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Novembro Azul

Passado o mês de outubro (rosa), dedicado à prevenção do câncer de mama, passamos agora, no mês de novembro (azul) a tecer alguns comentários para a prevenção do câncer de próstata.

O Câncer de Próstata, segundo estudos sobre a sua frequência, é considerado o segundo câncer mais comum entre os homens. Em todo o planeta. O câncer de próstata encontra-se atrás, em termos de frequência, apenas do câncer de pele (o tipo não-melanoma). O mais desalentador para os pacientes e para os urologistas, é que a taxa de Câncer de Próstata, segundo estatísticas, está aumentando no Brasi

Agora iremos falar algo sobre o rastreamento do estado da próstata.

Como sabemos, antes, os exames para pesquisa da integridade prostática, eram recomendadas, principalmente, as seguintes investigações: 1) A taxa do PSA no sangue (pesquisa do Antígeno Prostático Específico) e 2) O Toque Retal. Um exame não substitui o outro. São exames que devem ser realizados em associação, a exemplo da pesquisa da integridade das mamas: palpação, ecografia, mamografia e, se necessária, a Ressonância Magnética.

Voltemos à próstata; No Brasil, a estimativa é de 60 novos casos de Câncer de Próstata por cada 100 mil homens. No início, os sintomas do Câncer de Próstata são insignificantes. Já na fase avançada pode causar micção com uma maior frequência, o fluxo urinário pode ser fraco ou interrompido, impotência sexual, sangue no líquido seminal, dor/ardor na micção e fraqueza/dormência nas pernas. Em casos mais avançados ainda: dores nas costas, bacia e coxas.

Para que se possa detectar precocemente o Câncer de Próstata, homens, com a idade a partir dos 50 anos, têm de fazer o exame digital, também conhecido como Toque Retal, embora a maior prevalência do Câncer de Próstata ocorra em homens com mais de 60 anos. Os homens que se encontram na faixa de risco, ou seja, aqueles que possuem parentes próximos (de primeiro grau), como o pai, o tio ou um irmão, que tiveram o diagnóstico de Câncer de Próstata antes dos 65 anos de idade, deverão iniciar a investigação a partir dos 45 anos de idade.

Os exames para rastreamento, não só de Câncer da Próstata, mas de outras alterações prostáticas, como por exemplo, a Hipertrofia Prostática Benigna (HPB) e as prostatites (inflamações da próstata), são realizados, também, o exame digital da próstata (Toque Retal) e a dosagem do PSA no sangue. São estes dois exames que iniciam o rastreamento do Câncer de Próstata.
Depois de realizados estes dois exames citados acima, o urologista pode, se necessário, partir para uma Ecografia Prostática pelas Vias Transabdominal e/ou Transretal (mais precisa), Tomografia Computadorizada e, se necessária, uma Ressonância Magnética. Com estes resultados em mãos, o urologista decidirá se será necessária uma Biópsia da Próstata.

Para reforçar bem, o exame de PSA no sangue, não dispensa o exame de Toque Retal, porque até pequenos tumores da próstata serão detectados através do mesmo. Os tumores da próstata costumam se encontram mais, em um percentual bastante significativo, na periferia da próstata, sendo, por isso, um exame bastante preciso. Com a realização destes dois exames 90% dos casos de Câncer de Próstata são diagnosticados.
O PSA deve ser realizado a CADA 2 ANOS em homens, cujos valores NÃO ULTRAPASSEM 2,5 ng/ml.
O PSA deve ser realizado TODOS OS ANOS os pacientes, cujo nível de PSA no sangue ULTRAPASSE os 2,5 ng/ml.
Embora o Toque Retal ainda sofra preconceito por alguns, é importante dizer que, realmente, é um exame desconfortável para o paciente, mas é um exame rápido e não provoca dor. O quê é importante é que este exame ainda é o mais adequado para um exame mais acurado da próstata. É semelhante e tão importante quanto o da palpação das mamas para detectar nódulos intramamários.

Provavelmente, nos próximos 5 anos, os urologistas terão melhores condições de diagnosticar alterações prostáticas. Encontra-se em estudo a utilização de outros exames com a finalidade de se diagnosticar com mais especificidade o Câncer de Próstata. São exames baseados nos já existentes, porém mais específicos, a exemplo do P2PSA, capaz de melhorar bastante o rastreamento de Câncer de Próstata, evitando, dessa forma, muitas biópsias prostáticas desnecessárias, como o caso de doenças benignas ou alterações insignificantes, que dispensa biópsias.

O exame conhecido como p2PSA (novo teste para detectar Câncer de Próstata) já se encontra em processo de comercialização no mercado brasileiro. Quando estiver sendo utilizado em todo o país, o Brasil pode se igualar, nessa tecnologia, a países da Europa e Estados Unidos.

Fala-se que este teste é mais específico do que o PSA isolado, porque une três testes em somente um exame, por isso, tem mais especificidade para Câncer de Próstata. Ele, nada mais é do que um exame de sangue, porém mais específico para o Câncer de Próstata, melhorando, significativamente, a especificidade clínica para detecção do Câncer de Próstata se comparado ao Exame de PSA isolado em pacientes com 50 anos ou mais. Os urologistas se sentirão mais seguros quanto ao diagnóstico e o paciente se sentirá mais tranquilo, pois, como escrevemos anteriormente, o exame é realizado com uma simples amostragem do sangue.

Esperamos que, em poucos meses, este teste, o p2PSA, esteja à disposição para todos os pacientes brasileiros em todos os recantos do Brasil.

Por enquanto, vamos ficando com os exames de PSA no Sangue e com o Toque Retal.

Doutor Cadmo Wanderley  – cadmowanderley@hotmail.com

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