Janelas do Entre-Copa #02 – por Edson de França

#1 Visto negado

O primeiro eliminado da Copa foi um árbitro. Antes mesmo de o regabofe começar, a deusa soberana e imaculada, a América, barrou o ingresso do árbitro somali Omar Abdulkadir Artan (conhecido como Omar Artan) no país. Foi tomado como persona essencialmente perigosa por supostas “ligações com organizações terroristas”.

#2 “Problemas com meu país”

Já até naturalizamos essa capacidade extraordinária dos EUA de detectarem talentos terroristas em estrangeiros. É um sexto sentido, algo próximo ao “sentido aranha”, que detecta perigos ou seres letais em potencial. Uma conveniência que serve muito bem às perseguições despropositadas a raças e nações.

#3 Contumaz

Se fôssemos levar ao pé da letra o potencial terrorista de uma nação, cidadãos americanos seriam barrados no mundo inteiro. Cabe lembrar que as ações do império utilizam-se de manobras — algumas bélicas, outras sutis ou frias — para desestabilizar países inteiros. Se possível, descem o nível e aplicam golpes abaixo da cintura. O potencial psicológico de algumas dessas manobras equivale, em grau de covardia, àquela bomba plantada nos alicerces de um prédio de cidadãos incautos.

#4 Debaixo dos caracóis

A jornalista brasileira Karine Alves, da Rede Globo, num ato de corajosa exposição, relatou o tratamento que recebeu ao entrar no país a trabalho. Teve que adicionar aos pertences levados na mala um outro, devidamente alojado na mente: o constrangimento e a incômoda sensação de que esse tipo de tratamento é exclusivo para pessoas que exibem a bela cor de bronze e os cabelos cacheados sob a luz deste sol que há de nos proteger.

#5 Uma história pra contar

O que buscavam embaixo das madeixas da belíssima repórter? Fuzis de assalto AK-47, submetralhadoras UZI, explosivos improvisados, foguetes? Ou seria alguma outra arma de terror não identificada, transportada clandestinamente sob a exuberante cabeleira de mulheres negras? Nesse caso, nem as credenciais profissionais da moça são levadas em conta.

#6 Desengano

Entre as três sediadoras da Copa, o local mais perigoso para gente de todo o mundo são os EUA. Eles não conseguem segurar seus terroristas internos. Enquanto buscam mundo afora oportunidades de taxar esse, aquele ou aquela de terrorista, fomentam, com suas contradições, sentimentos de superioridade ou desengano entre os seus. Se por fora buscam potenciais hospedeiros do perigo, é porque temem a rebordosa por tudo o que provocam no mundo e pelo asco que conseguem alimentar, informalmente, entre as nações.

# Derradeiras abaixo

Hoje é dia de estreia do Brasil na Copa!

por Edson de França, pessoense, jornalista, cronista, poeta e, em momentos perdidos, analista geofutebolístico.