A criação da Universidade Federal do Sertão da Paraíba voltou a ser debatida neste ano. O Projeto de Lei 1496/2011, de autoria do deputado federal Hugo Motta, estabelece que a sede da futura universidade deverá ser no município de Patos. A matéria está atualmente em análise na Comissão de Finanças e Tributação da Câmara dos Deputados, sob relatoria do deputado Hildo Rocha desde abril.
A escolha de Patos se baseia em critérios estruturais, como localização central no Sertão, infraestrutura urbana consolidada, rede de ensino superior diversificada, presença de serviços públicos federais e malha viária estratégica. Embora haja sugestões para que a sede seja instalada em Cajazeiras, especialmente por parte de representantes locais, a proposta original continua sendo defendida como a que mais atende aos princípios de descentralização, regionalização e viabilidade administrativa, considerando o conjunto das demandas do interior paraibano.
A criação da instituição tem gerado novas discussões na região, inclusive em Cajazeiras. O radialista Aristênio Marques, no “Direto ao Ponto” dessa semana, levantou questionamentos cruciais sobre os impactos e o modelo de implementação da nova instituição.
Marques enfatizou a preocupação com a localização da reitoria, mas salientou que Cajazeiras sempre teve um papel proeminente na oferta de cursos federais, desde a época da Universidade Federal da Paraíba (UFPB) e, posteriormente, com a Universidade Federal de Campina Grande (UFCG). Para ele, a criação da Universidade Federal do Sertão deve ser um recomeço.
“Se nós formos criar a Universidade Federal do Sertão eu entendo que ela tem que partir do zero. Ela vai ter que ter uma sede própria, depois disso, ela vai ter um corpo técnico administrativo próprio e obviamente um corpo de professores, os docentes, próprios”, afirmou.
O radialista fez um paralelo com a transição de UFPB para UFCG em 2002, período que ele vivenciou como estudante. Ele descreveu a universidade em 2001 como “sucateada”, com estrutura precária e falta de recursos. Essa experiência o leva a defender que a nova Universidade Federal do Sertão não seja apenas uma readequação do campus da UFCG em Cajazeiras.
“Se ela for apenas para transformar a Universidade Federal de Campina Grande, o campus aqui na cidade de Cajazeiras, em Universidade Federal do Sertão, não vai mudar nada a curto e médio prazo na história populacional estudantil da nossa cidade”, pontuou.
Ele questionou a efetividade de uma simples conversão, levantando a dúvida se o corpo docente atual seria mantido e se haveria um aumento significativo na oferta de cursos. Marques destacou que, nos 20 anos desde a mudança para UFCG, o campus de Cajazeiras adicionou apenas dois cursos de graduação: Medicina e Enfermagem.
Aristênio Marques levantou ainda indagações sobre a linha de formação da futura universidade: “Quais cursos virão para a nova universidade? O que a gente está preparado para transformar? Vai enveredar para Saúde, Exatas, Humanas?”.
Apesar dos questionamentos e da necessidade de um planejamento aprofundado, o radialista reiterou o desejo de que o projeto da Universidade Federal do Sertão da Paraíba se concretize, visando atrair mais estudantes e desenvolvimento para a região.
Assine a petição para a criação da Universidade Federal do Sertão da Paraíba com sede em Patos: https://peticaopublica.com.br/pview.aspx?pi=BR147561
Diário do Sertão com Folha Patoense






