As paixões pelo futebol e pelo desenho foram a mistura perfeita e necessária para um garoto prodígio mostrar seu talento através da arte, bem como fazer enxergar que a sua dura realidade de um menino que vive na zona rural do Semiárido nordestino pode ser ser transformada por meio do amor e do saber.
Sem condições financeiras para colecionar o álbum oficial de figurinhas da Copa do Mundo 2026, Elvis Ferreira Fernandes, de apenas 7 anos, usou apenas papel, lápis e cores para reproduzir, à mão, as seleções e os seus atletas favoritos, chamando a atenção de todos que começaram a conhecer essa história pelas redes sociais, por meio de sua mãe, que o incentiva e contou detalhes dessa história ao Portal 40 Graus.
Filho dos agricultores Odair José Fernandes Costa e Edina Valéria Ferreira Costa, Elvis mora na comunidade rural do Sítio Santana, município de Santa Terezinha, na Região Metropolitana de Patos, e, mesmo ainda pequeno, já sabe o que é conviver com as limitações do campo.
No entanto, o garoto não colocou obstáculos ao receber a resposta negativa da sua mãe, que não tinha condições de custear o álbum da Copa do Mundo 2026, com quase mil figurinhas e um custo que passa dos R$ 1.200,00 para completar todo o álbum da Panini.
“Quando foi lançado o álbum da Copa, ele ficou me pedindo. Mamãe, compra um álbum para mim. Aí eu disse a ele que o álbum eu até poderia comprar, mas não ia ter condições de comprar as figurinhas para que ele completasse. Aí ele disse: ‘Não, mas eu desenho’”, conta Edina, que ganha a vida confeccionando bolos e tortas para o sustento da família.
O trabalho iniciou quando primeiro ele próprio pesquisou no Google a figurinha do Neymar e a fez com perfeição. Depois desenhou o Alisson, o paraibano Matheus Cunha, de quem ele gosta bastante. Depois desenhou a arte da capa do álbum. A partir daí, o garoto não parou mais de desenhar.
“Eu postei os vídeos e vi que deu bastante visualização”, disse a mãe, toda orgulhosa do filho artista.
Edina relata que ele sempre teve interesse em desenhar outras coisas, mas a vontade de desenhar o álbum da Copa surgiu justamente do fato de os pais não terem condições de conseguir completar as figurinhas do álbum, e ele sozinho tomou essa iniciativa.
Elvis escolhe algumas figuras que acha mais interessantes para desenhar. “Ele não está fazendo um álbum completo ainda; ele está escolhendo imagens que o atraem e faz o desenho”, afirma a mãe.
Criatividade incentivada dentro de casa
E é em um cantinho da casa, usando uma estante como escrivaninha no seu quarto, que Elvis mostra que tem tanto saber prematuro para desenhar de memória, como usa foto para confeccionar sua própria arte, que começa com um simples rabisco em uma folha de papel. De repente, lá está feita a figurinha da Copa pelas mãos do menino prodígio.
O interesse pela arte
O interesse dele pelo desenho veio desde pequenininho, aos 3 anos de idade. Ele sempre via a sua única irmã, Mônica, desenhando e ficava rabiscando numa folha de papel.
“Depois ele começou a fazer alguns desenhos pequenos, olhava a imagem e colocava no papel, e assim vem desenhando, que ele gosta muito de desenhar”, conta a sua genitora.
A iniciativa criativa logo despertou na mãe a necessidade de incentivá-lo ainda mais a crescer através da arte e mostrar a todos o talento de um menino que, desde novinho, já mostrava que tinha habilidade com o lápis na mão, mesmo com poucos recursos.
“Não tem como não emocionar. A felicidade é tanta que eu fico sem palavras de ter alguém com tanta criatividade tão jovem. Ele faz as figurinhas e coloca o nome de cada jogador”, conta Edina Valéria, emocionada.
Orgulho da família
O talento para desenhar não nasceu dentro de uma sala de aula; nasceu dentro de casa, vendo a irmã mais velha também desenhando.
