
Morreu em João Pessoa, aos 95 anos, a senhora Maria das Neves de Sá Figueiredo (Nevinha), de 95 anos. Dona Nevinha morou por muitos anos em Patos, na Rua do Prado, vizinho à casa do saudoso deputado José Gayoso.
Era viúva do empresário José Torres de Figueiredo (Torrinho) e deixa uma filha: Raquel Soares.
O corpo está sendo trasladado e deverá chegar a Patos no começo da noite. O velório vai acontecer na Rua do Prado, na casa onde ela morou por muitos anos; e o sepultamento será nesta quinta-feira, 06/09, no Cemitério São Miguel, no Belo Horizonte, em Patos.
Dona Nevinha foi radialista em Patos, a primeira voz feminina a ser ouvida nos lares patoenses através das ondas da Rádio Espinharas.
Veja abaixo o que escreveu sobre ela o historiador Damião Lucena em seu livro Patos de Todos os Tempos:
“Em 02 de agosto de 1950, um dia após a inauguração oficial da Rádio Espinharas de Patos, por uma coincidência do destino, motivada pela ausência do locutor Amilton Carlos, residente em Pombal, surgiu à primeira voz feminina da nossa emissora pioneira: Maria das Neves de Sá Figueiredo (Nevinha). Quase que por uma imposição do Dr. Quinídio Sobral, então diretor, a jovem que se encontrava no veículo de comunicação deveria apenas preencher uma lacuna momentânea, no entanto acabaria descobrindo uma de suas vocações e seria efetivada na função de locutora, titular do programa Cartão Sonoro, musical apresentado no período da manhã.
Filha de João Soares Nascimento Melo e Cecília Soares de Sá, Nevinha nasceu na rua do Prado, tendo como irmãos: Maria da Guia, Socorro, três de nome Luiz (em virtude do falecimento prematuro dos dois primeiros), Inácio, Marluce, Anete e João. Seu pai, depois da atividade agrícola, na condição de arrendatário do sítio Santana, tornou-se conhecido como comprador de algodão e peles de animais. Ainda criancinha, nossa personagem registrava como primeira façanha o fato de ter escapado ilesa da travessia da rua do Prado, quando ainda se arrastava, momento em que o carro de Chico Wanderley (o primeiro automóvel de Patos), transitava na referida artéria, ficando ela entre as rodas e pregando um grande susto na mãe.
Nevinha teve os primeiros contatos com as letras, na condição de aluna da professora Candú, irmã do mestre João Norberto, na avenida Solon de Lucena. Mais tarde frequentou a escola de Lourdes Vieira, na rua em que nasceu, sequenciando o processo educacional no Rio Branco, com as irmãs: Eudócia e Nelita Queiroz. Por decisão dos seus pais, passou a ser interna do Colégio das Damas Cristãs da Imaculada Conceição, em Campina Grande, concluindo o Ginásio em 1942, antes de ingressar no curso Normal, na cidade de Patos, paralelo ao trabalho desenvolvido em sua própria escola, instalada no cruzamento das ruas Prado e Nego. Também foi professora dos colégios Cristo Rei e Diocesano, onde era responsável pelo Admissão. Na Prefeitura, ocupou as funções de inspetora e diretora da Rede Municipal de Ensino.
Em meio às coincidências da vida, Nevinha que sempre foi muito religiosa e na juventude gostava de participar de velórios e sepultamentos, no retorno do enterro do senhor Januário de Oliveira, fitou aquele que seria o seu futuro esposo. O noivado aconteceu em 23 de maio de 1958, com casamento em 06 de dezembro do mesmo ano, às 6h, celebrado por Monsenhor Vieira. José Torres de Figueiredo (Torrinho), que tinha como atividade uma revenda de gasolina, depois foi sócio de uma casa de peças de veículos em Pombal e dono de mercearia no bairro Belo Horizonte, antes de ingressar na atividade definitiva de Lotérica, seria seu companheiro durante 58 anos. O filho de Severino Figueiredo de Araújo e Joana Torres de Figueiredo, faleceu em 11 de dezembro de 2013. Do enlace matrimonial nasceu apenas uma filha, Raquel Soares de Sá Figueiredo e três netos: Priscila, Larissa e Renê Filho. Em 2014, quando completou 91 anos de idade, Nevinha já tinha uma bisneta de nome Ester.
As aptidões artísticas, inseridas no contexto existencial de Dona Nevinha, começaram a ser exploradas a partir do artesanato, chegando a ser instrutora na confecção de flores artificiais, durante cursos e oficinas realizados no SESI – Serviço Social da Indústria, atendendo convite de Ignácia Rosa de Lima. Ela também se especializou na confecção de enxovais, vestido de noiva, bordados e outras particularidades da costura. No tocante as artes plásticas, chegou a frequentar, por pouco tempo, o ateliê de Irmã Madalena, que no primeiro momento já a reconheceu como profissional. Muitas são as telas espalhadas Brasil afora, retratando com perfeição o real e o imaginário. Aos 86 anos, ela pintou um pescador, que mantém em um dos cômodos de sua residência, na Rua do Prado e em 2014 finalizava um quadro de Santa Cecília, admirado pelo padre José Ronaldo, pároco da Catedral de Nossa Senhora da Guia, pela perfeição dos detalhes.
Relembrando com saudade á época de juventude, rememora a elegância das moças, rapazes, senhoras e senhores no caminho das missas dominicais, onde a elegância predominava no bom gosto como fator preponderante. Roupas trabalhadas, chapéus e luvas, prevaleciam em meio aos acessórios indispensáveis. Outro ponto inesquecível eram as festas de setembro com suas tradicionais rainhas e uma variedade de atrações, em meio à criatividade do povo do seu tempo.”
Folha Patoense – folhapatoense@gmail.com






