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Ressurreição Verde – Por Carlos Ferreira da Silva

Crônica da Quinta

Ressurreição Verde

— Todos sentados e abram o livro na página 65, iremos estudar geografia.

Diante deste evocativo e obedecendo a indicação da professora todos se aquietaram e a algazarra de minutos atrás deu lugar ao silêncio.

A temática da aula nem de longe me enchia os olhos; sempre fui fascinado pela língua portuguesa e, sobretudo, por literatura que me encanta apaixonadamente.

Iríamos estudar naquela aula da Escola Estadual Rio Branco (onde fiz meu ensino básico fundamental a disciplina geografia e em especial): clima e vegetação brasileiros.

Não que meu interesse pela matéria fosse mínimo, na verdade, questionava-me o motivo de estudar na verdade outros aspectos da geografia distantes de minha realidade.

Sempre fui crítico de uma educação dissociada do contexto do educando; pois imaginava que, quando possível, o livro deveria saltar das páginas frias ao mundo real.

Talvez ali naquele instante se formasse, inconscientemente, em mim o que só agora compreendo de maneira mais explícita — o meu ser Pedagogo.

Voltemos à aula. A explicação se iniciou com um rápido passeio pelos tipos de vegetação e o clima de cada região do vasto território brasileiro.

De olho fixo ao meu redor, observava a caatinga entre todos os tipos de vegetação e reconhecia nela belezas peculiares além do seu grande poder de renascimento.

Desde criança fui fascinado com o processo em que a vegetação ora coberta de cinza, castigada pela seca e sem vida que ao mínimo sinal de chuva se revestia de um verde vicejante, era aquilo que chamo de “Ressurreição Verde”.

Sim, uma vegetação capaz de se renovar por si própria, com alto teor regenerativo trazendo ao homem sertanejo a esperança e a fartura da agricultura de subsistência.

Aprendi geografia para além dos livros, e sim na prática, tendo que escapar do sol causticante da Morada do Sol, com poucos ventos, precipitações pluviométricas irregulares, solo enrijecido, vegetação rasteira, clima quente e seco sem falar naquilo que todos nós sertanejos sabemos de cor, bacias hidrográficas atravessadas a pé enxuto.

De toda aquela lição ficou a certeza do respeito aos diversos tipos de vegetação ou clima de nosso imenso país e, evidentemente, a certeza de que não existe um melhor ou mais bonito que outrem, todos são relevantes para a geografia e para mim.

Tudo isto me veio à tona provocado pela postagem do professor Daniel Leite; “O sertão, na experiência, nos dá uma verdadeira aula de Ressurreição. Basta poucas chuvas para que o cinza da morte se transforme em verde da esperança”.

Carlos Ferreira da Silva – Acadêmico de Pedagogia – UNIFIP – carlossilva@pedag.fiponline.edu.br

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