#1 Ânimos antagônicos
O animador de torcida da redação, Manoelita Festeira, faz coro com os analistas esportivos, dito cronistas: “Tem gente se organizando para ver o jogo do Brasil. Vaite! O melhor é assistir Xvideos”. O comentário mostra o sentimento de parte da população quanto às exibições do selecionado brasileiro no certame mundial. Uma parte nutre poucas esperanças, outra faz da confiança uma farra – inclusive se anestesiando durante o processo – e uma terceira segue “cagando e andando” para que os meninos do Carletto façam (e desfaçam) em terras americanas.
#2 Era fake, mas bem que podia acontecer, né?
Zapeando pela rede social sou surpreendido com um relato (devidamente ilustrado por imagens) de uma mulher nua atravessando o campo de futebol da partida entre Suíça x Katar. Procurei algum sinal de que o fato fosse real e nada: era fake. Bem podia rolar um episódio desses para dar crédito ao comentário do meu colega animador. Ele poderia unir o “útil” ao degradante espetáculo futebolístico.
#3 Inovações? temos
A Copa introduziu inovações no velho modelo de disputa de partidas. Algumas já testadas, caso dos 8 mal contados segundos do goleiro; outras chegando: a contagem se estende agora aos laterais, mas a maior de todas é o Hidratacy Break, que transforma a partida num jogo de 4 tempos. Dizem os especialistas que quem lucrou com a manobra foram as emissoras que podem picotar a transmissão com espaços publicitários.
#4 Jogo enxuto
Ainda é cedo, mas talvez pela falsa impressão causada pela profusão de jogos, tenho sentido as partidas mais enxutas. Até objetivas demais. Sem muitos choramingos e controvérsias tão naturalizadas no futebol nacional. Se algo sair de bom para nós do torneio, que seja a lição de uma prática do esporte mais centrada na bola que no bololô. Só não nutra grandes esperanças, caro leitor!
#5 Torcida “gourmet”
Confesso. Tentei sintonizar minhas percepções marotinhas com o “pensamento” da IA. Em tempo, a IA é como horóscopo, um oráculo: vacila entre a resposta enigmática e o gosto do cliente. Concordei com ela num ponto: as copas costumam “gourmetizar” a torcida. Ela cria uma cultura própria, com um visual diferenciado. As transmissões parecem até se esforçar por mostrar uma atração popular, mas o público que recheia as arenas, sobretudo numa copa americanizada, reúne turistas de alto poder aquisitivo, influenciadores e os “verdadeiros” americanos que tratam o jogo como um super bowl, comendo pipoca gigante e hot dog.
#6 O turista e o dinheiro público
Até Zé Fofinho de Elohin , vulgo Chupetinha, tremendo 171 da fé e da banca política, patriota de araque, foi à Copa como influencer. De lá, todo não me toques, gravou vídeo para quem, em sua cabeça grandiloquente, estaria morrendo de inveja por ele, repugnante pessoa, poder estar lá. Pois é, Deus nem sempre acerta na fórmula santa de suas criaturas e, às vezes, erra a mão feio naqueles que julgam defender suas causas. E o povo, pior, que os elege por aqui.
#7a legião européia
“Estrangeiros que falam português”. Alguns dos nossos representantes em campo devem ter uma origem humilde. E isso está colado em suas respectivas biografias. Essa cola, porém, é igual a liga de post it. Quanto mais status e grana, menos ligação e reconhecimento das origens. Muitos saíram cedo do país e embarcaram noutro trem; não tiveram a oportunidade de se lincar ao sofrimento base da população. Já para o torcedor comum, que pega ônibus e assiste ao Brasileirão, esses atletas parecem o que sugere o início desta nota.
# Derradeiras abaixo
Dia histórico. 15/06/2026. A poderosa Espanha não se criou para cima da pequena e estreante Cabo Verde. Nessas horas, sinceramente, o mundo ganha um pouquinho de graça.
por Edson de França, pessoense, jornalista, cronista, poeta e, momentânea e melaninamente, cabo-verdiano.






