O padre Júlio Lancellotti, coordenador da Pastoral Povo da Rua de São Paulo (Imagem: Antônio Molina/Zimel Press/Estadão Conteúdo)

A decisão do ministro Kassio Nunes Marques, no STF, de liberar os cultos presenciais, permitindo que templos fossem lotados no domingo de páscoa em plena pandemia, é contestada por religiosos e entidades.

Um dos críticos é o padre Júlio Lancellotti, que alerta que a medida proposta é “descabida e enviesada, na medida que ele coloca que a essencialidade da liberdade religiosa tem de ser respeitada tendo os templos abertos”.

Lancellotti é um pedagogo e presbítero católico. Por 35 anos, atua como pároco da Igreja de São Miguel Arcanjo no bairro da Moóca e é vigário episcopal para a população de rua da Arquidiocese de São Paulo.

“Eu contraponho essa questão. A essencialidade da liberdade religiosa é a solidariedade, a fraternidade e a defesa da vida. E não o templo ou a presença no templo”, disse à coluna.

“A essência da liberdade religiosa é poder viver tua religião na dimensão social, na dimensão comunitária. O templo é um detalhe, é um espaço, um local. Não o essencial”, insistiu.

“Você pode viver a tua religião sem ter templo, como no primitivo cristianismo”, afirmou.

Já Romi Bencke, secretária-geral do Conselho de Igrejas Cristãs do Brasil, indicou que tem uma “posição de não abertura das igrejas” diante da pandemia. “Nossas igrejas membro elaboraram protocolos sempre seguindo as orientações nos estados e municípios”, disse.

A entidade é composta pela Aliança de Batistas do Brasil, Igreja Católica Apostólica Romana, Igreja Episcopal Anglicana do Brasil, Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil e Igreja Presbiteriana Unida.

“Geralmente, quando fazem celebrações com possibilidade de participação presencial, realizam celebrações híbridas, limitando o número de pessoas nas igrejas”, explicou.

“Nós realizamos toda uma campanha ecumênica toda virtual e, particularmente, minha posição é pela não abertura”, disse. “Esse é o melhor serviço público que podemos oferecer”, completou.

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