Crônica da Quinta

Alça Pirulito

Parece que estou inexoravelmente preso em minha infância. Não sei se isto é bom ou ruim mas vivo uma espécie de Síndrome de Peter Pan — a eterna criança que nunca cresceu.

As memórias me rodeiam e me remetem sempre ao passado, e consigo ver coisas atuais da minha rotina com os mesmos olhos de menino de outrora.

Contudo, o tema não é nada infantil e nem de longe lembra a candura de minha meninice.

Que a cidade de Patos tem enormes problemas todos somos testemunhas, e que alguns se arrastam tempos a fio é uma realidade premente.

Dentre tantos, vejo-me na obrigação de relatar a situação que vivo a cada fim de tarde quando faço minha caminhada (único exercício que me compraz).

Todos somos unânimes em reconhecer a importância da Alça Sudeste como grande obra viária e de mobilidade urbana, que desafogou o trânsito da Capital do Sertão, desviando sobretudo, carros pesados e caminhões.

Logo por esta característica se imagina que o material utilizado na construção da referida obra deveria levar em conta esta característica peculiar, dando forma mais robusta para suportar a pressão e altas cargas no tráfego da alça.

Além desta funcionalidade, a alça tem proporcionado ao povo de Patos a prática de esportes como a caminhada, corrida e ciclismo.
Recentemente, a alça sofreu intervenções em uma operação denominada “tapa buraco”, entretanto, parece que os buracos ou não foram tapados adequadamente ou sofreram uma mutação ou multiplicação.

E, hoje, sua principal finalidade foi desvirtuada ou desviada, porque os buracos fazem invejam a qualquer bom dinossauro com suas pegadas que marcaram uma outra cidade paraibana, tornando a alça intransitável.

Exatamente neste contexto que me veio a lembrança da infância. Passava sempre um homem nas proximidades de minha casa vendendo pirulitos — doces sempre enchem os olhos — o que chamava atenção era o tabuleiro que tinha vários buracos para exposição dos pirulitos.

Não sei se a Alça Sudeste já dispõe de nome, obras públicas merecem uma nomenclatura a altura, indico que batizemos a nossa como “Alça Pirulito” não por ser doce mas por acumular buracos como num tabuleiro asfáltico.

Esperamos que esta situação seja resolvida e não seja necessário sermos testemunhas de acidentes, inclusive como já visto com vítima fatal ou recentemente quando um parlamentar quase foi atropelado se não fosse seu poder de reflexo célere.

Salientamos que não adianta como diz o ditado popular, tapar o sol com a peneira, ou neste caso tapar os buracos sem refazer a malha asfáltica ou então veremos só aumentar a tábua de pirulito da “Alça Pirulito”.

Para não ser atacado de fazer a crítica pela crítica nesta crônica lhes dou um spoiller ou consultoria gratuitamente: usemos os recursos próprios de nossa autarquia “STTRANS” ou lutemos por emendas parlamentares que garantam a reconstrução do asfalto desta tão importante obra para a cidade de Patos.

Carlos Ferreira da Silva – Acadêmico de Pedagogia – UNIFIP – carlossilva@pedag.fiponline.edu.br