Início Um pouco da Escola Austríaca de Economia

Um pouco da Escola Austríaca de Economia

Mises X Marx

Por não ter frequentado nenhuma universidade econômica, os dados relatados, neste artigo, foram retirados de alguns livros e artigos os quais li sobre a teoria da escola Austríaca de economia, que tem como principais nomes o Carl Menger, Böhm-Bawerk, Hayek e o Von Mises. No Brasil, um grande economista e defensor da escola Austríaca, o Rodrigo Constantino relatou, em um dos seus livros, que tem sido omitido, nas universidades brasileiras de economia, o pensamento econômico austríaco, já que, nas faculdades brasileiras de economia, o keynesianismo e, por incrível que pareça, o marxismo, pois debater o modelo idealizado por Marx na economia é ainda discutir se a Terra é redonda ou quadrada nos dias de hoje, são os pensamentos mais difundidos e injetados nos estudantes universitários de economia em nosso país, por isso que essa escola de pensamento econômico é tão desconhecida pelo nosso povo.

A Escola Austríaca ficou bastante conhecida por ser o modelo econômico que mais refutou a ideia do socialismo científico de Marx e Engels; sem, portanto, ser questionada pelos Marxistas da época, como os Soviéticos, já que, em 1922, no período da consolidação dos bolcheviques na Rússia, Ludwig Von Mises condenou o socialismo com a teoria da impossibilidade de estabelecer o cálculo do valor econômico numa economia planificada (socialista), utilizando alguns estudos de Carl Menger, que previa a determinação dos preços de acordo com o nexo causal existente entre o bem e o atendimento das necessidades humanas em consumir este produto (valor subjetivo). Para a escola Austríaca, O valor não é algo inerente aos próprios bens, mas “um juízo que as pessoas envolvidas em atividades econômicas fazem sobre a importância dos bens de que dispõem para a conservação de sua vida e bem-estar”. Os bens têm valor de acordo com o julgamento das pessoas. Para Carl Menger, o valor é, por sua própria natureza, algo totalmente subjetivo, a essa teoria se deu o nome de utilidade marginal.

Os economistas da escola Austríaca retiraram do foco a ideia comunista de que todos os bens, sob o aspecto econômico, são apenas produtos do trabalho, a qual ignorava, totalmente, o fator subjetivo e a utilidade do lado da demanda. Essa teoria Marxista não leva em conta que o fato de o trabalho árduo ter sido empreendido num determinado produto não é garantia de que o resultado terá valor pela ótica do consumidor. No livro O Capital, escreveu Marx: “Como VALORES, todas as mercadorias são apenas medidas de tempo de trabalho”.  Ficando claro, leitor, que uma das grandes diferenças existente entre a escola Austríaca e o Marxismo é que este atribui um valor objetivo ao bem; enquanto aquele, um valor subjetivo. A título de exemplo, podemos imaginar uma grande e pesada joia de ouro, como uma corrente grossa para pescoço, e uma garrafinha de 500 ml com água, partindo do pressuposto que economia é a ciência da “ESCOLHA”, será que uma determinada pessoa, no seu intrínseco desejo subjetivo, em um deserto, com escassez de água, vai “escolher” por qual bem? Qualquer pessoa no usa da sua razão irá optar pelo consumo da água na garrafinha de 500 ml, isso é obvio.

Para que um bem possa, de fato, ser denominado econômico, é necessário que o produto seja escasso na natureza, ou seja, sua oferta seja limitada, e, devido à escassez e à limitação, é importante que as instituições produtoras de bens possam gerenciar a sua alocação de forma racional, para que esse bem seja produzido de forma eficiente, eficaz e que traga impactos para a sociedade, ou seja, efetividade. Para isso, é importante saber o valor desse produto e, como antes foi dito, a escola Austríaca atribui ao bem um valor “subjetivo”; não sendo, portanto, algo inerente ao próprio produto. Porém, quando esta alocação é feita através da atribuição objetiva, modelo defendido pelo socialismo, isto é, que o valor do bem é intrínseco a ele pelo trabalho nele depositado, as instituições não conseguem mais identificar em qual lugar se necessita mais ou menos de um determinado produto, já que o bem ganha um valor FIXO, por meio de políticas econômicas do governo. Já o valor do bem, julgado por atender ou não as necessidades humanas, é um importante sinal de que, em alguma região, há mais prioridade desse bem, pois as pessoas irão atribuir mais ou menos valor a depender do produto ofertado pelo mercado e sua necessidade de consumi-lo. Esse é um dos pontos mais marcantes da refutação socialista pela Escola Austríaca; claro, existem várias refutações, porém a alocação de recursos é o ponto que mais se vê na prática, a exemplo de Cuba, que faz, por parte do governo, um rigoroso controle do consumo dos bens devido à escassez e à falta de geração de riqueza no país, justamente pela má alocação do pouco que se produz por lá.

Peterson Ribeiro

Print Friendly, PDF & Email
Deixe seu comentário!