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Regra de fé

Regra de Fé é um meio lógico, objetivo, pelo qual podemos conhecer as verdades reveladas por Deus. Isso cremos porque, Nosso Senhor Jesus Cristo, ensinou ao mundo sua doutrina, exigindo que todos a abraçassem sob pena de condenação eterna. Logo, nos deve ter deixado um meio fácil e seguro para conhecermos tal doutrina.

Que meio seria este?

Segundo alguns cristãos, esse meio seria unicamente a Bíblia, da forma em que é compreendida por cada indivíduo, seja ignorante ou douto.

Para os que possuem fé católica, esse meio é um magistério vivo, verdadeiro, ou seja, uma Igreja Docente que, por conseguinte, necessita haurir os ensinamentos de Jesus Cristo da Bíblia e da Tradição.

Vejamos as razões para crer que a Bíblia e a Tradição são as fontes onde os padres, homens herdeiros do sacerdócio dos apóstolos, encontram os ensinamentos verdadeiros para na Igreja e pela Igreja, passarem a fé de Cristo e dos apóstolos.

  1. a) Dizemos, antes de tudo, que Jesus, para dar a conhecer ao mundo a sua doutrina, constituiu um magistério vivo, isto é, escolheu certo número de homens, aos quais confiou o múnus e o ofício de pregar a sua doutrina, obrigando todo o mundo a neles crer. Assim provamos:

“Foi-me dado todo o poder no céu e na terra. Ide pois, instrui todas as gentes… ensinando-as a observar tudo o que vos mandei; e eis que eu estou convosco todos os dias até à consumação dos séculos”. (Mt. 28, 18)

Ainda mais: “Ide, pregai o Evangelho por todo o mundo. Quem crer e for batizado será salvo, quem não crer, será condenado”. (Mc. 10, 16)

Observemos ainda em Lc. 10, 16 – “Quem vos ouve, a mim ouve. Quem vos rejeita, a mim rejeita, e quem me rejeita, rejeita aquele que me enviou”.

Por tudo isso, fica claro que Jesus deu aos Apóstolos e somente a eles o ofício de pregarem o seu Evangelho; de fato, a passagem citada em Atos 1, 23 – quando se tratou de colocar Matias no lugar de Judas, o traidor, para que o mesmo pudesse pregar o Evangelho com os demais, os Apóstolos recorreram a uma eleição. Ora, esta não teria sido necessária, se Jesus tivesse confiado a todos os cristãos o ofício de pregar o Evangelho, pois Matias, já mesmo antes da eleição, era cristão, discípulo de Jesus Cristo. Se pois, foi necessário uma eleição, quer dizer com isto, que somente aos Apóstolos fora confiado o ofício de pregar o Evangelho.

  1. b) Dizemos, além disso, que este magistério vivo, por vontade do próprio Cristo, deveria durar até o fim dos séculos, em outras palavras, este ofício não deveria acabar com a morte dos Apóstolos, mas devia ser transmitida aos seus sucessores. Com efeito, diz Jesus: “… E eis que eu estou convosco todos os dias até à consumação dos séculos”. (Mt. 28, 18)

Daí vem a pergunta: Não sabia Nosso Senhor que os Apóstolos não poderiam ficar neste mundo até o fim dos séculos, para ensinar a todas as gentes a sua doutrina? É óbvio que sabia. Portanto aqui ele fala àqueles que deveriam ter sucessores até o fim dos séculos, nessa função magistral de pregar o Evangelho e assim, a sua doutrina.

Os Apóstolos compreenderam muito bem esse mandamento. Observemos o que São Paulo escreve a Timóteo: “O que de mim ouviste por muitas testemunhas, ensina-o a homens fiéis, que se tornem eles também idôneos para ensinar a outros”. (II Tim. 2, 2)

  1. c) Ainda dizemos, enfim, que tal magistério é infalível, isto é, não pode ensinar erro sobre a fé, observando ainda o trecho de Mt. 28, 18. Jesus aqui impõe aos Apóstolos e aos seus sucessores ensinar o que Ele ensinou e ensiná-lo até o fim dos séculos. Lembrando que estará Ele com os Apóstolos, dando-lhes assistência.

