Jogos, brincadeiras e experiências sensoriais fazem parte do desenvolvimento de crianças no espectro autista e contribuem para comunicação, autonomia e bem-estar

O brincar ocupa um espaço relevante na infância, mas, para crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA), ele assume um papel ainda mais significativo. Longe de ser apenas um momento de lazer, as atividades lúdicas funcionam como uma ferramenta de cuidado, aprendizado e expressão, auxiliando no desenvolvimento emocional, social e cognitivo. O brincar estruturado e respeitoso às particularidades de cada criança pode favorecer avanços importantes no dia a dia.

Crianças com TEA podem apresentar desafios na comunicação, na interação social e na flexibilidade de comportamentos. Nesse contexto, o brincar oferece um ambiente seguro para experimentar situações, explorar estímulos e construir vínculos, sem a pressão de respostas padronizadas. A ludicidade permite que a criança se expresse no próprio ritmo, tornando-se um caminho natural para o aprendizado.

O brincar como forma de comunicação

Nem todas as crianças com TEA utilizam a linguagem verbal da mesma forma, especialmente nos primeiros anos. As brincadeiras funcionam como uma ponte para a comunicação. Jogos simbólicos, atividades com bonecos, músicas ou objetos do cotidiano ajudam a criança a expressar emoções, interesses e necessidades.

Durante as brincadeiras, os profissionais e os familiares conseguem observar preferências, reações e formas de interação que muitas vezes não aparecem em outros contextos. Essas observações são valiosas para adaptar estratégias de cuidado e estimular habilidades comunicativas, respeitando as singularidades do espectro.

Estímulo ao desenvolvimento social e emocional

Atividades lúdicas também contribuem para o desenvolvimento social de crianças com TEA. Brincadeiras compartilhadas, mesmo que simples, incentivam a troca de olhares, a atenção conjunta e a compreensão de turnos, aspectos importantes da convivência social.

Além disso, atividades e brinquedos para autismo ajudam a criança a lidar com emoções. Jogos que envolvem regras simples, repetição e previsibilidade podem trazer sensação de segurança, enquanto atividades criativas favorecem a expressão emocional. Com o tempo, essas experiências auxiliam na construção da autoestima e na ampliação da tolerância a frustrações, comuns no processo de desenvolvimento.

Atividades lúdicas no cuidado terapêutico

No acompanhamento terapêutico, o brincar é frequentemente utilizado como recurso de apoio. Psicólogos, pediatras, terapeutas ocupacionais e fonoaudiólogos incorporam jogos e brincadeiras às sessões para estimular habilidades específicas, como coordenação motora, linguagem, atenção e autonomia.

A escolha das atividades leva em conta o perfil de cada criança, seus interesses e sensibilidades sensoriais. Brinquedos sonoros, texturas variadas, jogos de encaixe ou atividades ao ar livre podem ser adaptados para tornar o cuidado mais acessível e envolvente. O objetivo não é impor padrões, mas criar oportunidades de aprendizado por meio de experiências positivas.

O papel da família

Fora do ambiente terapêutico, a família tem um papel fundamental na valorização do brincar. Momentos simples, como montar um quebra-cabeça, cantar músicas ou brincar no quintal, fortalecem vínculos e ampliam as oportunidades de interação.

Ao participar das brincadeiras, os pais e os responsáveis aprendem a reconhecer sinais de interesse e desconforto da criança, ajustando o ritmo e o tipo de atividade. Essa participação ativa contribui para que o brincar seja integrado à rotina, reforçando o cuidado de forma natural e contínua.

Mais do que uma atividade recreativa, o brincar é uma linguagem acessível e potente para crianças com TEA. Ao ser incorporado ao cuidado diário, ele promove desenvolvimento, fortalece relações e amplia possibilidades de expressão. Reconhecer a importância das atividades lúdicas é valorizar a infância em sua diversidade e compreender que, para muitas crianças, brincar também é uma forma essencial de cuidado.