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Os alimentos e a nossa saúde

Nessa crônica vai um pequeno comentário sobre como vieram parar aqui no Brasil determinados alimentos e como nos adaptamos para que eles fizessem parte do nosso prato de cada dia. Veremos, também, como simples alimentos como frutas, verduras e cereais, protegem o nosso organismo, porque neles existem substâncias capazes disso. Não falarei de alimentos os quais temos dificuldades de adquiri-los em nosso dia-a-dia, mas principalmente daqueles que temos mais facilidade de acesso. Afinal, todos possuem os mesmos nutrientes. Muda somente o tipo.

É da nossa alimentação que retiramos os nutrientes para que nosso corpo funcione bem em associação, claro, com os exercícios físicos.

O homem começou a se alimentar de frutos e raízes, observando o comportamento dos animais. Depois, vieram o consumo de carne crua e frutos do mar. Mais na frente, começaram a assar e cozinhar. Então, começou o período em que se comia o que a natureza oferecia. Mais tarde, a ação do homem sobre a natureza, tornou-se mais intensa e as colheitas mais abundantes, favorecendo o aumento da população.

Começou, então, a cultura dos cereais, a exemplo do trigo.

Tem início a produção de bebidas e alimentos líquidos, utilizando-se os cereais: as raízes, os caules, os grãos, as vagens, os brotos, cozidos, ensopados e condimentos.

Logo após, veio a alimentação usada para fins comerciais, visando a praticidade e, evidentemente, o lucro.

A industrialização de alimentos tornou-se um gigantesco negócio. Alimentos que eram preparados manualmente passaram a ser produzidos em grande escala. Surgiram novos meios de conservação de alimentos, como o congelamento, corantes, conservantes etc. Vieram os alimentos processados e já prontos para o consumo.

Os trabalhadores deixaram o campo, os sítios, as fazendas para trabalhar nas indústrias e as mulheres começaram a trabalhar fora de casa.

Aumentou os alimentos ricos em gordura, salgadinhos, lanche e o açúcar refinado, inclusive o refrigerante. Aumentou-se o consumo de carboidratos, açúcares e gordura.

Houve uma uniformização global da alimentação com produtos industrializados que substituíram as comidas caseiras e daí vieram doenças que surgiram com o tempo. Ao mesmo tempo em que os hábitos alimentares foram piorando, a nossa saúde também se deteriorou: obesidade, hipertensão, doenças cardiovasculares, diabetes, colesterol alto, osteoporose e outras mazelas.

O Brasil é constituído por diversas culturas e alimentação influenciada pelos indígenas, portugueses, escravos, e imigrantes europeus e asiáticos que vieram morar por aqui.

Dos índios herdamos o costume de consumir mandioca (macaxeira), peixes, milho, batata e derivados. Já os portugueses plantaram o coqueiro, semearam o arroz, trouxeram o pepino, a mostarda e outros temperos, além da feijoada e do óleo vegetal.

Os africanos contribuíram com frutos como a banana, a manga, o abacaxi, a goiaba, o abacate, a batata, o leite de coco e o azeite de dendê.

Os escravos entraram com o quiabo, o gengibre, o feijão preto, a farinha de mandioca e laranjas.

Depois, o Brasil foi influenciado pelos imigrantes alemães, italianos, espanhóis e japoneses.

Os alemães reforçaram o consumo de cerveja, carne salgada, salsichas, mortadela e toucinho. Os italianos disseminaram o consumo de nossos alimentos feitos com farinha de trigo e molhos de tomate. O sorvete também é uma herança italiana.

Em decorrência das alterações climáticas no mundo inteiro, estão ameaçados de extinção as plantações de cacau (utilizado na fabricação do chocolate), arroz, mel e café.

Passemos a falar um pouco dos alimentos mais saudáveis na atualidade.

No Nordeste e, especificamente, no sertão da Paraíba, existem os que encontramos com mais facilidade em feiras e em supermercados, outros, nem tanto. Mas, vamos citar os nomes de alguns deles e o que eles nos oferecem. Existem muitos. Daria um livro. Mas vamos devagar.

1) Cogumelo: ele é rico em ácido fólico que previne as doenças degenerativas como Alzheimer); possui uma substância chamada lentinan que fortalece o nosso sistema imunológico, combatendo gripes e resfriados.

2) Damasco: é rico em potássio, vitaminas A e C, betacaroteno e licopeno que previnem vários tipos de câncer.

3) Peixes: a carne de peixe é a mais saudável de todas. É rica em iodo e ômega 3 que trazem benefícios para o cérebro e para o coração.

4) Goiaba: possui grande quantidade de licopeno que, como já escrevemos acima, previne o câncer de próstata, reduz o surgimento de catarata e de doenças cardiovasculares.

