no mundo inteiro, ou seja, pela oferta desenfreada do crédito fácil promovido pelo Estado como meio de aquecer artificialmente a economia através da expansão monetária. Quando há um aumento volumoso na oferta de papel pintado na economia, há uma desvalorização deste, como a quantidade de dinheiro na economia aumenta, o valor de cada unidade monetária diminui, ocorrendo, assim, um processo inflacionário e, consequentemente, uma perda do poder de compra dos bens e serviços oferecidos na economia, afetando diretamente e principalmente a classe mais pobre.

Por outro lado, quando temos um Estado forte, assistencialista e socialista, como é o nosso, várias pessoas são impedidas de produzirem pela política do salário mínimo, passando a viver e a depender não daquilo que produzem, mas do assistencialismo promovido pela função estatal redistributiva, como, por exemplo, “bolsa família”, correndo uma redução da produção de bens e serviços, e, consequentemente, elevando não só a taxa de desemprego, como também um aumento inflacionário do lado do fluxo real da economia, já que a escassez desses bens será ainda maior, aumentando, assim, a sua valorização e a desvalorização da moeda ofertada em excesso.

O Brasil, a título de exemplo, fechou, até fevereiro de 2017, segundo o IBGE, com uma acumulação inflacionária, desde a criação do plano real, em 1994, de 461%. Por exemplo, se um produto custava 100 reais em 1994, hoje, ele custa 461,00 reais.

O Excesso de moeda, portanto, é a grande causa das crises econômicas presenciadas na sociedade, gerando não só maus investimentos – aqueles que não eram viáveis antes dessa expansão monetária –, mas também inflação, que pode ser entendida como a oferta desenfreada de moeda na economia. A expansão monetária, portanto, é a grande vilã disfarçada de mocinha, pois, de início, causa um sensação de crescimento e progresso, porém, no médio ou curto prazo, estaremos todos mortos, como bem dizia o próprio teórico dessa teoria expansionista de moeda.  

Por fim, é desanimador saber que os nossos governantes ainda acreditam na falácia keynesiana em “estimular” a demanda por meio da expansão de papel pintado, como se dinheiro fosse riqueza. O gráfico abaixo mostra a expansão monetária desenfreada, no Brasil, desde julho de 1994 até o início de 2017. Dados do próprio BACEN. Não foi por acaso que presenciamos a maior crise econômica já vivida no Brasil, mas foi, contudo, uma crise prevista pelos economistas Austríacos e que voltará a se repetir caso não exista um freio para desacelerar essa ideia de que dinheiro é riqueza.

 

Peterson Ribeiro

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