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Keynesianismo, o Socialismo do Momento

É bem notável, nos dias de hoje, observar uma grande tendência migratória das ideias socialistas marxistas para o campo das ideias Keynesianas. O sinistro se deve pela impossibilidade de viabilização do Socialismo Científico de Marx, no campo da ciência econômica, como modelo de troca entre os agentes econômicos nos mercados de bem, serviço, financeiro e fatores, através, é claro, da intermediação da moeda. De fato, foi somente o que restou para os Comunistas adoradores de Governo adotarem um novo modelo misto e revisionista de socialismo, como meio de viabilizar e permitir que o Estado continue sendo o grande controlador da economia e de suas políticas, sem exterminar, de vez, o modo de produção Capitalista, isto é, conservando os meios de produção na iniciativa privada e mantendo o Estado como uma grande direção econômica, através do Banco Central e do CMN, que detêm toda política macroeconômica do país, expandindo ou contraindo o crédito através das taxas de compulsório, redesconto ou vendendo ou comprando títulos públicos no mercado secundário, além, é claro, de fabricar papel pintado em época de baixo crescimento econômico, gerando, assim, a tão detestável inflação. Hoje, a taxa inflacionária, no Brasil, encontra-se na casa dos 8%. Todavia, segundo o CMN, a taxa de inflação deveria variar entre  2,5% a 6,5%, sendo de 4,5% a meta central estabelecida pelos órgãos e entidades públicos.

Como observação, o grande “mainstream da economia” é estruturado nos moldes da escola Keynesiana e de suas derivações esdruxulas, não fazendo parte a Escola Austríaca e o Marxismo, porém, este já tivera experimentos anteriores, como na URSS, Vietnã, Cuba e, recentemente, na Venezuela, trazendo saldos bastante negativos e expressivos de mortes por perseguições, pela miséria e pela fome; enquanto aquela, não.  Em 1936, em seu livro Teoria geral do emprego, do juro e da moeda (General theory of employment, interest and money), John Keynes dava a gasolina para apagar o fogo da grande crise de 1929. Para muitos, a crise foi gerada pelo Liberalismo, conceito este totalmente refutado pelo economista Friedrich Von Hayek, que previu a grande bolha econômica, provocada pelo Federal Reserve, banco central americano criado em 1913, bem antes do seu “Boom” em 1929.  

Um dos grandes problemas do modelo Keynesiano é a tentativa de prever, por meio de números e gráficos, o futuro com base em situações passadas. No entanto, o grande agente tomador de decisão é o ser humano, movido pela subjetividade, num determinado tempo e pelas incertezas e complexidades do futuro, ou seja, concretizando aquilo que Ludwig Von Mises chamaria de “ação humana” ou “praxiologia”, saindo o homem de uma situação de maior desconforto para uma de menor desconforto. Levando em consideração que economia é um ramo das ciências sociais, já que seres humanos não são variáveis que possamos manipular como células do corpo, por isso, far-se-á necessária a divisão em escolas de pensamento para melhor compreensão do estudo econômico. E é, justamente, nesse ponto, que as duas grandes escolas mais se diferenciam, pois, para os economistas Austríacos, o foco não é tentar prever o futuro com números, dado e gráfico (Keynesianismo), mas pela inclinação lógica dedutiva.  
Outro fator determinante de Keynes é o foco na demanda e nos gastos governamentais como forma de cobrir eventuais falhas provocadas pelo mercado no que diz respeito ao excesso de oferta (Estoques), já que o excesso de estoques também gera outro problema, ou seja, o desemprego. Para o modelo Keynesiano, a demanda é a peça principal que determina a oferta, contrariando a teoria clássica econômica de Adam Smith, que previa o contrário, além de uma flexibilidade nos salários reais e nos preços dos produtos. Para o modelo de Keynes, com base na previsão da demanda, as empresas iriam produzir seus bens e ofertá-los no mercado de bens e serviço. Caso houvesse uma diferença entre a demanda planejada e a demanda efetiva (o que realmente foi consumido), sendo esta menor do que aquela, entrariam os gastos governamentais para liquidar os estoques e acabar com o problema gerado pelo excesso de oferta (Estoques), além do problema chamado “desemprego”. Contudo, o sistema Keynesiano começou a se mostrar muito parecido com o Socialismo, com um aumento gritante do Estado, além de uma arrecadação tributária cada vez maior, como forma de manter o modelo do “Bem Estar Social”.

Os efeitos do Keynesianismo são devastadores, para se ter uma ideia, hoje o Brasil vem arrecadando mais de 33% do PIB somente com a atividade Tributária e ocupa a 118ª posição de 150 países em liberdade econômica; sendo, portanto, uma verdadeira vergonha para nós brasileiros. Nosso país atualmente gasta, em média, mais de 41% do PIB, bem mais do que gasta países classificados como Emergentes, cuja média de gastos é de 31,5% do PIB. Nos dias atuais, para sustentar o modelo Keynesiano, os empregados brasileiros necessitam trabalhar, em média, 151 dias só para bancar a máquina burocrática estatal com recursos derivados tributários. Os gastos públicos estão crescendo desordenadamente, nos últimos anos, a dívida pública primária brasileira, segundo dados do Tesouro Nacional, atingiu patamares próximos aos 170 bilhões. Já, com relação ao resultado nominal, o déficit público se aproxima dos quatro trilhões de dólares.

Peterson Ribeiro 

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