Meteoros perseidas registrado na câmera Allsky em João Pessoa, PB - Créditos: Marcelo Zurita/BRAMON

A máxima da chuva de meteoros Perseidas esse ano deveria ser na noite entre 11 e 12 de agosto, sendo melhor percebida na madrugada do dia 12 na Ásia. Entretanto, uma atividade incomum de meteoros perseidas foi registrada na madrugada do dia 14 no Brasil, Estados Unidos e Canadá. A atividade foi percebida também na PB, onde as 4 câmeras da BRAMON em João Pessoa registraram mais de 120 meteoros durante a noite.

De acordo com análises preliminares da BRAMON, a Rede Brasileira de Observação de Meteoros, durante a madrugada do dia 14, foram registrados ao menos 6,5 vezes mais meteoros perseidas do que na madrugada do dia 12. E se aqui no Brasil, a safra de foi boa, na América do Norte, foi um verdadeiro espetáculo. A partir das estações de radiodetecção de meteoros no Hemisfério Norte, durante a madrugada do dia 14, foram registrados até 210 meteoros por hora, mais que o dobro do que foi registrado no momento da máxima teórica, no dia 12 de agosto.

Taxa horária de meteoros em 2021 (vermelho) comparado à 2020 (verde) – Créditos: Hirofumi SUGIMOTO

Este surto durou apenas algumas horas e por isso não foi percebido na Ásia e Europa (onde já era dia no horário), indicando que ele foi provocado por uma trilha compacta e estreita de detritos. Além disso, os meteoros dessa noite parecem ter sido mais luminosos do que de costume. Se isso for confirmado, indica que essa trilha é formada por fragmentos maiores.

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Meteoros registrados pela câmera JPZ3 no Brisamar em João Pessoa, PB – Créditos: Marcelo Zurita / BRAMON
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Meteoros registrados pela câmera JPZ1 no Brisamar em João Pessoa, PB – Créditos: Marcelo Zurita/BRAMON
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Meteoros registrados pela câmera JPZ5 no Brisamar em João Pessoa, PB – Créditos: Marcelo Zurita/BRAMON

[ Meteoros registrados em São José dos Quatro Marcos, MT – Créditos: Isaac Leite / BRAMON ]

243 meteoros registrados pela estação RMS BR000J em Pardinho, SP – Créditos: William Schauff / GMN/BRAMON
449 meteoros registrados pela estação de monitoramento RMS CA0007 no Canadá – Créditos: Global Meteor Network

Segundo Lauriston Trindade, pesquisador e membro da BRAMON, este surto da Perseidas foi uma bela surpresa para os observadores de todo o mundo. “Não foi um deslocamento da máxima. Foi, provavelmente, um novo filamento da trilha de detritos do Cometa Swift-Tuttle, talvez gerada por uma fragmentação do núcleo cometário”, diz o pesquisador.

Lauriston e a BRAMON já estão trabalhando na análise desses meteoros em parceria com pesquisadores europeus para tentar identificar a origem deste surto. Isso ajudará na modelagem matemática da trilha de detritos e deve possibilitar a previsão de futuros surtos. Apesar de surpresas como essas serem extremamente agradáveis, nada melhor que se preparar com antecedência e aproveitar melhor a festa.

Marcelo Zurita – (83) 99926-1152
APA – Associação Paraibana de Astronomia
BRAMON – Rede Brasileira de Observação de Meteoros
SAB – Sociedade Astronômica Brasileira