Os últimos dez anos não foram tranquilos para as mulheres da Paraíba. De 2009 a 2018, um total de 1.083 mulheres foram assassinadas. Em 2018, o número chegou a 84 mortes. Os dados oscilam bastante, mas a maior alta foi no ano de 2011, com 146 mulheres vítimas de crimes violentos e letais. Embora, segundo o Governo da Paraíba, tenha havido uma redução de 29% nos casos desde 2010, os números mostram que não há um controle dos casos. Além disso, o mês de janeiro de 2019 também foi marcado pela violência contra a mulher.
As estatísticas são do Anuário da Segurança Pública da Paraíba, divulgado na última quinta-feira (31). A série histórica é bastante variável. De 2019 até 2011 os números cresceram mais de 70%. A partir deste momento, a quantidade de mulheres assassinadas sofreu uma queda de 28% até o ano de 2014.
Em 2015 o números de assassinatos contra mulheres voltou a crescer, com um aumento de nove mortes em relação ao ano anterior. A estatística mostra uma nova redução entre 2015 e 2017, mas em 2018 o aumento de 7% representou seis mulheres a menos na Paraíba.
Os dados do Anuário de Segurança Pública não esclarecem se os crimes se tratam de feminicídios, homicídios dolosos, latrocínios ou morte seguida de lesão corporal.
Segundo a secretária de Estado da Mulher e da Diversidade Humana, Gilberta Soares, o principal entrave nos altos números de violência contra a mulher ainda é o machismo. “Um processo cultural que ainda temos esse menosprezo pela mulher, em que essas relações de dominação, de posse, impera. A gente tem, por um lado, essa questão e por outro lado todo um processo de estruturação de políticas públicas que atendam às mulheres”, esclarece.
Janeiro de 2019 violento para mulheres
Embora os números sejam, de certa maneira, considerados positivos, já que mostram uma redução acumulada, o ano de 2019 não seguiu a mesma tendência em relação à violência. Pelo menos 19 casos de violência contra a mulher, entre eles feminicídio, violência doméstica, abusos e assédios, marcaram o mês de janeiro.
Conforme os dados do Anuário, quatro mulheres foram assassinadas em janeiro de 2019 e 13 em janeiro de 2018, apresentando uma redução de 69% se comparados os dois períodos. O G1 apurou as quatro mortes em janeiro, com matéria publicadas sobre os assuntos. Desse total, dois crimes têm o companheiro ou ex-companheiro como o principal suspeito.
O mais grave acontece na última quinta-feira (31), quando uma mulher foi morta com mais de 50 facadas, dentro da casa da ex-sogra, na frente do filho de 3 anos. O principal suspeito do crime é o ex-companheiro dela, que não aceitava o fim do relacionamento. De acordo com o delegado Damião Marçal, Luciana Buriti já havia registrado um boletim de ocorrência contra o ex-companheiro na Delegacia da Mulher.
Outro crime, dessa vez em Itabaiana, também demonstrava um histórico de violência. Maria José Xavier, de 20 anos, foi morta a facadas na cidade de Itapororoca, no Agreste da Paraíba, no dia 24 de janeiro. Ela chegou a ser socorrida para o Hospital de Emergência e Trauma de João Pessoa, mas morreu na unidade de saúde. O principal suspeito do crime é o companheiro da vítima.
Em depoimento à TV Cabo Branco, o irmão de Maria José disse que ela foi assassinada por ciúmes e que já tinha sido agredida outras vezes pelo suspeito. “Ele já tinha cortado o cabelo dela de faca e ferido ela com um facão. Tudo por ciúmes”, disse Fábio Xavier, irmão da vítima.
A delegada adjunta da mulher, Renata Mata, lembra que nem todo assassinato de mulher é considerado feminicídio, que se tornou lei em 2015.






