É-nos impossível saber que signo marcará nossa saída deste plano. Aquele do baixar as cortinas, do the end. Final de todos os atos intentados, conquistados ou malogrados. É impossível saber qual a casa zodiacal, ascendentes, caracteres do firmamento ou como os astros estarão alinhados na hora da partida.
Se bem que os céus não estejam nem aí pra nós, carregamos, enquanto vivos, os desígnios traçados no instante em que nos viu nascer. Terra e astros, segundo os crentes da prática astrológica, nos definem e, de certa forma, marcam nossas decisões e destinos.
O poeta augusto sintetizou essa influência em belo verso. “Eu, filho do carbono e do amoníaco, trago desde as epigênesis da infância a influência má dos signos do zodíaco”. Portanto, se nem poeta que dialogava diretamente com as musas passou ao largo dessa observação, imagine nós, pobrerrímos mortais.
A sorte ou o azar existencial, dizem, pode estar descrito nas estrelas. Quem nasceu num dia de deuses mal humorados ou astros estranhamente desastrados, leva consigo, durante a existência, essa influência nefasta. Vai andar pela vida meio trôpego, cambaleante, será mal sucedido até nas pequenas e tímidas motivações.
Se almejar demais, as nuvens já estarão rindo da queda que ele há de dar, como diz o saber popular. Todo mundo vai aplaudir o tombo do qual todos já sabiam ou suspeitavam.
Os signos de entrada, portanto, podem ser benéficos e auspiciosos em seus miasmas. Também podem ser extremamente desfavoráveis à realização do ser enquanto ser. Como o caminho de todos é a decrepitude e a frialdade da terra, ou uma outra vida seguindo a espiral de vidas e além-vidas, deve haver um signo que rege este novo ciclo.
Particularmente se for para a sina astrológica continuar, ó, deusa dos fins, deixe-me por aqui mesmo. Já aprendi a domesticar as influências – não digo más, apenas meio sádicas – do tempo vida que me foi dado.
Edson de França, pessoense, jornalista, cronista e poeta.