Aluno do 2º ano do Ensino Fundamental da Escola Porfírio Higino da Costa, localizada na zona rural do município de Santa Terezinha, Elvis usa apenas a simplicidade, a criatividade e a determinação para mostrar seu talento com o lápis na mão.
Motivada a valorizar o potencial do filho, Valéria não mede esforços para expor seu talento nas redes sociais e mostrar a todos que Elvis pode ir muito mais longe.
“E ele tem um interesse tão grande em desenhar que ele sempre está pesquisando coisas das Copas do Mundo passadas, está aprendendo muita coisa. Ele sabe mais coisas dos jogos das Copas do Mundo do que eu, que sou bem mais velha. Ele está estudando, só vive pesquisando coisas assim sobre a Copa do Mundo, sobre os jogadores”, disse a mãe.
O interesse pela arte iniciou logo cedo
“Essa imagem aqui é de um desenho que ele assistia muito quando tinha três anos. Aí, devido a ele assistir muito, do nada começou a desenhar sem estar olhando para nada. Tinha memorizado a imagem e começou a passar para o papel e desenhar. Daí, então, eu vi que ele ia gostar muito de fazer isso, porque não é qualquer pessoa que memoriza um desenho, principalmente sendo pequenininho, e passa para o papel sem estar vendo a imagem”, conta Edina.
Paixão pelo futebol e pela arte
Assim como a maioria dos garotos de sua idade, Elvis gosta de brincar, mas é na arte que o menino se encontra e se realiza. A cada desenho feito, ele corre para mostrar à mãe.
A união da arte e do futebol está sendo o combustível perfeito para o crescimento do menino prodígio que todos os dias, mesmo depois das aulas, tira seu tempo para desenhar.
Edina Valéria afirmou que ele está começando a assistir aos jogos agora. “Ele não tinha interesse em assistir jogos na TV, sabe? Ele torce pelo Flamengo, já por influência da irmã, porque a irmã é louca por futebol.
Torcedor apaixonado do Flamengo, ele está tendo interesse em assistir aos jogos agora da Copa do Mundo. Inclusive, não precisa nem ser só da Seleção Brasileira, mas também das outras seleções; ele está sempre assistindo.”
O álbum que já chegou
Apesar das dificuldades, Edina Valéria sabe que seu filho ainda sonha em completar o álbum de verdade da Copa do Mundo que já chegou, mas ela diz que, mesmo assim, não vai parar de incentivá-lo a desenhar e usa essa paixão para estimulá-lo a crescer ainda mais através da arte e do seu talento.
A história de Elvis Ferreira Fernandes é bem parecida com outra que conhecemos dias atrás e que ganhou repercussão nacional.
Filho também de agricultores, o pequeno Pedro Henrique, de 11 anos, morador do município de Sousa, no Sertão da Paraíba, sem ter o álbum oficial da Copa do Mundo, decidiu criar a própria versão em um caderno e acabou mobilizando as redes sociais e a comunidade escolar onde estuda. Aluno da Escola Municipal de Ensino Fundamental Integral Francisco Mendes, o garoto usou papel, lápis e muita criatividade para confeccionar manualmente a capa e desenhar os jogadores da Seleção Brasileira. Pedro Henrique ganhou seu álbum após a história se espalhar.
A cada Copa do Mundo surgem histórias como essas. Da paixão inexplicável pelo futebol que transcende toda a realidade dura de muitos brasileiros e brasileirinhos.
Elvis é apenas um garoto, mas já começa a entender que o talento divino pode ser apenas uma porta de entrada para o seu futuro brilhante. A Copa do Mundo pode ser apenas o gatilho usado pela mãe para que o menino prodígio do Sertão da Paraíba, mesmo com a vida difícil da zona rural, não veja nela um obstáculo para mostrar a todos que os encantos que o futebol produz também são os encantos que a arte nos revela a cada dia.
Vicente Conserva – Portal 40 Graus
