Crônica da Quinta

Revolta dos Santos Juninos

Fim de tarde do último dia do mês e o inesperado ocorre: chuva no sertão.

Até aí normal por que minha mãe já alertara baseada na previsão do tempo do jornal que assiste religiosamente na  TV que viria uma rebarbazinha pra cá.

Aquilo me fez metaforizar seria uma “chuva de fim…”

Chuva de fim de tarde, chuva de despedida do mês junino ou choro dos santos que não foram devidamente celebrados.

Santo Antônio, com seu martelo dos hereges a explodir por tanta iniquidade e corrupção da humanidade.

São João puxando o carneirinho sem sanfona, zabumba e triângulo e o forro – canto quase sacro a lhe homenagear.

Mas tem São Pedro, o aquífero celestial ou simplesmente porteiro do céu que não tem parado esses dias de pandemia, infelizmente com tantos novos inquilinos.

E, sem falar em São Paulo que embora não retratado na cultura junina no contexto santoral é figura carimbada.

Eita, seria o caso de uma revolta dos Santos juninos contra os fogos barulhentos, as fogueiras acesas e corações apagados, ao som clandestino que nem de longe são entoados por almas convertidas.

Um lamento em forma de gotículas a lavar quem dera de uma vez por todas um pequeno vírus que assola o gênero humano ainda mais desumanizado.

Tomara que independente do credo não recaía sobre nós a irá da insensatez, da indiferença ou desesperança diante dos sinais apocalípticos que nos rodeiam, causa e causador de origem bem conhecida: nós mesmos.

Se é revolta dos Santos juninos, não sei mas que algo de errado não está certo, eu sou convicto numa ladainha rotineira.

Carlos Ferreira da Silva – Acadêmico de Pedagogia – UNIFIP – carlossilva@pedag.fiponline.edu.br