5) Repolho: possui grande concentração de antioxidantes e anticancerígenos.

6) Oleaginosas: como a castanha, nozes e amêndoas possuem altos níveis de ômega 3 e ômega 9 que previnem diversos tipos de doença e fortalecem o nosso organismo.

7) Aveia: contem boa quantidade de zinco, ferro e fibras.

8) Ovos: possui pouca caloria e pouca gordura, ajuda na memória e mantém o bom colesterol (HDL).

9) Pimentão: contém vitamina C, tem baixo nível de açúcar, além de carotenoides que auxiliam na saúde ocular e cardiovascular.

10) Água: indispensável para qualquer organismo, pois mantém a pele hidratada e a memória afiada; ajuda, também, no funcionamento dos rins, na boa digestão e em diversos órgãos, além de ser essencial para a absorção dos nutrientes.

11) Mirtilo: ajuda a manter o bom colesterol (HDL), reduz o diabetes e retarda o envelhecimento.

12) Feijão: melhora a saúde do coração, diminui o colesterol ruim (LDL), relaxa as artérias e reduz a pressão arterial.

13) Manjericão: rico em ferro, cálcio, vitamina C, potássio e flavonoides. Restringe a formação de bactérias indesejáveis, protege as células epiteliais contra danos causados pelos radicais livres, melhora o fluxo sanguíneo, diminui o risco de arritmias cardíacas.

14) Blue Berry: embora não seja tão comum no cardápio de muitos nordestinos, esta frutinha de coloração azulada é fonte de antioxidantes, reduzindo a ação dos radicais livres (que podem desencadear o surgimento de tumores, de doenças cardíacas e até o mal de Alzheimer) e combate infecções e reforça o sistema imunológico.

15) Abacate: por ter baixo teor em açúcar e rica em gordura monoinsaturada (aquela que aumenta o bom colesterol – HDL), essa fruta é indicada, principalmente, para os diabéticos.

16) Cereja: esta fruta contém uma substância chamada quercetina (um tipo de flavonoide muito eficiente para baixar os níveis de colesterol e de triglicérides). A quercetina tem a função de aumentar a ação das enzimas envolvidas na quebra das moléculas gordurosas, retirando boa parte delas da nossa circulação, ajudando, dessa forma, o coração. A cereja é também uma boa fonte de um elemento químico chamado potássio, mineral indispensável para os músculos do nosso corpo. A cereja também é rica em niacina, uma vitamina do complexo B que previne contra dores de cabeça e ainda facilita a digestão.

17) Limão: regula os níveis de insulina e previne o diabetes. É fonte importante de geraniol (substância capaz de inibir a multiplicação de células cancerosas, porque interfere na ação de enzimas que atuam na proliferação celular). A casca do limão é rica em uma substância chamada d-limoneno, que tem a capacidade de penetrar nos tecidos e nas células do nosso organismo, agindo como solvente de toxinas e de gorduras.

18) Goji Berry: combate o diabetes e controla o colesterol, além de auxiliar no tratamento da hipertensão.

19) Amora: embora tenha um alto índice glicêmico, ela acelera a liberação da insulina, melhorando, assim, a síntese da glicose. Ela também tem função de normalizar a pressão arterial.

20) Laranja: além de ser fonte de vitamina C, é importante na imunidade e, por ser rica em fibras, ajuda o intestino a funcionar com regularidade. Possui potássio, que auxilia no controle da pressão arterial, favorecendo a saúde cardiovascular.

21) Berinjela: devido a sua alta concentração em fibras, o açúcar no sangue passa a ser absorvido com mais lentidão, contribuindo para o controle dos níveis glicêmicos.

22) Batata-doce: está aliada à dieta dos atletas, pois é muito rica em carboidratos complexos (aqueles que são reabsorvidos lentamente pela corrente sanguínea, e que demoram a se transformar em açúcar), estabilizando-se, dessa forma, os níveis de glicose no sangue.

23) Cenoura: contribui para a saúde da pele e da visão, pois é rica em betacaroteno. É rica em vitaminas, sais minerais, substâncias antioxidantes e fibras, trazendo a sensação de saciedade prolongada. Por isso, está associada ao equilíbrio de toda a saúde, inclusive ao diabetes.

24) Pimentão: é rico em antioxidantes que, como já escrevi antes, possui uma quantidade excelente de antioxidantes (que diminuem os radicais livres produzidos pelas células). Possui uma substância chamada capsaicina, substância capaz de atuar contra o mau colesterol (LDL) e o diabetes.

25) Ervilha: é rica em ácido fólico (ideal para proteger a saúde do coração. Como é rica em fibras, auxilia no combate ao diabetes e ao mau colesterol.

