Início O mito do empresário inflacionário

O mito do empresário inflacionário

Muitos economistas — Keynesianos e Marxistas, em especial —, trabalham com a ideia de que o aumento dos preços decorre, como regra primordial, devido à ganância dos produtores. Porém, antes, vale apena analisar o que realmente estimula o aumento dos preços. Sabemos bem que o governo, como agente econômico, não obtém sua renda financeira como as famílias e as empresas no geral. Simplesmente, basta uma canetada de um burocrata, em Brasília, para que o milagre da multiplicação das pecúnias se manifeste no âmbito público. Em outras palavras, o Estado não precisa criar riquezas na sociedade para se manter financeiramente.

Ao analisar o comportamento do gráfico da curva de demanda e oferta, podemos utilizar, como exemplo, para ilustrar melhor o texto, um produto que custe 100,00 reais como preço de equilíbrio entre as respectivas curvas, que é o ponto de encontro entre as mesmas. Porém, antes de explicar o exemplo, é preciso saber o que é o ponto de equilíbrio. Então, podemos assim chamá-lo da coincidência do encontro das curvas que atendem tanto aos desejos e necessidades dos ofertantes como dos demandantes, sendo a quantidade ofertada igual à quantidade demandada (Qo=Qd). Voltando, agora, ao exemplo acima, utilizamos um produto cujo valor é de 100 reais como preço de equilíbrio. No entanto, para poder se alimentar financeiramente, o governo precisa tributar este bem, e, assim, resolve aplicar uma alíquota de 50% sobre esse bem, que, agora, com a carga tributária, passará a ser de 150,00 reais, já que 50% de 100,00 são 50,00 reais. ERRADO! Nem todos os tributos que são aplicados aos bens e serviços podem ser repassados ao consumir em sua totalidade.

Os 50,00 reais, que serão canalizados para alimentar o governo via tributação, serão, na verdade, rateados entre produtores e consumidores, e não apenas financiados por estes via impostos indiretos, devido à elasticidade (sensibilidade) dos produtos. Para entender melhor a sensibilidade que pode ter determinados bens e serviços, é necessário explicar, didaticamente, por meio de gráficos, a elasticidade da curva da demanda. Na economia, há produtos que são bastante sensíveis a uma variação do preço de equilíbrio, pois sua elasticidade é muito forte, e qualquer modificação no preço irá refletir fortemente na quantidade demandada, pois sua curva é muito inclinada (Gráfico 1), ou seja, com um ângulo pequeno. Já, quando o produto é inelástico (Gráfico 2), a quantidade demandada irá refletir pouco a uma variação maior no preço de equilíbrio. Vejamos o comportamento dos gráficos abaixo:

Perceba que, no gráfico 1, apesar de ter existido uma variação maior no preço desse produto, isto é, saindo de P(e) — preço de equilíbrio — para P(1) — novo preço majorado —, a redução da quantidade demandada  foi reduzida devido à sua pequena elasticidade. Todavia, no gráfico 2, ocorre justamente o oposto, ou seja, uma variação pequena no preço, mas com uma grande repercussão na quantidade demandada. Essas variáveis econômicas são estabelecidas, portanto, pelas necessidades axiológicas dos consumidores, ou seja, fora do contexto do produtor.

Portanto, os 50 reais, que serão tributados em cima do produto para alimentar o governo, muita das vezes, não poderão ser repassados por completo para os consumidores assumirem via impostos indiretos, já que um aumento de 50% do produto, como no exemplo do gráfico 2, poderá refletir uma redução gritante na quantidade demandada pela sensibilidade deste bem ou serviço, tendo, assim, para evitar maiores prejuízos em decorrência de uma menor demanda, que o produtor arcar também com uma parcela do produto  que, até então, estava em equilíbrio, e o restante repassado ao consumidor. Vejamos outro gráfico exemplificando o nosso exemplo de um determinado bem ou serviço em equilíbrio de mercado (P(e) =100, 00 reais), mas que teve uma repercussão majorada do produto para o consumidor de 25,00 reais, e mais uma outra parcela de 25,00 reais, só que financiada pelo produtor, formando, assim, a parcela que deve ser compulsoriamente enviada ao governo (50,00 reais de tributos), pois o total a ser pago pelo consumidor de 125,00 reais, menos o valor do produto líquido recebido pelo produtor de 75,00 reais, será igual ao tributo a ser pago para o Estado:

Porém, o problema se torna ainda maior ao perceber que, tanto a quantidade de oferta como a quantidade de demanda se contraem pela implementação do “peso morto”, essa faixa vermelha que reduz tanto o excedente do consumidor como do produtor pela deformação que a carga tributária causa nas respectivas curvas.

Peterson Ribeiro

Print Friendly, PDF & Email
Deixe seu comentário!