O debate em torno da criação do Instituto Federal do Sertão, com sede em Patos, ganhou novos contornos após declarações do idealizador da proposta, Pedro Jorge Nunes da Costa, que atribui as críticas recentes a um movimento histórico de resistência à descentralização do ensino superior na Paraíba.

Segundo ele, a iniciativa de criar o IF do Sertão partiu de sua atuação direta e vem sendo defendida há anos, com articulações, diálogos e construção de argumentos voltados ao fortalecimento educacional do interior do estado. “Não se trata de uma ideia repentina. É um projeto amadurecido, pensado a partir das necessidades reais do Sertão”, afirmou.

Nos últimos dias, setores contrários à proposta passaram a alegar falta de debate e de discussão pública sobre a criação da nova instituição. Para o idealizador, esse argumento funciona apenas como uma desculpa conveniente. “Esse discurso só aparece quando o projeto deixa de servir a interesses centralizadores. O debate sempre existiu, mas nunca foi valorizado por quem prefere manter tudo concentrado na capital”, disse.

Ele aponta que há um segmento que insiste em manter o Sertão da Paraíba subordinado a João Pessoa, especialmente no campo educacional. A reação contrária à criação do IF do Sertão, segundo ele, revela apreensão diante de um fato considerado inédito e transformador para a região.

“A interiorização do ensino superior sempre enfrentou resistência. Não por falta de viabilidade, mas porque uma instituição forte no Sertão reduz desigualdades históricas, fortalece a autonomia regional e muda a lógica de dependência que sempre foi imposta”, destacou.

Para defensores do projeto, a instalação do Instituto Federal do Sertão em Patos representa um marco no desenvolvimento regional, com impactos diretos na formação profissional, na economia local e na fixação de jovens no interior. Eles afirmam que o fortalecimento educacional do Sertão não enfraquece outras regiões, mas contribui para um estado mais equilibrado e justo.

O debate segue em curso, mas apoiadores do IF do Sertão reforçam que a discussão central deve ser o futuro da educação e do desenvolvimento regional, e não a preservação de modelos que historicamente concentraram oportunidades e ampliaram desigualdades.

Folha Patoense – folhapatoense@gmail.com