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ASTRAL emite nota repudiando nomeação de diretor do Teatro Municipal inacabado em Patos

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O prefeito Dinaldo Filho nomeou Aldo Alves Fernandes Júnior para diretor do Teatro Municipal de Patos e o presidente da ASTRAL (Associação do Trabalhador Cultural), Damião Lucena, está divulgando, na imprensa e nas redes sociais uma nota, em nome da ASTRAL, de repúdio a essa nomeação.

Confira a nota: 

“É público e notório que a Cultura de Patos nunca teve, do Poder Público, o tratamento que merece. O grande potencial artístico da capital do sertão da Paraíba é meritório da aptidão de talentos diferenciados em vários setores das artes, responsáveis por referenciais importantes de nossa terra. Vale registrar, no entanto, algumas iniciativas, fruto da luta empreendida pelos ativistas culturais, que encontraram certa ressonância da administração, a exemplo da Concha Acústica Nilson Batista, ideia e bandeira da ASTRAL e SINDICULTURA, além da construção do Teatro Municipal, motivo da repercussão presente, nos seguintes pontos:
1º – A iniciativa, do então vereador José Mota Victor, de nomear a obra com a memória de um dos vultos da vida política de Patos, por vezes escritor, Ernani Sátyro, teria sido destacável senão fosse uma atitude precipitada, com intuito de agradar aos seus familiares e seguidores, numa espécie de precaução na disputa reprovável entre os legisladores, pelo fato de constituir um mero projeto sem a certeza de consolidação. Surge de nós a indagação: não já estaria no tempo do Poder Legislativo instituir no seu regimento ou legislação a proibição de denominação de obra planejada ou imaginada e não concluída?
2º – Quando achávamos que a mera criação da Secretaria de Cultura, do Fundo de Cultura sem qualquer valor (Fundo sem fundos), inclusão no Sistema Nacional sem a conquista de nenhum projeto, indicação de titulares não comprometidos com a causa, os quais nada conseguiram de concreto a não ser criar uma disputa entre agentes artísticos, vendo-os como concorrentes e não aliados, nos chega à decisão do novo governante em nomear o diretor de um órgão que não existe, sob a alegação de que o cargo constaria em um cronograma. Surge, então, a segunda pergunta: a obra do teatro estaria necessitando de um diretor ou de gari e vigilância para preservar o que já foi feito, evitar o vandalismo instituído e não permitir a sua utilização por usuários de drogas?
3° – Não bastasse à indicação de um profissional da Educação Física para a condução do setor cultural, chega-nos a nomeação, de forma intempestiva, de um comerciário, por mera aproximação política, para absorver parte dos recursos de um setor já massacrado e sem dotação que só consegue mostrar seu valor graças aos valores humanos de nomes destacáveis na música, artes plásticas, artes cênicas, artesanato, literatura e muitos outros ramos culturais. Não seria um ato claro de corrupção a assinatura da Portaria 276, nomeando alguém para receber por um cargo que, na prática, não existe?
4º – É tentar desmerecer a inteligência humana, porque a atitude em evidência mancha a perspectiva anunciada em campanha pelo atual prefeito e provoca a grita dos setores comprometidos com a ética própria dos honestos, digna dos homens e mulheres de bem, verdadeiros donos do patrimônio público, que se vêm delapidados em seus direitos. A Cultura espera mais daqueles que se dizem cultos e que em curto espaço já deixam margens para críticas de avaliações que, normalmente, só acontecem depois de um determinado tempo. Seria a mostra da carapuça que apenas estaria por vir?
5º – A ASTRAL – Associação do Trabalhador Cultural manifesta a sua indignação e espera da parte dos órgãos de fiscalização a tomada de providências para que atitudes irresponsáveis não façam parte da atuação dos que detêm a responsabilidade de administrar o Erário Público e, de forma deslavada, lançam mão da caneta, como arma poderosa, para satisfazer os seus egos familiares e políticos, esquecendo-se que são pagos não para pagar pelo que não foi feito, mas para dinamizar a utilização das verbas em consonância com os anseios coletivos. Entendemos que a Portaria 276 é imoral e deve ser tornada sem efeito imediatamente.”

Patos-PB, em 06 de janeiro de 2017.

Damião de Lucena Lima
Presidente da ASTRAL

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