Crônica da Quinta
Urbe de Banana
“O mundo é bom comigo até demais, pois vendendo bananas
Eu pretendo ter o meu cartaz, pois ninguém diz prá mim
Que eu sou um palha no mundo, ninguém diz prá mim: Vai trabalhar vagabundo”.
O verso da música de Jorge Ben Jor, “O vendedor de bananas” empresta poesia para uma reflexão: sempre fui contra o jargão que chamava o Brasil como “Republiqueta de bananas”, contudo tive que reformular minha opinião provocado por uma cena lastimável.
Que as coisas no país não andam bem das pernas, isso todos somos sabedores envoltos numa crise sem precedentes agravada pela pandemia do Covid-19, a economia abalada e o tecido social rasgado de ponta a ponta da república, quase não federativa.
No liquidificador dos municípios tudo vai junto e misturado, obrigações e deveres, desafios e conquistas, mas jamais imaginara que pudesse bater um carrinho de bananas, com o dissabor da revolta e litros de lágrimas de pobres buscando o pão de cada dia através do trabalho informal.
A banana, fruta rica em vitaminas (C, B1, B2 e B6) e nos minerais cálcio, ferro, potássio e fósforo foi na realidade um ingrediente sem gosto na vitamina da insensibilidade por parte do governo municipal na ânsia de cumprir a lei.
Evidentemente que a reorganização do espaço público, a garantia do plano diretor ou mesmo o ordenamento econômico são desafios de qualquer gestão, não diferentemente de uma cidade em crescimento como é o caso de Patos.
Foi de cortar o coração os vídeos ou fotos de simples trabalhadores tendo seu único meio de sobrevivência confiscado num momento tão delicado, desemprego crescente, falta de oportunidade, agravamento da crise sanitária e tantas incertezas.
Desceu de goela abaixo e sem gosto a cena e me pus num processo de empatia a pensar na outra ponta da história, a família que no fim do dia aguarda o mísero fruto da venda da fruta para ter comida na mesa. Como sobreviverão?
Se faz urgente que se discuta uma renda básica miníma que garanta aos vulneráveis socialmente, o sustento, um espaço onde se possa dignamente induzir o pequeno comerciante, o vendedor de bananas a seguir sua sina por melhoria na qualidade de vida.
Não penso que aquele homem ou mulher simples que dirige seu carrinho de mão a oferecer bananas a preço de banana deseje viver da esmola ou do assistencialismo barato ou populista, simplesmente quer ter garantido sua renda familiar.
Bom senso e sensibilidade poderiam acompanhar essa vitamina indigesta ocorrida em nossa “Urbe de Banana”.
Carlos Ferreira da Silva – Acadêmico de Pedagogia – UNIFIP – carlosfsilva2010@gmail.com