26) Feijão Branco: contém uma substância chamada faseolamina que tem a função de impedir a absorção de cerca de 20% dos carboidratos presentes nos alimentos ingeridos. Vantajoso, também, para os diabétricos.

27) Rúcula:(verduras verde-escuras): controla o diabetes, além de possuir cálcio, ferro, fósforo e fibras, nutrientes capazes de reforçar o sistema imunológico e de controlar a glicemia. Ela destaca-se como um a das melhores folhas do meio nutricional já que possui um número grande de nutrientes.

28) Couve: tenho apenas a dizer que a couve-folha é a rainha das hortaliças; com ela, o nosso organismo só tem a ganhar.

29) Chia: seu alto teor em fibras é capaz de afastar o diabetes. Seu alto teor em fibras promove a sensação de saciedade, contribui para o bom funcionamento dos intestinos além de influenciar na velocidade com que o açúcar chega à corrente sanguínea.

30) Cúrcuma: possui ação anti-inflamatória, auxilia no processo de emagrecimento e no controle do diabetes já que melhora a tolerância à glicose e à insulina, estabilizando os níveis de açúcar no sangue.

31) Canela: além de conter substâncias antioxidantes e componentes anti-inflamatórios, pode-se incluí-la na dieta dos diabéticos pelo seu teor adocicado, ideal para substituir o açúcar e o mel. Ela auxilia também no controle das taxas glicêmicas.

32) Alho: controla a pressão arterial, devido a uma substância chamada alicina. Tem ação anti-inflamatória, antifúngica e anticancerígena.

33) Orégano: poderoso tempero que age contra os radicais livres (promotores do envelhecimento celular); dificulta também o acúmulo de gorduras nas artérias, favorece a digestão e controla o diabetes.

34) Aveia: reduz os níveis de colesterol, promovendo a saúde cardiovascular, melhora a prisão de ventre (fator de risco para o câncer de intestino), é hipoglicemiante, pois auxilia na taxa glicêmica.

No ano de 2015, o Brasil foi o maior produtor de alimentos com agrotóxicos. Nos últimos anos, houve um crescimento do interesse das pessoas em relação à saúde. Com isso, começou-se a investir em uma alimentação mais saudável, resultando nos alimentos orgânicos, oriundos de uma agricultura sustentável, preocupada com o meio ambiente. Na produção de alimentos orgânicos não é permitido o uso de produtos químicos sintéticos prejudiciais à saúde humana e ao meio ambiente, tais como: certos fertilizantes, agrotóxicos, controladores de pragas etc.

O Instituto Nacional do Câncer (INCA) afirma que a exposição crônica a estes ingredientes podem causar, além do câncer, infertilidade, impotência, abortos, malformações fetais, neurotoxidade (comprometimento do cérebro), desregulação hormonal e efeitos sobre o sistema imunológico, que podem surgir muitos anos depois do contato com pesticidas. Daí, o surgimento dos alimentos orgânicos como opção mais saudável. Neste caso, não são utilizados os pesticidas, pois eles colocam em risco a saúde do agricultor, do meio ambiente e do consumidor, preservando-se, dessa forma, a saúde humana e ambiental.

Existe também o cuidado especial com a água e o solo, sendo utilizada matéria vegetal e animal para adubação (húmus de minhoca, esterco curtido e adubação com leguminosas).

Alimento é o que a terra nos dá.

O alimento tido como Orgânico é aquele produzido como um organismo vivo; não se coloca veneno na produção.

Alimentação Orgânica combate o uso de agrotóxico; é a forma mais saudável e indicada para o consumo.

Uma pesquisa comprovou que os alimentos produzidos sem produtos químicos possuem maior concentração de antioxidantes em sua composição do que os cultivados com agrotóxicos. As substâncias usadas contra as pragas bloqueia a concentração desses compostos. Os alimentos orgânicos têm maior concentração de nutrientes, como fibra alimentar, proteínas e açúcares, e também alguns minerais como ferro, potássio e selênio. Os alimentos orgânicos têm a desvantagem de possuírem o preço alto e a difícil acessibilidade. Por que? Aqui vão alguns motivos: valor do cultivo especializado, produção em menor escala e os cuidados que vão desde o tratamento do solo, do meio ambiente e remuneração mais justa ao agricultor, além da perda de muitas lavouras e baixa produtividade.

Portanto, em resumo, se nós não associarmos os nossos exercícios físicos a uma alimentação saudável, não vamos obter os resultados esperados para a nossa saúde.

No próximo texto iremos abordar temas mais relacionados à nossa saúde, principalmente doenças que atacam a população de forma silenciosa como o diabetes tipo 2 e a hipertensão arterial.

 

Médico Cadmo Wanderley – cadmowanderley@hotmail.com

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