Quando indaguei ao Google acerca da palavra “resenha” recebi como resposta uma série de significados solenes, cerimoniosos e carrancudos, todos inerentes às atividades jornalísticas.

Filho da banda galhofeira da vida, sempre entendi o termo como sinônimo de bagaceira, trola, façanha, zombarias “sãs”, entreveros bravateiros, falatório sem sentido e nonsense. Particularidades também muito familiares ao jornalismo.

O jornalismo – imprensa ou mídia, como prefiram entender -, sobretudo em algumas editorias, adota o termo da forma tradicional, convocando gente séria para resenhar livros, filmes e situações ou fatos importantes para a sociedade. Em alguns setores, contudo, o sentido de resenha como treta se impõe.

O jornalismo esportivo e o político, vez ou outra, descem do salto e caem de boca na resenha mais esculachada e rameira. Do policial não falamos, pois os “dramas e comédias” do setor são um capítulo à parte.

Falando sinceramente, a maior parte do editorial político da mídia nacional é de fundo declaratório. A “arte política” é captada e se impõe com base no “discurso competente” dos diversos atores.

A arengas ideológicas, as pendengas da ganância, as rusgas paroquianas assumem-se fácil como resenhas que, além do riso, expõe o nível das mentalidades que andam por aí exercitando a política.

Essa superfície é o que baliza o debate político nacional. Todos os dias, ao abrir o jornal – expressão denominativa de jornada (consumo) midiática do dia – o leitor depara-se, por baixo, com 80% de declarações vazias, análises infundadas, acusações pérfidas e, algumas vezes, ferrenhas “brigas de foice” verbais. Uma verdadeira esparrela inútil. Sobram 20% para decisões administrativas efetivas e noticiário policial da alta cúpula.

Que se frise, entretanto, que a maioria desses contadores contumazes foi eleita com o discurso da defesa do bem comum, tornando-se “legítimos representantes” do povo. Contudo, não é em nome desse sustentáculo de mandatos que eles gastam a voz.

Alguns nem reconhecem suas existências e necessidades, agem mais como algozes que defensores. Para esses, a “resenha” é o único recurso, a trincheira exclusiva. É dela que eles constroem “no bico” uma sucessão de mandatos.

Por isso, sempre que assisto uma refrega sem sentido, com atores pouco conscientes do papel republicano e democrático, assisto a resenha, torço pela briga e dou nota dez ao afiador de foices.

Edson de França, pessoense, jornalista, cronista e poeta