Além da condenações dos denunciados, o MPPB requereu à Justiça o confisco de valores, imóveis, veículos e aeronaves, proveitos do crime, no montante de R$ 17,2 milhões contabilizados em lavagem de dinheiro. “Essa atuação ocorreu em apenas 10 dias, em tempo exíguo, o que mostra a eficácia da cooperação interinstitucional. São ações aviadas de se contrapor às organizações criminosas especializadas no tráfico de drogas”, destacou o coordenador do Gaeco, o promotor de Justiça Octávio Paulo Neto.
A “Operação Puçá” foi deflagrada em janeiro deste ano, a partir de investigação conduzida pela Draco/PCPB, a qual revelou a existência de uma estrutura criminosa voltada ao tráfico de drogas por meios digitais e à lavagem de capitais, com atuação principalmente nas cidades de João Pessoa e Campina Grande.
Segundo a denúncia oferecida pelo MPPB, o grupo abandonou o modelo tradicional de comercialização em pontos físicos e passou a operar um sistema estruturado de venda virtual de entorpecentes, utilizando redes sociais e aplicativos de mensagens para divulgação de catálogos, atendimento a usuários e coordenação logística de entregas.
Já a “Operação Hangar Fantasma” foi deflagrada em dezembro de 2025, pela Polícia Federal, Gaeco e Polícia Militar, com o objetivo de desarticular uma organização criminosa voltada ao tráfico interestadual de drogas, que utilizava o modal terrestre e aéreo para o transporte de entorpecentes, além de promover complexos esquemas de lavagem de dinheiro.
Conforme explicou o coordenador do Gaeco, a ação penal decorre de inquérito instaurado a partir de elementos probatórios obtidos em investigação anterior, cujo compartilhamento foi autorizado judicialmente.
De acordo com a denúncia do MPPB, o grupo possuía estrutura hierarquizada e divisão funcional de tarefas, incluindo núcleos de liderança, gerência, financeiro e logística, voltados à aquisição, transporte e distribuição de entorpecentes provenientes de diversas regiões do país, com destino final ao Estado da Paraíba.
As investigações indicam que a organização utilizava mecanismos típicos de ocultação patrimonial, como transferências bancárias fracionadas, uso de contas de terceiros e empresas interpostas, com o objetivo de dificultar o rastreamento da origem ilícita dos valores e dissimular a titularidade de bens.
Grandes apreensões reforçaram materialidade
Conforme explicou Octávio, a materialidade delitiva foi corroborada por três episódios distintos de apreensão de drogas que, somados, ultrapassaram 980 quilos de cocaína, evidenciando a dimensão operacional do esquema criminoso e sua capacidade logística.
Entre os fatos descritos na denúncia, destaca-se a apreensão de aeronave forçada a pouso emergencial na zona rural de município do Tocantins, ocasião em que foram encontrados mais de 420 quilos de cocaína no interior da aeronave. A investigação apontou indícios de que o avião havia sido adquirido mediante engenharia financeira voltada a ocultar os verdadeiros financiadores.
Outro episódio relevante ocorreu meses depois, quando nova aeronave foi interceptada transportando cerca de 400 quilos da mesma substância. A apreensão foi o resultado de investigação prévia que identificou estrutura clandestina de apoio logístico em solo para recebimento e reabastecimento do avião.
Também foi registrada apreensão de 163 quilos de entorpecente em caminhão com compartimento oculto, fato que confirmou a integração entre os fluxos financeiros investigados e a logística terrestre de transporte.
Investigação técnica e medidas cautelares
O procedimento investigatório baseou-se em análise combinada de dados telemáticos, financeiros e patrimoniais, além de vigilância de campo e interceptações autorizadas judicialmente. Relatórios de inteligência financeira indicaram movimentações incompatíveis com a renda declarada dos investigados, somando mais de R$ 959 milhões em transações suspeitas, bem como aquisições patrimoniais superiores a R$ 4,9 milhões em imóveis e R$ 1 milhão, em veículos.
Como resultado do conjunto probatório, foram requeridas e deferidas medidas cautelares, incluindo buscas, apreensões, bloqueio de ativos e sequestro de bens, com o objetivo de preservar provas, interromper a atividade criminosa e assegurar eventual confisco patrimonial.
Estrutura e alcance interestadual
Segundo o Ministério Público, os elementos reunidos demonstram a existência de organização criminosa estável e articulada, com atuação interestadual e elevado grau de sofisticação, capaz de adquirir aeronaves, financiar operações logísticas e reinserir recursos ilícitos na economia formal por meio de estratégias de lavagem de capitais.
A denúncia sustenta que as condutas apuradas ultrapassam a prática isolada de tráfico de drogas, revelando engrenagem criminosa estruturada destinada à manutenção contínua das atividades ilícitas e à expansão da capacidade operacional do grupo.
Assessoria – MPPB






