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Janelas do Entre-Copa # 06 – por Edson de França

Derradeira

Janelas do Entre-Copa # 06

Edson de França futebolista sai de cena, se bem que, autocríticamente,  o cronista acredita ter falado mais do lado político e social da Copa durante essas janelas, que do esporte em si. Não discutiu táticas, técnica, nada disso que deveria competir aos profissionais. Em sua defesa, diz ele, o lado oculto do futebol, a revelia dos deuses estritos, é bem maior do que podem supor nossas vãs idolatrias clubísticas e patriotadas.

# 1 Acabou.

Apagai as luzes e correi que a vida normal já amorna os dias. Por hora, as querelas futebolísticas de amplitude mundial serenaram. Restam, claro, pois o mundo não pára, os certames nacionais e suas querelas regionalistas. As paixões, a resenha improdutiva, os comentários sobre as performances estarão resumidas e apagando-se. O mundo do futebol continuará rendendo encontros acalorados no horário nobre da TV.

# 2 “La mano de Dios”

A Argentina chegou à final sob suspeitas. Muitos comentaram, de profissionais à palpiteiros, a “sorte” que o time albiceleste tem de cavar vitórias. Nessa copa não foi muito diferente de 1978 ou da episódica mão do “Deus” Maradona, em jogo contra a Inglaterra, em episódio do segundo título da esquadra platina. Neste ciclo, as redes foram inundadas de teorias da conspiração que apontavam um favorecimento exagerado e até uma possível compra do título.

# 3 “Lei de Gerson” portenha

Talvez eu seja apenas um renitente, um chato, (um ressentido?), crítico da raça argentina. Em campo, digo. Acho os caras maldosos e oportunistas, no sentido de levar vantagem em tudo, mesmo traindo o fair play mínimo e a lisura do jogo. Se há méritos das conquistas? Claro que há! Ninguém pode discutir genialidades esportivas. Mas que maneirismos encobrem ou contribuem para esses feitos, não há como negar!!!

# 4 que fale a manchete

“Jogadores da Argentina ficam de costas para festa da Espanha com troféu na final da Copa do Mundo” (ESPN). Dizer o que mais!

# 5 Favoritismo Frustrado

O time encantado da França bambeou nas quartas e, chegando às semifinais, tomou um nó tático da Espanha. Não levou o futebol encantador para a disputa do terceiro lugar e fez feio de vez contra o English Team. Pouca inspiração (ou seria vontade) e pouquíssimas estratégias para fazer frente ao domínio inglês. Levou na mala um quarto lugar, sem direito a medalhas.

# 6 

Colonizador e ex-colônia chegaram a Grande Final. Foi um ótimo duelo para quem gosta do esporte, sem assumir papéis eventuais, tipo um certo candidato que se vestiu de Argentina porque o vermelho espanhol seria “comunista”. No frigir dos ovos, a Espanha foi campeã, Los hermanos protagonizaram cenas lamentáveis e, sinceramente, não levou a arte de futebol para aquele grande encontro. O resto é só história, estória e resenha morna.

# De ladeira abaixo #

Eu havia planejado ao menos dez edições destas Janelas, mas o futebol brasileiro me impôs um limite moral e matemático. Diante da queda precoce da amarelinha, decidi decretar o apito final na sexta edição: se a Seleção, no momento, é incapaz de trazer o Hexa na taça, este cronista recusa-se a ir além do número 6. Não puramente por solidariedade ao “luto” nacional,  mas por falta de fôlego mesmo. Se ele falta aos jogadores, que dirá ao cronista. Paro por aqui porque o regulamento invisível do nosso futebol parece nos proibir de passar do cinco. A diferença é que, ao contrário dos milionários do campo, eu corri até o fim e entreguei o meu “hexa” particular. Sem dancinhas, sem prorrogação e, infelizmente, sem o bicho do título. Nos vemos na próxima.

Edson de França, pessoense, jornalista, cronista e poeta.