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Associação Médica publica diretriz contra hidroxicloroquina em casos leves

Embalagem de hidroxicloroquina, medicamento sem eficácia comprovada contra a Covid-19 - Dirceu Portugal/Fotoarena/Agência O Globo
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A Associação Médica Brasileira (AMB) divulgou nesta quarta-feira (23) uma diretriz contraindicando a hidroxicloroquina na profilaxia e no tratamento de pacientes com quadro de Covid-19 leve, o que significa que o medicamento não deve ser usado para tentar evitar a contaminação ou mesmo nos estágios iniciais da doença.

A recomendação da AMB é baseada em uma revisão sistemática de estudos internacionais feitos para testar a eficácia da hidroxicloroquina em situações popularizadas como “tratamento precoce” ou “tratamento inicial” contra a Covid-19. O documento com a revisão dos estudos — coordenada por Wanderley Marques Bernardo com a autoria dos pesquisadores Alexandre Naime, Hélio Bacha e Suzanna Tanni — está disponível no site da AMB.

A diretriz tem como objetivo combinar informações científicas para padronizar as condutas médicas, auxiliando o raciocínio e a tomada de decisões dos profissionais na linha de frente do combate à doença causada pelo novo coronavírus.

O projeto começou pela identificação de 1.376 estudos, que foram depurados para atender aos critérios de qualidade necessários. Por exemplo, os estudos a serem analisados precisavam seguir os padrões de ensaios clínicos randomizados, com duplo cego e grupo placebo, além de ter desfechos clínicos bem definidos, com dados de hospitalização ou óbito. Do total, nove trabalhos atenderem os requisitos de qualidade.

A análise desses estudos demonstrou que o uso profilático da hidroxicloroquina não reduz a incidência de Covid-19, nem a hospitalização, os eventos adversos graves ou o óbito dos pacientes. Ao contrário, o uso preventivo do medicamento “aumenta o risco de eventos adversos em 12%”.

Os estudos também não indicaram benefícios do uso de hidroxicloroquina em pacientes com sintomas leves de Covid-19 para reduzir hospitalizações, eventos adversos e óbitos.

O documento divulgado pela AMB conclui afirmando categoricamente: “Não é recomendado o uso de HCQ na profilaxia ou no tratamento de pacientes com quadro de COVID-19 leve.”

Uma comissão formada pelo Ministério da Saúde já recomendou, em maio, com meses de atraso em relação a entidades internacionais e autoridades sanitárias de outros países, que a hidroxicloroquina não deve ser prescrita para pacientes hospitalizados com Covid-19. A tendência é que essa comissão faça a mesma contraindicação para pacientes leves ou em estágio inicial, na linha do que conclui a diretriz divulgada pela AMB.

A Associação Médica Brasileira é uma sociedade sem fins lucrativos criada há 70 anos com a missão de “defender a dignidade profissional do médico e a assistência de qualidade à saúde da população brasileira” e desde 2000 divulga diretrizes baseadas em evidências científicas para auxiliar os médicos nas decisões de diagnósticos e tratamentos.

UOL

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