Ônibus cai de viaduto em João Monlevade — Foto: redes sociais
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Um ônibus caiu de um viaduto conhecido como “Ponte Torta”, no km 350 da BR-381 em João Monlevade, perto da entrada para Dom Silvério, em Minas Gerais. O acidente aconteceu por volta de 13h30 desta sexta-feira (4). Há suspeita de falha no freio do veículo.

Às 20h50, a informação dos bombeiros era de 17 mortes – 12 no local e cinco no hospital.

As vítimas foram socorridas e levadas para o Hospital Margarida, em João Monlevade. Segundo os bombeiros, até as 19h, outras 27 pessoas feridas foram resgatadas, sendo três em estado grave.

O ônibus, que saiu de um povoado na zona rural de Mata Grande (AL) na manhã de quinta-feira (3) e ia para São Paulo (SP), pertence a uma empresa chamada Localima Turismo (leia mais ao fim da reportagem).

O G1 entrou em contato com os responsáveis pelo veículo. Por volta das 22h, a empresa emitiu uma nota na qual expressa pesar e tristeza pelas vítimas e familiares. Informou que deve prestar “total assistência às vítimas e aos seus familiares”. A empresa afirmou, ainda, que os fatos estão sendo apurados e diz estar à disposição para suporte “humano, digno, com compaixão e empatia”. (Veja a íntegra abaixo).

Resumo

  • Ônibus caiu de viaduto na BR-381 em João Monlevade.
  • Acidente aconteceu por volta de 13h30.
  • Queda foi de altura de aproximadamente 35 metros.
  • 17 pessoas morreram e 27 ficaram feridas, segundo informações por volta de 20h50.
  • Moradores da região que viram acidente disseram que veículo deu ré antes de cair.
  • Polícia Rodoviária Federal (PRF) diz que suspeita é de que o ônibus tenha perdido o freio.
  • Ônibus tem placa de Alagoas.
  • Segundo ANTT, ele não tinha autorização para transportar passageiros.
  • Ônibus já tinha sido autuado três vezes por transporte irregular.

Os feridos em estado grave – um adulto e duas crianças – precisaram ser encaminhados de helicóptero para o Hospital de Pronto-Socorro João XXIII, em Belo Horizonte.

Segundo o Corpo de Bombeiros, o estado de saúde deles é bastante grave. Todos estão intubados.

Segundo a Polícia Civil, o ônibus caiu às margens da estrada de ferro Vitória-Minas e do rio Piracicaba, de uma altura aproximada de 35 metros, segundo a medição feita pelos peritos.

Como aconteceu o acidente

Segundo as informações do Corpo de Bombeiros, quando estava passando pela ponte, no sentido Belo Horizonte da pista, o ônibus “perdeu o controle do veículo após suposta falha mecânica no freio, chocando seu retrovisor com um caminhão que estava no local”.

“Nesse momento, o condutor gritou que havia perdido os freios e o ônibus começou a voltar de ré, descontrolado, batendo na proteção lateral da ponte. Nesse momento, 6 pessoas conseguiram pular do ônibus antes que ele caísse, incluindo o motorista, que ainda não foi localizado”, disse o Corpo de Bombeiros, em atualização às 20h.

A Polícia Rodoviária Federal também trabalha com a informação de que o motorista pulou do veículo e depois fugiu: “Sim. As informações repassadas do local são essas. Inclusive há equipes de policiais na tentativa de localizar o motorista”, disse o inspetor Cristiano Mendes, chefe-substituto da comunicação social da PRF.

Os bombeiros informaram, às 20h, que não haverá novas transferências entre hospitais nesta sexta e que todas as vítimas já foram retiradas do local.

Resgate

Por volta de 17h40, o ônibus começou a ser retirado da linha do trem. O Inspetor Brant, da PRF, informou que os socorristas estavam vendo se havia pessoas embaixo do veículo e tentando encontrar documentos das vítimas. Uma contenção temporária vai ser feita na mureta do viaduto. A via foi totalmente liberada às 18h30.

A Polícia Civil informou, por volta de 16h40, que a perícia esteve no local para fazer os primeiros levantamentos. Os corpos foram encaminhados para o Instituto Médico Legal (IML) André Roquete, em Belo Horizonte.

Ônibus irregular

O G1 apurou que esse mesmo ônibus, da Localima Turismo, já havia sido autuado três vezes, em 2019, por transporte irregular de passageiros. Além disso, segundo a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) o veículo não tinha autorização.

“A empresa está cadastrada na ANTT e tem um Termo de Autorização para prestação de serviço regular concedido pela Justiça, por liminar. No entanto, o veículo em questão não estava habilitado para prestar o serviço de transporte de passageiros”, disse o órgão.

Veja a nota da Loca Lima na íntegra

NOTA DE PESAR E SOLIDARIEDADE

A empresa LOCALIMA vem, através da presente Nota, expressar nosso pesar e nossa profunda tristeza pelas vítimas e seus familiares acerca do acidente ocorrido no dia 04/12/2020.

Informamos, ainda, que a LOCALIMA possui contrato de arrendamento junto à empresa J.S. TURISMO, a qual transporta seus passageiros dentro das regras dos órgãos fiscalizadores – ANTT e Polícia Rodoviária Federal.

Não nos furtaremos da nossa responsabilidade, e somaremos todas as nossas forças e empenho para prestar total assistência às vítimas e aos seus familiares.

Nada, absolutamente nada, trará de volta a vida das vítimas. Foi uma fatalidade que gostaríamos de ter evitado.

Todos os fatos estão sendo apurados, e a nossa empresa possui interesse direto na devida elucidação, sendo certo que as reparações serão realizadas, caso a caso, para que a dor das vítimas e dos seus familiares sejam amenizadas.

Lamentamos o ocorrido, e nos sentimos profundamente abalados por este grave acidente. Não obstante, nossa equipe esclarece que se coloca à inteira disposição, dando suporte humano, digno, com compaixão e empatia, para amenizar a dor daqueles que sofrem, sejam vítimas ou seus familiares.

Com profundo pesar, LOCALIMA.

Tragédia em Taguaí

Há pouco mais de uma semana, um acidente entre um caminhão e ônibus matou 42 pessoas em Taguaí, no interior de São Paulo. A batida aconteceu no km 172 da Rodovia Alfredo de Oliveira Carvalho. Mais de 40 pessoas morreram no local, e as outras duas no hospital.

No ônibus, estavam cerca de 50 trabalhadores de uma empresa têxtil. Segundo a Agência de Transporte do Estado de São Paulo (Artesp), o veículo não tinha autorização para circular.

*Por Fernanda Torquatto, Júlio César Santos, Thaís Leocádio, Marina Borges, Pedro Chimicatti, Flávia Lages, Ricardo Mello, Fernando Zuba, Carlos Eduardo Alvim, Gabriel Senna, Vladimir Vilaça, André Junqueira e Cristina Moreno de Castro.

G1 MG

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