Ora, será possível que um magistério assistido por Cristo, que é a própria verdade, possa errar? Claro que não. Isso dito, em matéria de fé que é a matéria tratada por Jesus. No entanto, não se exclui aqui a preferência de Cristo pelos pobres, ou seja, se alguém não toma por fé a escolha de Jesus pelos mais necessitados incorre em erro e foge, portanto, da verdadeira pregação do Cristo, posto, pois, fora desse magistério.

Vale ainda salientar que em Jo. 14, 16 e 26, Jesus diz: “Eu rogarei ao Pai e Ele vos enviará outro Consolador, para que fique eternamente convosco, o Espírito de verdade… Ele vos ensinará todas as coisas e vos recordará tudo o que vos tenho dito”.

Assim, mais ainda, pode haver erro onde está o Espírito de verdade? Impossível, digo eu, desde que esse magistério, repito, conserve aquilo que o Senhor falou.

Visto que o Magistério é REGRA DE FÉ, falta-nos perceber de onde esse mesmo vai haurir os ensinamentos de Jesus: quais sejam a Divina Escritura e a Tradição.

A Divina Escritura é a palavra de Deus contida nos livros que Ele mesmo inspirou, ou seja, a Bíblia, o livro dos livros.

A Tradição é também a palavra de Deus que não foi escrita, mas transmitida, ensinada de viva voz por Jesus Cristo e pelos Apóstolos.

Há quem tente refutar a Tradição afirmando não haver verdade revelada que não se ache na Bíblia. Aqui digo que há. A própria Bíblia o declara. “Estai firmes, irmãos, e conservai as tradições que aprendestes ou de viva voz ou por epístola nossa”. (II Tess. 2, 4). Ainda no capítulo 3, verso 6 acrescenta: “Nós vos prescrevemos, em nome de Nosso Senhor Jesus Cristo, que vos aparteis de todos os irmãos que andam desordenadamente e não segundo a tradição que receberam de nós”.

Ainda podemos observar em II Tim. 1, 13 que Paulo exorta-o: “Toma por modelo as santas palavras que me tens ouvido na fé” Em I Cor. 11, 2 ele congratula-se com os fiéis porque haviam conservado as suas instruções: “Eu vos louvo, irmãos, porque em tudo vos lembrais de mim e guardais as minhas instruções como eu vo-las ensinei”. Quais seriam essas instruções senão aquelas dadas de viva voz, uma vez que esta era a primeira carta que ele escrevia àquela comunidade?

Igualmente a São Paulo, São João no seu Evangelho diz: “Muitas outras coisas há que fez Jesus, se elas fossem escritas uma por uma, suponho que nem no mundo inteiro caberiam os livros que se escrevessem”. (Jo. 21, 25) e quando no final de suas últimas epístolas, diz que não quis confiar tudo à tinta e ao papel, deixando para fazê-lo de viva voz.

Assim, concluo que nem tudo o que Jesus e os discípulos ensinaram, foi escrito. Há verdades que ensinaram de viva voz; por isso a Tradição existe e dela e da Bíblia os sucessores dos Apóstolos, a Igreja de Deus, vai haurir os ensinamentos.

Por fim, relembro que esse Magistério é prolongado pela sucessão dos Apóstolos e não por uma imposição de um Império. A Igreja de Jesus, os seus Apóstolos, vêm firmes no tempo como magistério vivo, não como império vivo. É necessário ter a fé e essa fé é universal, católica e apostólica, no entanto não se abriga em um império humano.

A fé em Jesus Cristo é proposta e não imposta. O Reino de Deus é apontado, mostrado e não colonizado. Embora o Magistério Vivo seja único, o é no sentido das verdades reveladas, nunca das verdades criadas para satisfazer essa ou aquela comunidade. É necessário viver a fé dos apóstolos e não a fé imposta.

Frei Fábio

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