O Brasil não está na lista provisória de quase 80 chefes-de-estado e de governo que participarão neste final de semana de uma cúpula do clima, organizada pela ONU, França, Reino Unido, Itália e Chile. No Itamaraty, porém, a informação é de que o Brasil ainda participará do evento.
A reunião virtual tem como meta marcar os cinco anos do Acordo de Paris. Mas os organizadores optaram por transformar o evento num marco dos compromissos dos governos. A condição para que um líder participe é que ele deve novas metas ambiciosas de redução de emissões ou de preservação da floresta.
Caso não houvesse nada para anunciar, a recomendação era de que o governo deveria evitar a participação.
O governo, em meados da semana, apresentou suas metas para 2060. Mas a estratégia se transformou em um fiasco, com os objetivos sendo considerados como inferiores ao que se esperava do Brasil. Entre os organizadores da cúpula, o entendimento foi de que tais metas não eram suficientes para incluir o país.
Numa primeira lista de participantes reveladas nesta quinta-feira, os organizadores não colocaram o nome do Brasil. A diplomacia nega a ausência e indica que estará presente e, procurado, o Palácio do Planalto não se pronuncia. Nos bastidores, a coluna apurou que o governo tenta convencer os organizadores de que as metas são reais e que, portanto, o Brasil deveria ser incluído.
A lista, porém, traz as principais economias do mundo: China, Europa, Japão, Canadá e Índia. Mas Rússia e EUA não fazem parte da lista preliminar.
Na América Latina, estão confirmados: Argentina, Chile, Colômbia, Costa Rica, Cuba, Equador, Guatemala, Honduras, Panamá, Peru e Uruguai.
Ao longo dos últimos meses, Bolsonaro e seus ministros têm usado reuniões internacionais para atacar países estrangeiros, e raramente para apresentar projetos concretos sobre o que tem feito parar frear o desmatamento.
Tal postura, segundo revelam negociadores em Nova Iorque, não será bem-vindo na próxima cúpula. A realidade é que o desmatamento no Brasil colocou o governo de Jair Bolsonaro numa saia-justa inédita e numa encruzilhada internacional.
Num recente discurso nesta semana, o secretário-geral da ONU, Antonio Guterres, mandou mensagens cifradas para Brasília. “Vemos sinais preocupantes”, disse o português. “Alguns países estão usando a crise para desmontar proteções ambientais”, alertou. No primeiro semestre, o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, indicou que o governo deveria usar o momento da pandemia para “passar a boiada” no que se refere à desregulamentação.
Guterres também chamou a atenção de países que estão “expandindo a exploração de recursos naturais e desfazendo ambições climáticas”.
Jamil Chade – Colunista do UOL






