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O efeito Chapecoense!

Nunca se viu na história do desporto brasileiro, tanta comoção. Um fato mais que inesperado tomou conta do sentimento nacional e superou até mesmo o efeito de desastres contínuos vivenciados por nossa população, a exemplo das crises política e econômica que atravessamos.

Confesso pessoalmente que na hora das primeiras notícias, fui surpreendido pelas imagens da TV, por ver tanta gente de verde nas ruas, indo de um lado para o outro. Na hora pensei que eram palmeirenses comemorando o título brasileiro em São Paulo, e julguei ser mais uma arruaça daqueles que se vestem com a camisa de um clube para fazer baderna. Mas a ficha caiu quando vi a manchete e senti um choque dentro de mim.

Foi triste!. Acompanhei por horas com bastante atenção e pensativo esperava as explicações do fato e ao mesmo tempo procurava entender qual a lição que a tragédia iria nos deixar.

Pelo que vi, todas as homenagens foram justas. As do Atlético Nacional, em pedir a Commebol, o título da competição para a Chapecoense; dos clubes brasileiros, em solicitar a permanência da Chapecoense três anos sem rebaixamento na Série A, de ceder jogadores ao clube de Chapecó, as homenagens em todos os países e continentes do mundo, na busca pela reestruturação esportiva, psicológica e sobretudo, humana. Tudo pra lá de justo.

Confesso que depois da morte de Airton Senna, nunca vi um fato de tamanha comoção. E me atrevo a dizer que em termos de repercussão, é o acontecimento do ano, superando até mesmo a eleição para presidente dos Estados Unidos.

JUSTIÇA:

A Chapecoense foi criada em 1973, e aplicava um modelo de gestão associativa, onde muita gente participa das decisões. Subiu no campo desde a Série D-4ª Divisão do Campeonato Brasileiro, até a Série A-1ª Divisão, e vinha pronta para representar o Brasil em sua primeira decisão internacional.

Sem grandes estrelas, mas com muito profissionalismo, era uma equipe de jogadores jovens, comandada por um experiente treinador, Caio Júnior, bem como um excelente preparador físico, Paulo Paixão, que junto ao elenco, levaram o clube a se destacar dentro e fora o Brasil.

Ao invés de se endividar contratando jogadores caros, buscava uma política mais acessível aos pequenos clubes, coisa rara nos dias atuais. Por isso, tinha perspectivas de crescimento, e por que não dizer, que continuará tendo.  Vale lembrar que o clube é uma instituição jurídica e continua existindo.

Sei que o tempo é quem sara todas as feridas e que as cicatrizes ficarão. Mas é preciso entendermos que o valor da vida é muito maior do que as cores de um clube, maior que os títulos, maior que o dinheiro, superior as nossas vaidades, ou por que não dizer, maior que tudo, pois os homens se vão e ficam o exemplo. Para mim, não ficou outro recado dessa história, senão em dizer: Que a vida seja cada vez mais respeitada, e que haja mais fraternidade e menos hipocrisia nas arenas esportivas.

Genival Júnior – genivalfjr@gmail.com

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