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Muitos romancistas brasileiros falam em suas obras das fantasias – muitas vezes, extravagantes – absolvidas na puberdade pelos adolescentes, onde há todo um período de transformação física e mental que influência o comportamento deles – naquela fase – em razão da passagem vivenciada na adolescência.

José Lins do Rêgo, nos romances: “Menino de Engenho” ou em “Doidinho”, associa ao personagem “Carlinhos”, uma dessas fases, quando fala da paixão dele por Maria Luísa.

Outros romancistas também, falam de suas paixões alucinantes, através de suas obras literárias, tanto nos romances, quanto nos versos e nos poemas. Na verdade, é um tema que envolve toda uma análise da transformação do ser – ainda sem uma personalidade definida – para a sua formação adulta; na formação do seu caráter próprio e definitivo.

Assim, entendo que todo adolescente passou por essa fase de mudança, tendo, portanto, cada um, uma história pessoal para contar!

Com base nessa interpretação ou nessa vivência de vida, procurei expressar um pouco desses momentos de sonhos e fantasias do adolescente, nessa sextilha abaixo.

Vejamos!

Tem menino lá na rua
Que não cansa de espiar
Uma morena faceira
Que só vive a provocar
Balançando os “quadris”
Para os garotos sonhar!

É uma morena robusta
Das ancas arredondadas
Fazendo toda alegria
Animando à gurizada
Que corre todos pra vê
Sua beleza acanhada?

Cada qual tem uma história
Para contar e exibir
Se junta uma “réca” danada
Uma “peste” de guri!
Querendo a todo instante
Ver a mulata sorrir!

Quando a maré fica baixa
Só se ouvi um zun, zun!
Vê-se menino correndo
Muitas vezes, correndo nu
Querendo vê à princesa
Na pesca do sururu!

Tem menino se esquecendo
De até se alimentar
Têm uns ficando tão magro
Que já vive a delirar
Ficando desmilinguido
Mostrando os ossos da “pá”!

Mas, como o povo notou
A situação se agravar
Fizeram um abaixo assinado
Para tirá-la de lá
Deixando uma tristeza na rua
E, a garotada a chorar!

Patos, 09/07/2023
Anchieta Guerra