O fenômeno climático e oceânico La Niña está chegando ao fim após ter se configurado por volta de setembro do ano 2020, ao passo que a cada dia as chances de formação de um novo episódio do fenômeno El Niño aumentam.

A grande prova disso é que além do enfraquecimento das anomalias negativas nas águas do Oceano Pacífico Equatorial, região do Niño 3.4 a qual fica bem no centro do referido oceano, as anomalias de temperatura na região do Niño 1+2, qual fica na costa do Peru e Equador estão bem positivas. Lembrando que a região do Niño 1+2 funciona muitas vezes como um termômetro para a formação ou não de episódios de La Niña ou El Niño, isso porque a circulação oceânica de larga escala, transporta águas de regiões de latitudes mais altas no Pacífico Sul em direção ao Niño 3.4, passando antes pela região do Niño 1+2 .

Há grandes volumes de águas mais quentes que o normal para serem transportadas para a região do Niño 3.4, mas há também há grandes volumes de águas frias que continuam migrando da Antártida para o Pacífico Sul, essa alternância poderá ser um indicativo de um possível episódio do fenômeno El Niño, não muito intenso, mas para isso é necessário que a água mais fria de que o normal continue migrando do pólo Sul, além disso, deve-se considerar também o fato da Oscilação Decadal do Pacífico está negativa desde aproximadamente o ano 2000, tal fato pode indicar que é mais provável um episódio fraco ou moderado do fenômeno climático e oceânico El Niño, já que com a ODP negativa, as chances de El Niño forte são menores.

Como a região central do Pacífico Equatorial, região do Niño 3.4 passou mais de dois anos e meio fria, agora seguindo o balanço de energia dos oceanos, ela tende a ficar mais quente que o normal.

Dessa forma, deverá se formar um novo episódio do fenômeno climático e oceânico El Niño, o qual deverá está configurado no segundo semestre de 2023.

Físico e meteorologista Rodrigo Cézar

Créditos: Tropicaldibits.com